Por Cris Marques
Fotos: Arquivo pessoal e banco de imagem

pet2O fim do ano está chegando e com ele as comemorações de réveillon e as já tradicionais queimas de fogos. Se, para os humanos, o espetáculo deslumbra e encanta, para os bichinhos de estimação, em especial cães e gatos, ele pode ser uma verdadeira tortura. “Os animais são muito sensíveis ao barulho, ouvem infinitamente melhor do que a gente. Por isso, um estrondo mais intenso, como o de um rojão, torna-se algo muito forte e incômodo”, explica Thiago Sanchez, consultor comportamental na Equilíbrio em 4 Patas.

O profissional, que reabilita, treina e socializa bichos com problemas psicológicos e de comportamento, conta que nem todos eles reagem da mesma forma à barulheira da época. Enquanto uns lidam numa boa com isso, outros sentem tremedeiras, palpitações e apatia, ficando com as pupilas dilatadas e o rabo recolhido entre as patas, em um sinal claro de insegurança. “A sedação é uma forma momentânea de conter o problema e ajuda em casos mais extremos, mas tudo precisa ser monitorado e recomendado por um veterinário. Nada de automedicar seu peludo. Isso pode ser muito perigoso”, alerta.

No momento do medo, é comum que o pet tente se esconder ou fugir e, por isso mesmo, é necessário tomar alguns cuidados importantes para garantir sua saúde e bem-estar. “Mantenha-o sempre dentro de casa e deixe janelas e portas fechadas. Evite deixá-lo preso em correntes ou guias, pois ele pode se enforcar. Ele também precisa estar com uma plaquinha com nome e o telefone do tutor, pois isso pet3facilita a identificação, caso haja uma fuga. Se o bichinho for ficar sozinho, deixe um ambiente bem tranquilo para ele, de preferência na parte interna da casa em que ele mais goste de ficar e com bons locais para criar esconderijos. Um pano com o cheiro do dono também pode ajudar a amenizar a ansiedade e o pavor”. Outra coisa que pode funcionar é a técnica das faixas – método conhecido como “tellington touch”, no qual a pessoa amarra uma faixa em formato de 8 ao redor do pet fazendo compressão no peito e no dorso. “Isso pode amenizar um pouco a sensação ruim, pois o pano estimula e toca possíveis áreas que acalmam e tiram o foco mental em relação ao trauma. Porém, tudo depende do tipo de medo e de sua intensidade. Alguns peludos podem ficar mais irritados pelo simples fato de não gostar de nada sobre seu corpo”.

Ainda segundo Thiago, além dos cuidados paliativos, o ideal é fazer um treino de dessensibilização para a melhora do quadro. “Brincadeiras e atividades físicas e mentais são ótimas para, além de relaxar o animal, fazer com que mentalmente ele entenda que o barulho não é grande coisa e que está seguro. Aliás, a postura do dono é extremamente importante nessas horas. Nada de ficar fazendo carinho ou segurando o bicho no colo. Esse tipo de reforço é visto por eles como se o humano também estivesse com medo e todos precisassem ficar juntos em meio ao ‘perigo’ iminente. A melhor coisa a se fazer é mostrar total confiança e tranquilidade e interagir para que ele associe aquele momento barulhento a algo positivo”, finaliza.

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