Atividades físicas no Bosque Maia para você se exercitar

Por Tamiris Monteiro

Fazer exercícios regularmente é uma recomendação da maioria dos profissionais da área da saúde. E já está mais que comprovado que praticar atividades físicas faz um bem danado tanto para o corpo quanto para a mente. Contudo, por algum tempo, a reclamação de muitas pessoas para não ter uma vida mais ativa esteve relacionada à dificuldade de não estar associado a uma academia ou contar com a consultoria de um personal trainer. Mas essa história mudou. Nos últimos anos, tem se tornado cada vez mais comum movimentar o corpo ao ar livre. Basta prestarmos atenção nos parques, que acolhem em seus amplos e arborizados espaços indivíduos cada vez mais interessadas em sair do sedentarismo.

O Bosque Maia é um exemplo. Quem passa pelo parque no período da manhã, bem cedinho, ou à noite, após às 18 horas, consegue perceber o intenso movimento de pessoas que vão ao local em busca de qualidade de vida. E é possível ver de tudo por lá, desde aulas com técnicas japonesas até grupos de treinamento funcional e assessorias de atletismo. O negócio é bem democrático, abraça indivíduos de diferentes idades e gostos. Para se ter ideia, no curto período em que a equipe da redação esteve no local, contabilizou cerca de dez diferentes grupos de assessoria esportiva. E se você acha que tudo é pago, engana-se, pois existem opções gratuitas e outras com valores bem acessíveis. A seguir, listamos uma relação de atividades que acontecem no Bosque e que pode ser ideal para você.

Ginástica da Rádio Taissô

As aulas de taissô (ginástica, em japonês) acontecem no Bosque Maia há 13 anos. Um dos instrutores é o senhor Kazama, de 90 anos, que, além de passar os movimentos para a turma, esbanja disposição e bom humor. “Faço taissô há 26 anos e, quando houve a primeira aula no Bosque Maia, ainda não havia sido definido um professor. O instrutor do dia me perguntou se eu não gostaria de assumir as aulas por dois meses. Aceitei. E esses dois meses viraram 13 anos”, relembra.

A ginástica rítmica Rádio Taissô é originária do Japão e está presente no Brasil desde 1978. Tendo como principais filosofias a saúde e o bem-estar, segundo os instrutores, a atividade ajuda na prevenção do estresse, doenças cardiovasculares, diabetes, colesterol, envelhecimento precoce e hipertensão, entre outras enfermidades, pois age aquecendo e preparando a musculatura para as atividades laborais, ativando a circulação, oxigenando o cérebro e equilibrando as energias dos órgãos, aumentando a atenção e a concentração, bem como a disposição para o dia.

Além desses benefícios, a modalidade pode ser praticada em qualquer lugar, a qualquer hora e por qualquer pessoa. Para participar das aulas no Bosque, é preciso se inscrever na federação da Rádio Taissô do Brasil e pagar uma taxa de R$ 20 por ano. Cerca de 50 alunos participam dos encontros que acontecem de segunda a sexta, sempre às 7h e têm duração de 25 minutos. A recomendação para quem for à aula é vestir roupa branca.

bosque-maia-ms-101Crossfut

Com quase 400 alunos, o Crossfut é uma atividade que caiu no gosto do guarulhense, tanto que para atender a demanda o educador físico Eduardo Vela, responsável pela criação da modalidade, trabalha com turmas nos períodos da manhã, tarde e noite, todos os dias da semana, exceto aos domingos. As aulas acontecem no Bosque há pouco mais de dois anos e, de acordo com o professor, é um treino bastante completo que mistura aeróbio, treinamento funcional e elementos do futebol. “Fazemos uma hora de aula, sendo que nos 30 primeiros minutos os exercícios são um combinado de aeróbico mais técnicas do futebol. Depois, nos outros 30 minutos, é treino funcional casado com outras atividades do futebol também. Há gasto calórico, fortalecimento muscular e os sistemas cardiorrespiratório e cardiovascular melhoram muito”, explica o profissional.

