Casa de David há 55 anos atendendo e abrigando deficientes

O que começou em um sonho da fundadora, Marlene Soares, hoje significa a sobrevivência de muitas pessoas que precisam de cuidados especiais

A Casa de David, instituição que abriga e cuida de deficientes físicos, deficientes intelectuais e autistas, completou 55 anos nesta quinta-feira, 25.

A instituição hoje conta com duas unidades, uma em São Paulo, na Rodovia Fernão Dias – km 82, e outra em Atibaia, na Estrada Municipal Juca Sanches, 1000, mas tudo começou em 1962 com um sonho de Marlene Simoni Soares que, após perder precocemente seu filho, David, por conta de uma meningite, dedicou sua vida aos carentes de cuidado e afeto.

Marlene, atualmente com 82 anos, conta que sua missão de vida foi definida pelo próprio filho, quando o menino apareceu em um sonho segurando uma placa com os dizeres: “Casa de David”.

Abraçada com esse nobre propósito, Marlene fundou então a instituição de mesmo nome e ainda em 1962, 45 crianças estavam abrigadas na primeira sede, localizada no bairro do Tremembé, em São Paulo. Meses depois, a Casa começou a funcionar na Rodovia Fernão Dias – km 82, onde está até hoje. “Estou muito feliz com o que vejo. Se Deus me deu uma missão, sinto que cumpri”, afirmou Marlene enquanto visitava a instituição em abril deste ano.

A evolução da Casa de David pode ser comprovada por números. Atualmente a instituição atende 271 deficientes físicos e deficientes intelectuais na unidade São Paulo e 108 autistas na unidade Atibaia, inaugurada em 2014. “Estou contente com todo o carinho e tratamento que meu filho tem recebido. Vejo um amor muito grande em toda equipe da instituição”, disse Gleida Martins de Castro, mãe do assistido Paulo Eduardo, abrigado na instituição em Atibaia.

A Casa de David Atibaia, que atende somente autistas, é pioneira no Brasil no abrigamento em residências terapêuticas. Além disso, são usadas terapias inovadoras no dia a dia, como a Gameterapia, que faz uso de jogos de videogame para aprimorar a interação e a coordenação motora, e aulas de ioga com o objetivo de melhorar funções psíquicas e motoras.

Na comemoração de seus 55 anos, a administração da Casa de David sabe que nada disso seria possível sem a solidariedade de valiosos parceiros, pessoas solidárias que doam recursos (roupas, alimentos, itens de higiene) e tempo com trabalho voluntário [por terem abraçado o objetivo de Marlene Soares.

Com o que os colaboradores chamam de “corrente do bem”, a instituição superou obstáculos e significa também dignidade para muitas pessoas. Hoje são 700 funcionários que trabalham nas duas unidades da Casa de David.

Dentro da instituição, não existe grande barreira de convivência entre os colaboradores e assistidos. Os deficientes que não têm a necessidade de permanecerem em camas ou cadeiras de roda seguem a rotina de tratamento, higiene e alimentação, mas ficam livres para se movimentar em um grande espaço que parece um quintal de casa, com muitas áreas verdes. “São todos meus irmãos, de coração”, afirma Fabiana de Souza, 52, assistida da Casa de David, que foi abandonada por sua família e chegou à instituição com apenas quatro anos.

Assim como Fabiana, centenas de outros assistidos e todos os colaboradores que deixam sua contribuição, a Casa de David comemora 55 anos olhando para o futuro, com a consciência de que muitas vidas foram salvas, mas que a missão iniciada por Marlene Soares, em 1962, nunca vai acabar.

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