Campeã de tênis de mesa comemora ouro no tiro com arco no ParaPan

por Luiz Humberto Monteiro Pereira

jogoscariocas@gmail.com

Jane Karla Rodrigues Gogël nasceu em Aparecida de Goiânia, na periferia da capital goiana, e teve paralisia infantil aos 3 anos. A doença comprometeu os movimentos das pernas, seu equilíbrio para andar e diminuiu a força nos braços. Mas força de vontade ela tem de sobra. Aos 40 anos, conquistou nos Jogos ParaPan-Americanos de Toronto uma inédita medalha de ouro para o tiro com arco brasileiro. Antes de disparar as primeiras flechas, ela teve uma trajetória importante no tênis de mesa. Foi dez vezes campeã brasileira e bicampeã parapan-americana – ouro em 2007, no Rio de Janeiro, e em 2011, em Guadalajara. Entre um ParaPan e outro, em 2010, ainda enfrentou – e venceu – um câncer no seio. Depois de conquistar a vaga para tentar o tri em Toronto, esse ano tomou a decisão de desistir do tênis de mesa. “Por não morar em São Paulo, onde treina a seleção, tudo estava difícil”, justifica.

Casada com o alemão Joachim Gögel – que foi seu técnico no tênis de mesa e agora ajuda nos treinamentos do tiro com arco – e mãe de dois filhos, Jane não esconde que sua grande expectativa é disputar os Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. “Nas Paralimpíadas que participei, sempre achei o máximo ver aquela grande torcida para os atletas locais. Quero muito viver essa emoção!”, avisa a arqueira, que treina em um campo cedido pelo Goiás Esporte Clube e trancou a faculdade de Fisioterapia para se dedicar aos treinamentos.

Jogos Cariocas – Como foi a decisão de largar o tênis de mesa, onde teve tantas conquistas?

Jane Karla – Por não morar em São Paulo, onde treina a seleção, tinha de viajar muito. Quando fui ao Mundial na China, tive que bancar minha ida, comprar meu uniforme e colocar meu nome nele. Neste Mundial, garanti a vaga para Toronto e até hoje estou entre as dez melhores no ranking dos mesatenistas. Mas, para ir ao ParaPan em Toronto, teria que participar de pelo menos três competições internacionais, onde exigiam que o atleta levasse seu técnico junto. No Mundial, já foi difícil conseguir ir sozinha. Imagina ainda ter que pagar tudo para o técnico também? As dores que sempre senti em meus pés jogando tênis de mesa, por conta das cirurgias e das placas de platina, também pesaram.

Jogos Cariocas – E por que o tiro com arco?

Jane Karla – Em agosto de 2014, decidi procurar um esporte que pudesse praticar em Goiânia mesmo. Um dia, participei de uma aula experimental de tiro com arco. Foi paixão à primeira flechada. Em janeiro de 2015, tomei a decisão em desistir da vaga para Toronto no tênis de mesa. Pela dificuldade de caminhar por conta das sequelas da poliomielite, fui classificada pela Confederação de Tiro com Arco para atirar sentada na cadeira de rodas. Isso fez uma grande diferença. Em abril, participei da etapa do circuito mundial de tiro com arco nos Estados Unidos e conquistei dois ouros. Em maio, tivemos a seletiva em Maricá, valendo a vaga para o Pan. Fui campeã e garanti novamente minha ida a Toronto, agora com o tiro com arco.

Jogos Cariocas – Como é a sua rotina, num dia comum?

Jane Karla – Levanto cedo, levo minha filha Lethicia à escola e vou com meu esposo para treinar. Na hora do almoço, pegamos ela na escola e vamos para casa, para eu fazer o almoço. Depois, volto para o treino novamente. Quando o sol se esconde, vou pra casa. Também faço musculação três vezes por semana. Tiro um dia de folga por semana, para cuidar da casa e colocar outras coisas em dia.

Jogos Cariocas – Como estão seus preparativos para as próximas Paralimpíadas?

Jane Karla – Estou me preparando bastante e com foco para os Jogos Rio 2016. Meu sonho é  conquistar uma medalha. Tenho apoio da loja de esportes Decathlon, do fisioterapeuta Victor Rodrigues, da Athos Academia, da Universidade Salgado de Oliveira e da Prefeitura Municipal de Aparecida de Goiânia. Também sou atleta do Time Nissan, que me disponibilizou um Sentra. Duas empresas goianas, a Gravia e a Equiplex, querem me patrocinar através do Programa Fomentar, da Agência Goiana de Esporte e Lazer. Mas o projeto ainda não foi liberado. Agora preciso treinar muito. A vontade é grande de conquistar o primeiro lugar!

Jogos Cariocas – Como imagina que serão as Paralimpíadas de 2016?

Jane Karla – Será um evento maravilhoso. Os paratletas contarão com profissionais qualificados e todo ambiente estará adaptado, com equipes de apoio executando um excelente trabalho para que os competidores se sintam bem.

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