Geralmente, as aulas acontecem na quadra de areia e algumas atividades são feitas do lado de fora, como nas pistas de corrida, rampas e escadas. Para iniciar da modalidade, basta disposição e vontade. “Quando a pessoa nos procura, pedimos que seja feito exame médico e o preenchido de uma ficha que investiga até informações da vida pessoal, no sentido de ter uma noção de como funciona a rotina dela”, explica Eduardo. A atividade é paga. O valor varia de R$ 100 a R$ 200 e os horários são bem flexíveis. Quem quiser conhecer um pouco do trabalho dessa turma, no sábado, dia 26 de novembro, acontece na quadra de areia do Bosque Maia um aulão solidário aberto ao público. O evento será realizado para arrecadar alimentos que serão doados para a Casa de Repouso Santa Rosália. Pessoas de todas as idades podem participar, basta doar 1 kg de arroz, feijão ou café.

Aeroboxe, ritmos e ginástica localizada

A professora Karina Calegari é outra veterana do Bosque. Presente no local há 10 anos, ela comanda as turmas de aeroboxe, ritmos e ginástica localizada às terças, quintas e sextas. “Comecei com um projeto pela Universidade UNG que estava previsto por um período. Depois que acabou, as alunas pediram para que eu continuasse dando as aulas”, conta. Sobre os benefícios, Karina explica que vão desde a diminuição do LDL e aumento do HDL até melhoria dos níveis da glicose sanguínea e no sistema cardiovascular e endócrino. “E por ser uma atividade em grupo, promove a socialização dos participantes”. Para entrar no grupo da professora Karina, basta ir à tenda branca e conversar com ela. As aulas são pagas.

Funcional

O treinamento funcional é mais uma das atividades democráticas que rolam no Bosque. Geralmente, as aulas acontecem em grupos e são cobradas pelo profissional. É o caso do professor André Alves, da Team Mandala, que há três anos reúne turmas matinais e noturnas no local. “Passo para meus alunos um treinamento de condicionamento físico, com foco no treino funcional, mais a parte aeróbica. A atividade concentra grandes características de emagrecimento e definição. Para que a pessoa possa iniciar, peço para o interessado passar por um médico de confiança, explicar a atividade para ele e ver se está tudo bem. Também tenho parceiros que fazem a parte de avaliação física e de nutrição”, explica André.

Sobre o porquê de treinar ao ar livre, o profissional explica: “Temos inúmeras possibilidades no parque, como escadarias, corrida no meio do bosque, rampas etc. Sem falar que o ambiente da academia, dependendo do lugar, é meio seletivo. As pessoas que estão fora de forma, por exemplo, acabam sendo excluídas. No meu sistema, prezo muito pela inclusão. Ajudo cada aluno sem deixar de fazer com que o outro que está à procura de alto rendimento deixe de atingir seus objetivos”, ressalta.

A atividade ativa músculos e articulações de forma global, desenvolvendo coordenação motora, flexibilidade, agilidade, equilíbrio, força e aptidão cardiorrespiratória. As aulas da Team Mandala acontecem de segunda a quinta, de manhã e à noite, e já atende cinco turmas.

Corrida

Talvez essa seja uma das modalidades com mais assessorias. O bacana é que existem opções pagas e gratuitas. O professor João Laerte da Silva, por exemplo, cobra um valor camarada e dá aula para o grupo de corrida mais antigo do parque: o “Amigos do Bosque Maia”. Dentro desse grupo há atletas iniciantes e profissionais. Os mais experientes, como Ana Emperador e Maria de Fátima, servem, inclusive, como inspiração, já que são figuras bem conhecidas dos corredores guarulhenses por seus títulos e pódios. “Aqui recebemos todos aqueles que tenham vontade de correr, desde os que são sedentários e querem iniciar na atividade física, até outros que querem baixar tempo na corrida ou participar de maratona”, afirma Laerte.

