Coluna do Carleto – 11.01.2019

IDAS E VINDAS

Não poderia ser mais confusa a estreia de Bolsonaro no governo federal. Em poucos dias, espanta a quantidade de decisões desfeitas, de afirmações desmentidas e de trombadas na equipe. Por mais que se dê desconto para o fato de que é um time que está entrando em campo em conjunto pela primeira vez, a comparação com uma trupe de trapalhões é inevitável.

LIVROS DIDÁTICOS

A maior de todas as trapalhadas, sem dúvida, foi a absurda mudança de regras no edital para aquisição de livros didáticos pelo governo. A nova redação, tornada sem efeito graças à grande repercussão negativa, permitiria que as obras pudessem conter erros, sem limite máximo e que não mais mencionassem referências bibliográficas. Também não tinha mais a recomendação de difundir conceitos de não-violência contra a mulher e de tratar as pessoas com igualdade de direitos.

CULPA DE NINGUÉM

O novo ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, apressou-se em atribuir a responsabilidade ao governo anterior, afirmando que o edital tinha sido deixado pronto pela equipe da gestão Temer. O ex-titular, Rossieli Soares, entretanto, reagiu prontamente, garantindo que não havia incluído tais alterações no texto do edital. Afirmou categoricamente que “todos os atos praticados a partir de 1°. de janeiro são de responsabilidade do novo governo”. O edital foi publicado no Diário Oficial da União no dia 2.

AMIGOS ACOLHIDOS

Vélez Rodrigues nasceu na Colômbia, é filósofo e professor de escola do Exército e, como sempre costuma acontecer na velha e na nova política, tratou de acolher na equipe muitos amigos, não necessariamente capacitados para as funções. Resta torcer para que aprendam rapidamente a lição e evitem novas trapalhadas, pois, se a Educação é a base de tudo, o quê esperar do futuro com trapalhadas assim?

 

DAQUI NÃO SAIO, DAQUI NINGUÉM ME TIRA?

Outras cenas dignas de um Zorra Total foram as do embate na Apex Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). Na quarta-feira, 9, o chanceler Ernesto Araújo anunciou que o presidente Alex Carreiro havia pedido para sair. Esse, no entanto, reagiu afirmando que havia sido nomeado por Bolsonaro e que iria continuar no cargo; foi despachar normalmente e fez questão de divulgar o feito, em um ato de total indisciplina hierárquica. Como não poderia deixar de ser, na quinta-feira o presidente da República reuniu-se com Araújo e foi anunciado oficialmente o embaixador Mário Vilalva como novo presidente da Apex, agência responsável por buscar ampliar a presença de produtos brasileiros no exterior.

DANÇA DAS CADEIRAS EM GUARULHOS

Sabe aquela brincadeira em torno das cadeiras ou a dança da vassoura? Pois é. Aconteceu algo parecido em Guarulhos. O prefeito Guti fez remanejamentos na equipe e logicamente tem gente que ficou dançando com a vassoura.

Paulo Carvalho, que foi secretário de Desenvolvimento Urbano no governo Almeida e era até dias atrás secretário de Governo de Guti, assumiu a Secretaria de Transportes e Mobilidade Urbana. Peterson Ruan deixou a Fazenda e passa a ser secretário de Governo. O advogado Ibrahim Faouzi El Kadi, que foi por poucos meses superintendente do Saae, é agora secretário da Fazenda. João Carlos Pannocchia, também advogado, pediu exoneração da Secretaria de Educação, sendo substituído por Paulo César Matheus da Silva, que foi pró-reitor de Planejamento da Universidade de Ciências Médicas do Estado de Alagoas (Uncisal). O ex-vereador Paulo Sérgio Rodrigues Alves deixou a presidência do Ipref (Instituto de Previdência dos Funcionários Públicos Municipais), sendo substituído pelo ex- diretor administrativo e financeiro, Eduardo Augusto Reichert. Essa mobilidade urbana toda começou com o pedido de Giuliano Locanto para sair da Secretaria de Transportes.

CASA NOVA

Não se sabe ainda se os predicados de Paulo César Matheus da Silva são suficientes para que seja um bom secretário da Educação. Até dias atrás ele era o secretário estadual de Habitação, na equipe de Márcio França, que indiscutivelmente é o responsável pela indicação. De habitação Matheus da Silva mostrou que entende, pois só demorou uma semana para conseguir um novo lar para se abrigar.

DOIS SENHORES

Vamos torcer para que os agrados de Guti ao parceiro político Márcio França não criem embaraços a Guarulhos perante o governo João Doria. A cidade já perdeu muito pela falta de sintonia entre as gestões municipais e as estaduais nas últimas décadas.

MOSTRANDO SERVIÇO

Pelo menos em um caso específico, já se pôde sentir a mudança para melhor na transferência do Saae para a Sabesp. No dia seguinte à queixa publicada no Click Guarulhos sobre bueiro que estava despejando gordura para fora em plena avenida Paulo Faccini, a companhia estadual ali estava com um caminhão dotado de equipamento para a desobstrução da galeria.

ESPERANÇA

Continuam as reclamações de falta d’água e de pouco pressão em alguns locais. Lógico que não seria possível haver uma mudança dignificativa em tão pouco tempo. Obras estão sendo feitas e a expectativa é de que gerem resultados em breve para pelo menos parte da população afetada.

PRÉDIOS OCUPADOS

A notícia sobre o tal bueiro, em frente à Kalunga, suscitou queixas de internautas a respeito dos prédios onde funcionaram o BankBoston e as Lojas Americanas, no terreno vizinho ao Bosque Maia, agora ocupados por pessoas que viviam em situação de rua. Não cabe ao poder público promover a reintegração de posse. O que provavelmente se possa evitar é que os novos moradores usem mangueira de água potável para tomar banho por ali e para lavar carros na calçada. Aliás, eles agem como donos das vagas de estacionamento do local: embora abordem as pessoas com educação, é inevitável que os motoristas se sintam acuados.

SINTONIA FINA

Vista aérea do buraco causado pelo deslizamento de resíduos no aterro de Guarulhos – Foto: assessoria do vereador Zé Luiz

Não poderia ser melhor a sintonia entre a gestão Guti e a Cetesb, companhia estadual voltada ao meio ambiente e ao saneamento básico. A nota oficial da Cetesb classificando de “deslocamento de uma célula” o grande deslizamento ocorrido no aterro sanitário é risível. Será por gratidão ao fato da companhia estar instalada em uma propriedade da Prefeitura, na parte alta do Bosque Maia, enquanto o Município paga milhões de aluguel para sediar as próprias repartições?

MEDINDO O LIXO

A Secretaria de Serviços Públicos precisa encontrar um meio de quantificar o lixo gerado por estabelecimentos comerciais. Até 200 litros, pode ser recolhido pela coleta domiciliar. Não faz sentido ter de aguardar que um supermercado apresente o Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos – PGRS, como constou em resposta a um questionamento do Click, para saber se está ou não dentro desse limite. A olho nu, arrisco dizer que o lixo do caso em questão passa de 500 litros. Mas, a SSP deve ter meios mais eficientes para aferir do que o olho vivo de um jornalista chato, “que fica procurando picuinhas para pegar no pé das autoridades”, como um internauta me definiu dias atrás. Vale dizer: continuo defendendo a liberdade de expressão, mesmo como me sinto vítima dela.

Valdir Carleto