Atendimento domiciliar de pets

Por Tamiris Monteiro

Segundo dados do IBGE fornecidos pela Abinpet (Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação), o Brasil tem por volta de 132,4 milhões de animais de estimação, sendo 52,2 milhões cachorros e 22,1 milhões gatos. Para se ter ideia da proporção desses números quando relacionados à economia, os cuidados com alimentação e saúde dos bichinhos fazem com que o mercado petcare movimente cerca de R$ 17 bilhões por ano.

Uma explicação razoável para valores tão altos é que a maioria dos brasileiros considera seus pets como um membro da família ou, até mesmo, como um filho. O afeto pelo animal estimula os profissionais do segmento a criarem cada vez mais produtos e serviços. Um exemplo de serviço que tem feito muito sucesso entre os apaixonados por bichos é o atendimento domiciliar, em que o veterinário examina o cão, gato ou outra espécie em casa.

De acordo com o médico, cirurgião e acupunturista veterinário Marcelo Teixeira, um dos benefícios do atendimento em domicílio é que se torna mais cômodo para o responsável pelo animal. Hoje, muitas pessoas têm dificuldade em arrumar um espaço na agenda e fugir da rotina, ainda que o assunto em foco seja a rotina do pet. Outro ponto positivo é a comodidade para o animal, que evita o estresse de ter que sair de casa para passar por um atendimento. “Em seu próprio habitat, o animal fica mais à vontade, além disso, o médico veterinário pode conhecer o ambiente que o animal vive, os cuidados que ele recebe e o comportamento habitual”, diz Marcelo.

O fato de ter que ir a uma clínica veterinária ou simplesmente sair de casa faz com que muitos animais reajam de forma negativa e, muitas vezes, podem desencadear doenças relacionadas às alterações emocionais. “O estresse, por exemplo, pode trazer complicação como baixa da imunidade fazendo com que ele fique mais suscetível a vários tipos de males, principalmente às viroses contagiosas”, pontua.

Como são os atendimentos?

Segundo Marcelo, os atendimentos são como consulta de rotina normal, parecidas com as que acontecem dentro de uma clínica; contudo, a consulta domiciliar tem um custo maior, porque os gastos com o deslocamento são cobrados à parte. “Eu, por exemplo, tenho uma clínica. Quando sou solicitado, cobro o valor da minha consulta mais uma taxa de deslocamento. E toda vez que tenho de ir visitar o paciente no período dos retornos das consultas, cobro essa taxa novamente”, explica.

Atenção! Nem sempre o pet poderá ser atendido em casa

Alguns procedimentos podem ser feitos na residência do animal, mas nem todo problema consegue ser diagnosticado e resolvido dentro de casa. “Realizo sessões de acupuntura à domicílio, mas logicamente quando entramos na questão de atendimentos de urgência ou emergência, o mais adequado é que seja feito em um ambiente clínico, onde o profissional tem equipamentos, medicamentos e até pessoas capacitadas a auxiliá-lo no momento do atendimento. Por exemplo, um animal atropelado, com rompimento de tecido e fratura exposta. Nesse caso, o médico veterinário não poderá realizar o procedimento correto estando na casa do tutor, com a devida precaução e assepsia que o acontecimento requer. Outro exemplo: se o animal tiver sido intoxicado por algum tipo de veneno, o veterinário até pode levar toda a medicação necessária, mas se o animal estiver com um quadro crítico, aplica a medicação e ela não será suficiente, provavelmente causando o óbito do pet”, frisa.

Portanto, o atendimento em domicílio é mais indicado para consultas de rotina ou para problemas leves, deixando os atendimentos com maiores cuidados e exigências para serem feitos em um ambiente clínico adequado. “Mesmo com toda a conveniência e conforto, dependendo do tipo de atendimento e os possíveis procedimentos a serem feitos, a necessidade do atendimento no ambiente clínico-hospitalar ainda se faz extremamente necessário, até porque no Município de Guarulhos, ainda não dispomos de serviços de UTI móveis, portanto na emergência, leve seu animal imediatamente a um estabelecimento clínico com a estrutura adequada ao bom atendimento que seu animalzinho precisa naquele momento”, afirma o profissional.

O ideal é que, assim como os humanos, os pets sejam levados para avaliação veterinária ao menos uma vez por ano, mesmo que não apresente doenças.

Alerta do especialista

“Somente o médico veterinário é a pessoa capacitada a atender, diagnosticar e elaborar tratamentos medicamentosos. Nada de vendedores que indicam remédios, nada de receitas antigas, tampouco utilizar medicamentos só porque eles foram bons para alguém ou outro animal. Assim como os médicos nos pedem para que não façamos automedicação, isso vale para os animais”, finaliza.