Bitucas: Legislativo dá mau exemplo

Que fumar é prejudicial à saúde de quem fuma, e até de quem está por perto, não é novidade.

No Brasil, o tabagismo é responsável por 200 mil mortes por ano, segundo o Ministério da Saúde. O tabaco também está relacionado a 90% dos casos de câncer de pulmão. Estima-se que 27.330 novos casos desse tipo de câncer devem somar-se às estatísticas apenas neste ano no país. O cigarro ainda contribui para 25% das mortes por anginas e por infartos do miocárdio, 45% das mortes por infartos em pessoas com menos de 65 anos, 85% das mortes por bronquite crônica e enfisema pulmonar.

Uma boa notícia é que o percentual de fumantes vem caindo ano a ano no Brasil: de 15,6% da população em 2006, foi reduzido para 10,8% em 2015. Na região metropolitana de São Paulo, o índice é um dos maiores do país: 13%. Calculado sobre a população guarulhense, pode-se estimar que 170 mil pessoas de Guarulhos sejam fumantes.

 

Porém, desde que se obedeça à legislação, que impede de fumar em locais fechados, o hábito passa a ser escolha individual. Há, no entanto, uma consequência coletiva do hábito individual, que é o imenso volume de bitucas jogadas nas ruas diariamente. A média de consumo de cigarros no Brasil é de 17 cigarros por pessoa/dia. Multiplicando pelos 170 mil fumantes guarulhenses,  chega-se a 2,9 milhões de cigarros/dia. Como quase só se fuma em locais abertos, talvez sejam jogados nas vias públicas nada menos de 2 milhões e meio de bitucas por dia. Evidentemente, isso contribui para a sujeira da cidade e para o entupimento de bueiros, além da questão ambiental: uma bituca pode demorar até cinco anos para decompor-se e contém inúmeros poluentes dos cursos d’água.

A Câmara Municipal de Guarulhos poderia fazer algo nesse sentido, buscando instituir regras no Código de Posturas, visando à mudança desse hábito ou incentivando casas comerciais a instalar recipientes para bitucas em frente aos estabelecimentos.

Porém, ainda que não o faça, cumprindo sua função como casa legislativa, pode, no mínimo, dar bom exemplo. É muito comum ver funcionários da Câmara fumando em frente às portas da garagem, na rua Luiz Faccini. E, invariavelmente, as bitucas são jogadas na calçada ou na sarjeta do próprio local, como mostra a foto, tirada na tarde de quinta-feira, dia 17. Que a Administração da Casa providencie recipientes para bitucas e estabeleça sanções a quem for flagrado insistindo nessa prática nociva, ainda que pareça inofensiva à primeira vista.

Pode-se argumentar que há questões muito mais importantes para o Legislativo preocupar-se, mas nas pequenas atitudes também se mede o quanto a Câmara Municipal é, ou não, de fato, a “Casa do Povo”.

Valdir Carleto