Coletor Menstrual – um brinde ao “copinho”

Fotos: Arquivo pessoal e divulgação.

Por Cris Marques

Menstruação, felicidade, disposição, conforto ou liberdade não são palavras que se relacionam durante um ciclo menstrual. E as mulheres sabem bem disso! Ao contrário dos vestidos esvoaçantes, das calças brancas, do sorriso no rosto e do líquido azul, quase “angelical”, dos comerciais de absorvente; na vida real não é bem assim, existe TPM, cólica, inchaço e um medo recorrente de vazamentos. De acordo com a ginecologista e obstetra Heloisa Helena Sampaio Ferreira de Castro, por mais que esse período seja incômodo, ele garante um ciclo hormonal saudável. “Ninguém é feliz por menstruar, mas esse é um sinal de que o corpo está funcionando bem.”
Mas se o quadro parece não ser muito favorável para o público feminino, a indústria vem trabalhando em produtos que prometem minimizar o desconforto, e é aí que entra o coletor menstrual. Em formato de “copinho”, ele pode ser feito de silicone ou TPE – material plástico utilizado em implantes e cateteres médicos – é hipoalérgico e antibacteriano. Ao contrário dos absorventes íntimos, que são inseridos no fundo do canal vaginal, ele fica na entrada da vagina, é maleável e pode ser usado por 12 horas seguidas, dependendo do fluxo.
O objeto, que não é nenhuma novidade fora do País, mas ganhou popularidade somente agora por aqui, custa em torno R$ 90 e pode ser encontrado em diversos tamanhos, modelos e cores, em grandes farmácias e nos sites das marcas que o produzem. Apesar de parecer caro, seu custo-benefício compensa, afinal ele pode durar de 10 a 15 anos se higienizado da forma correta.

Como-usar-o-copo-menstrual

Aval médico

Heloisa explica que o coletor praticamente não possui contraindicações, mas antes de comprar um é necessário procurar um profissional ginecologista para que, além de esclarecer possíveis dúvidas, ele possa ajudar na escolha do melhor modelo e garantir que a paciente não tenha nenhum tipo de infecção causada por fungo ou bactéria, que certamente se agravaria. Já com relação ao uso por virgens, assim como os absorventes internos, ele também pode romper o hímen – fina membrana mucosa que fica na entrada da vagina e não representa a virgindade em si, mas é seu maior símbolo – e, para evitar qualquer tipo de dor ou frustração futura, o melhor mesmo é esperar.

Michelli Buzogany Eboli do blog Tinha que ser a Chell | Matéria sobre Coletor Menstrual

Livre, leve e solta

A empresária Michelli Buzogany Eboli do blog Tinha que ser a Chell descobriu no “copinho” uma forma de se sentir mais livre, mesmo durante seu ciclo menstrual. “Sempre achei bem chatos esses dias, aliás, quem não acha?! Então resolvi que queria encontrar um jeito de me sentir mais segura. Praticava corrida e Pilates, na época, e acabava burlando algumas horas justamente por conta do desconforto. Mas um dia eu tomei coragem, li sobre e achei que seria uma boa. Minha mãe achou a ideia arriscada e me pediu pra consultar minha médica, ainda bem que ela aprovou. […] Logo na primeira vez que usei, fiquei maravilhada. Mesmo no começo, a adaptação foi tranquila. Nunca havia me sentido tão segura. Podia me pendurar, virar de cabeça pra baixo na prática das minhas atividades, e tudo continuava seguro ali”, conta.
Para a higienização, ela faz exatamente como manda no manual: ferve por 5 minutos antes da utilização no primeiro dia do ciclo e novamente ao final dele e lava durante o uso. “Dá pra higienizá-lo em qualquer lugar e é bem simples. Se você está em casa, é só jogar o fluxo no vaso sanitário, lavá-lo com sabonete neutro e recolocar. Caso esteja na rua, no trabalho, ou até mesmo em uma viagem, basta ir até o banheiro, fazer o descarte do fluxo normalmente, passar água e recolocar, usando sabonete na próxima vez. Sem neuras, sem problemas. Mas como o período de uso contínuo pode ser grande, eu sempre estou em casa nessa hora. Outra coisa boa: você pode dormir com ele.”

Tamy Yasue do blog De Repente Tamy | Matéria sobre Coletor Menstrual

Um absorvente incomoda o meio ambiente, 240 incomodam (muito) mais

Você sabia que uma mulher em idade fértil descarta cerca de 20 absorventes por ciclo, 240 por ano? Levando em consideração que esse tipo de material plástico não é reciclável e demora 100 anos para se decompor na natureza, o número assusta, não?! Foi pensando exatamente nesse “lixo todo” que a designer gráfica e dona do blog De Repente Tamy , Tamy Yasue, optou pelo uso do coletor. “Sou o tipo de pessoa que separa o lixo para reciclar, usa os resíduos orgânicos em composteira para fazer adubo e sempre está com a ecobag em mãos. Não fazia sentido lidar com um processo natural com tanto plástico.”
A designer, que já usa o produto há dois ciclos, conta que comprou pela internet e que, assim que abriu a embalagem, ficou um pouco surpresa com o tamanho. “Dobrei e percebi que ocupava o mesmo espaço de um absorvente interno. Li as instruções, esterilizei e aguardei a próxima menstruação. Como uso absorvente interno há muito tempo, não tive nenhuma dificuldade em colocar. Passei um pequeno sufoco para tirar no primeiro uso, mas logo peguei o jeito”, ressalta.

 

A primeira vez

Por ser confortável, higiênico, prático, econômico e, ainda por cima, sustentável, o “copinho” é uma ótima alternativa. Além disso, ele traz instruções bem claras sobre seu manuseio, inserção e higienização. A ginecologista e obstetra orienta que, no começo, a mulher que não está acostumada com o vo10418209_1141956792497287_4147385293174225503_nlume de fluxo que vai ter ou o número de vezes que precisará esvaziar o coletor, use também um absorvente diário, daqueles mais fininhos, para se proteger de algum eventual vazamento. Mas o mais importante mesmo, segundo ela, é o poder da escolha, o domínio sobre a própria sexualidade e o conhecimento de sua anatomia para optar pelo uso. “Isso tem muito da relação com o corpo, tem paciente, por exemplo, que tem horror ao diafragma por ter que colocá-lo com o dedo. E eu acho isso discrepante, porque há tanta preocupação com outras regiões do corpo e uma parte tão importante quanto a genitália acaba ficando de lado”, conclui Heloisa, que incentiva as mulheres a se conhecerem mais.

Sem tabus

Gostou da ideia e quer aderir? Ou já aderiu, mas fica aí pensando nos “mimimis” ou preconceitos que vão surgir entre as amigas quando você se abrir sobre a experiência? Então relaxa que a internet te ajuda:

– Post bem humorado do BuzzFeed com as 13 situações que as mulheres vivem quando começam a usar os coletores menstruais

  • Vídeo, sem papas na língua, da youtuber Jout Jout sobre o uso do “copinho”: