Capitã da equipe brasileira de nado sincronizado, Lara Teixeira quer encerrar a carreira com final olímpica

por Luiz Humberto Monteiro Pereira

jogoscariocas@gmail.com

Em dezenove anos como atleta de nado sincronizado, foram dezenas de títulos de campeã brasileira, um tricampeonato sul-americano, cinco finais em campeonatos mundiais, duas medalhas de bronze no Pan do Rio, em 2007, e duas medalhas de bronze no Pan de Guadalajara, em 2011. Nas Olimpíadas, Lara Teixeira competiu no dueto, ao lado de Nayara Figueira, em Pequim-2008 e Londres-2012 – em ambas, terminaram na 13ª colocação. No Rio, em 2016, Lara irá competir apenas por equipes – será a primeira vez que a equipe do Brasil estará nas Olimpíadas. “As competições no dueto e por equipes são provas bastante distintas. Neste momento, estou curtindo bastante trabalhar com a equipe, pois é uma modalidade bem mais dinâmica e divertida”, avalia a atleta que, aos 27 anos, é a capitã da equipe olímpica brasileira de nado sincronizado.

Passo a experiência para as meninas mais novas no dia a dia, conforme surgem os desafios. Conto histórias e me sinto super feliz quando se interessam por algo específico que já vivi”, explica. Fluminense de Campos dos Goytacazes, mas criada na Tijuca, na Zona Norte carioca, Lara chegou a se afastar das piscinas em 2012 e foi trabalhar com marketing esportivo em São Paulo. Mas a aproximação das Olimpíadas do Rio de Janeiro falou mais alto e, no final de 2014, ela retomou seu lugar na seleção brasileira de nado sincronizado. “Toda vez que via algo relacionado os Jogos de 2016 eu me emocionava, batia muito forte algo dentro de mim”, justifica Lara, que já anunciou que deixará o nado sincronizado após as Olimpíadas do Rio de Janeiro. “Mas pretendo jamais ficar afastada do esporte!”, avisa a capitã da equipe, que ostenta os anéis olímpicos tatuados no ombro direito.

Como se aproximou do nado sincronizado?

Lara Teixeira – Me apaixonei pelo esporte observando as atletas mais velhas do nado sincronizado no Tijuca Tênis Clube. Na época, eu fazia natação, balé e ginástica artística e, aos oito anos de idade, pedi para mudar de modalidade. Participei de competições infantis e juvenis até que, quando eu tinha 17 anos, entrei para a seleção brasileira adulta. Foi quando percebi que poderia ser uma atleta profissional.

Quais são seus pontos fortes no esporte? E quais fundamentos precisa aprimorar?

Sou explosiva e possuo técnicas apuradas com a experiência no esporte. E sou paciente. Trabalhar direto com mulheres me transformou em uma pessoa paciente… Agora, falando sério, o que mais gosto no nado sincronizado é quando tenho de ficar de cabeça para baixo. E a única coisa que odeio é “morrer” de falta de ar… Preciso aprimorar a resistência muscular para chegar ao final da coreografia mais forte.

Como é a sua rotina de treinamentos?

Treino seis dias por semana, de segunda a sábado, no Centro Aquático Maria Lenk, que faz parte do Parque Olímpico da Barra, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Fica no bairro onde moro. Começamos as 7 h e terminamos as 14 h. Treinamos flexibilidade, musculação e, é claro, muita água! Precisamos acertar muitas coisas dentro de cada treino: força, flexibilidade, explosão, apneia… Até chegarmos à perfeição!

Qual foi seu momento mais emocionante, dentro do esporte?

As Olimpíadas de Londres, em 2012, e os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007, e Guadalajara, em 2011. Não consigo separar esses momentos. Todos foram emocionantes e muito intensamente vividos.

O que espera dos Jogos Rio 2016?

Sonho acordada, enquanto estamos treinando mesmo. Espero chegar à final olímpica no Rio e ter uma outra experiência inesquecível na minha vida! Quanto aos preparativos, acho que tudo estará pronto e em perfeita condição até agosto de 2016. Afinal, estamos falando das Olimpíadas! Será uma vantagem competir “em casa”, pois me motivo e fico com mais força com o apoio da torcida.

Você já anunciou que pretende encerrar sua carreira no nado sincronizado após as Olimpíadas do Rio de Janeiro. Quais são seus planos?

Eu sou formada em Administração de Empresas, pela FMU. Fiz um curso de Gestão Avançada de Esportes pelo COB e é exatamente nessa área de gerenciamento esportivo que pretendo trabalhar a partir de setembro de 2016.