Câmara banca viagens de deputados a destinos turísticos com aval de Rodrigo Maia

Comitiva de deputados posa para foto feito time de futebol, no estádio do Sporting, em Portugal, durante excursão autorizada pela Câmara com dinheiro público. Agachados (da esq. p/ dir.) Marx Beltrão (PSD-AL), Herculano Passos (MDB-SP) e Bibo Nunes (PSL-RS). Em pé José Nunes (PSD-BA), um dirigente esportivo local, Newton Cardoso Jr. (MDB-MG), Antônio José Albuquerque (PP-CE), José Airton Cirilo (PT-CE) e Luiz Antônio Teixeira (PP-RJ) - Arquivo Pessoal

Reportagem do jornal Folha de S. Paulo desta segunda-feira, 24, aponta que, apesar de permitidas pelas regras da Câmara dos Deputados, as viagens internacionais dos parlamentares têm levado desde outubro do ano passado uma média de 26 deputados para fora do país, por mês, para destinos como Estados Unidos, Europa e Ásia, alguns mais de uma vez ao ano.

De janeiro de 2018 a janeiro de 2019 esses deslocamentos custaram R$ 3,9 milhões aos cofres da Câmara. Segundo o jornal, os custos totais foram obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação.

A justificativa oficial das viagens, autorizadas ou negadas por decisão do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), é, entre outros, dar aos deputados “acesso a novos conceitos, políticas públicas e experiências legislativas úteis ao Brasil”.

Nessa prática imoral, a apelidada “CamaraTur” tem sido usada para viagens de deputados, acompanhados pelos cônjuges (o custo de eventual acompanhante não é bancado pela Câmara), para destinos turísticos, com precária justificativa das razões e ganhos ao Legislativo desse tipo de deslocamento.

Segundo a apuração da Folha, vários relatórios de viagens apresentados se resumem a poucos parágrafos, copiados de textos da internet, sem a citação da fonte, como se fossem a transcrição da experiência própria adquirida pelo parlamentar.

Ainda segundo a Folha, o ex-deputado federal Jorge Tadeu Mudalen (DEM-SP), Vinculado a Guarulhos, é nome frequente em viagens. Mesmo depois de não ter conseguido se reeleger, teve três em missão oficial autorizadas no final de 2018, em despedida de seus sete mandatos. Sobre sua ida a Nova York para reuniões da ONU, usou “ctlr+c e ctlr+v”, copiando e colando trechos de informativos da organização, como se fossem de sua autoria. Procurado pelo Click Guarulhos, Jorge Tadeu não se pronunciou até o fechamento desta edição.

Leia a íntegra da reportagem da Folha de S. Paulo

*Com informações de Eduardo Lucizano, do UOL