Chega de vitimismo

Por Cris Marques

Você já sentiu que o mundo estava sendo injusto com você? Que a vida ao redor era melhor e que só você não conseguia evoluir? Que estava sendo prejudicado, de alguma forma, pela “felicidade alheia”? Se a resposta para uma ou mais perguntas acima foi sim, então cuidado: você pode estar se tornando sua própria vítima. De acordo com a psicóloga clínica Analú Brito, o vitimismo – neologismo para o ato de se vitimizar – é uma patologia psicológica caracterizada pela presença da autopiedade. Ela também pode acarretar outros sintomas e doenças mais graves como, por exemplo, a depressão.
Ainda segundo a profissional, o quadro pode ter diversas causas, entre elas a necessidade de chamar atenção. “Quem é protagonista desse ‘coitadismo’ fica na inércia, estagnado, não consegue fazer mudanças na própria vida, acreditando não ter capacidade para mudar. Acaba dependendo dos outros. Elas fazem isso para atrair atenção e cuidados, assumindo uma postura de dependência emocional e psíquica extremamente nociva”, explica.

Por que é difícil assumir as consequências?
Normalmente, as pessoas que são vítimas de si mesmas tendem a não entender ou assimilar que para toda ação existe uma reação. Assim, a responsabilidade de seus atos e, principalmente, resultados ruins são atribuídos a fatores externos ou a outras pessoas: “Fiz a minha parte”, “Ninguém quis me ajudar”, “Cheguei tarde por causa da chuva”, “Não me ouviram”.
Ao fazer isso, quem pratica o vitimismo não consegue assumir as consequências de seus próprios feitos e, muito menos, aprender a lidar com certas situações, enfraquecendo-se. Quem não se reconhece como protagonista não olha para si mesmo para consertar o que não está funcionando. “À medida que alguém se vitimiza, o outro se torna cada vez mais culpado. Pode parecer mais fácil, mas não é bem assim. A pessoa vive sem se dar conta de que é dona de sua trajetória, incluindo derrotas e conquistas.”

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Assim como outras patologias psicológicas, o vitimismo é uma tendência inconsciente que pode surgir de diversas formas e níveis na vida de uma pessoa. Por vezes, esse comportamento pode ser desencadeado por outros fatores, como pais superprotetores, falta de maturidade e uma sociedade competitiva e opressiva. O papel psicológico de vítima pode evoluir de um leve pensamento sobre a grama do vizinho ser sempre mais verde até um problema mais grave: a falta de protagonismo.
“Quando o indivíduo não consegue mudar esse pensamento de vítima sozinho, a psicoterapia vai ajudá-lo a experimentar outras formas de se enxergar, de receber e perceber desafios e problemas”, enfatiza a psicóloga clínica Analú.
Sabe aquela história de analisar um problema por diversos ângulos, antes de agir? Essa pequena atitude é exatamente o primeiro passo para se livrar do sofrimento da culpa e pode mudar todo o rumo da vida de uma pessoa. Além disso, é preciso adquirir responsabilidades, superar frustrações, assumir culpas e, principalmente, reconhecer que é sim permitido errar, mas também é possível dar a volta por cima. Afinal, tudo isso faz parte do amadurecimento necessário para o crescimento pessoal.

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Quebre as amarras do vitimismo

  • Pratique o autoconhecimento;
  • Conheça seus limites e necessidades;
  • Reconheça o que é de sua responsabilidade, mas também saiba identificar quando ela for do outro;
  • Planeje sua vida, metas e projetos, traçando objetivos claros do que você quer conquistar;
  • Seja responsável pelas suas escolhas e assuma as consequências;
  • Aprenda a lidar com as frustrações;
  • Não seja dependente de suas relações emocionais;
  • Tenha autonomia sobre sua própria vida;
  • Cuide de sua autoestima.