Para quem quer treinar, mas não tem dinheiro para investir na corrida, uma opção é participar do grupo do professor Alexandre Leonardi. As aulas do educador físico são bancadas pela Prefeitura, portanto, gratuitas para os alunos. “Aqui trabalhamos desde a caminhada até a evolução do aluno por tempos melhores ou quilometragens mais longas. Para participar, os interessados devem preencher uma ficha da Prefeitura e trazer um atestado médico”, diz Alexandre. Os encontros acontecem de segunda, quarta e sexta, de manhã e à noite.

Mais uma opção gratuita é integrar o projeto “Vem correr com a Guarda Civil”. As aulas dadas pela GCM começaram em março deste ano e atendem cerca de 100 alunos. As turmas se reúnem de segunda, quarta e sexta, em três horários diferentes: 8h, 9h e 10h. “Inicialmente é passado um alongamento para os alunos. Na sequência, um educativo de corrida. Para quem já pratica o esporte, iniciamos nos treinos normalmente, mas para quem não faz nenhuma atividade, aos poucos vamos passando caminhadas e pequenas corridas buscando a evolução”, explica Rubens Domingues, educador físico e funcionário da Guarda. Para participar, é preciso procurar os professores que ficam na tenda e comprovar que não tem nenhum problema de saúde que impeça a execução da atividade.

bosque-maia-ms-157Caminhada

Para quem não tem tempo, grana ou simplesmente não curte se juntar a grupos, uma sugestão é a caminhada. A prática que é bastante recomendada pelos médicos, na maioria das vezes, não apresenta contraindicação. “Quando o objetivo é buscar sair do sedentarismo, a prática da caminhada é bastante benéfica para a manutenção da saúde. A atividade melhora a circulação, combate a osteoporose, protege contra infartos e pode ser realizada por um grupo maior de pessoas, como idosos, obesos e gestantes”, destaca Fernanda Dacache, gerente médica na empresa Aché Laboratórios.

Ainda há espaço para a solidariedade

Rose Mary Barone é uma figura bastante conhecida no Bosque Maia. Apesar de não fazer parte de nenhum grupo específico, frequenta o parque há 15 anos e conhece quase todos. Quem cruza com ela dificilmente a vê parada, pois é do tipo que caminha, corre, pedala e ainda encontra tempo para produzir ações sociais, como a tradicional caminhada de Natal, que neste ano chega em sua 8ª edição. “Como temos muitos corredores no Bosque, decidimos montar eventos solidários. Neste ano, montaremos uma casinha de Papai Noel e distribuiremos brinquedos para as crianças” antecipa. Quem quiser saber mais sobre o evento ou ,até mesmo, participar, pode conferir mais informações na seção Agenda desta edição.

Rafa Almeida
Rafa Almeida

Mais opções

Além das modalidades já descritas, ainda é possível usufruir das quadras, pista de skate e academias populares do Bosque Maia. “Temos quatro quadras, uma exclusiva para o basquete, duas para futsal e uma que serve tanto para o vôlei quando para o tênis. Nessa última, fizemos uma planilha com datas e horários, determinando quando acontecem os jogos de tênis e vôlei. Para usar o espaço não é preciso nenhum tipo de autorização”, esclarece Wilson David, professor de educação física da Prefeitura e responsável por acompanhar as atividades esportivas e eventos que acontecem no Bosque.

Uma dica importante mencionado por Wilson é que as pessoas pesquisem sobre os profissionais que ministram aulas no parque antes de contratarem seus serviços. “É essencial que o professor de educação física tenha CREF. E também que não cobrem dinheiro dos alunos especificamente para estar dentro do Bosque. As consultorias acontecem naturalmente em todos os parques do Brasil, não é preciso autorização. Por isso, não podem cobrar nenhum valor aqui dentro”, afirma.