Coluna do Carleto – 14.06.2019

Para salvar vidas

O volume de veículos nas imediações do Hospital Bom Clima, esquina da avenida Mariana Ubaldina do Espírito Santo com rua Minnie Ida Perman, dificulta a travessia de pedestres. Nesta sexta-feira, uma senhora levando duas crianças para a escola quase foi atropelada, na faixa de segurança. Internautas pedem a ajuda do Click Guarulhos, no sentido de solicitar da Prefeitura estudo para instalação de um semáforo no local.

As mensagens de Moro e Dallagnol

Inevitável comentar a respeito, pois é o tema que dominou o noticiário da semana e provocou acalorados debates nas redes sociais. Nem o ex-juiz nem o promotor negaram o teor das gravações divulgadas pela página Intercept, de conversas que mantiveram, no curso da Operação Lava-Jato, que culminou com a prisão do ex-presidente Lula, de diversos parlamentares, agentes públicos, grandes empresários e executivos. Vê-se claramente que ambos trocaram ideias sobre as medidas a tomar e combinaram procedimentos.

As mensagens – 2

Sob a luz da lei, evidentemente, ambos excederam-se em suas atribuições. Respeitados juristas e atentos observadores afirmam que um juiz não poderia imiscuir-se nas investigações, não poderia dar-se o direito de sugerir o que quer que fosse ao promotor, nem este de solicitar ao juiz que apreciasse no mesmo dia determinada petição. Apressam-se os defensores de Lula e do PT em pleitear a nulidade do julgamento do ex-presidente e até a anulação da eleição de Jair Bolsonaro, já que, não tivesse sido proibida, a entrevista de Lula durante o período eleitoral poderia ter ajudado o desempenho de Haddad nas urnas. Por outro lado, os defensores de Moro e de Bolsonaro preferem cravar as críticas na obtenção ilegal das gravações, atribuindo-as a uma suposta grande e orquestrada operação criminosa.

As mensagens – 3

Pelo que conheço do mundo jurídico, sempre soube que juízes, promotores e advogados conversam nos bastidores. Eu mesmo bati papo com juiz que me processava, hoje já falecido, em um bar do Centro de Guarulhos, sobre a ação que ele movia contra mim. Ele até se desculpou, dizendo que na inicial só agira contra as pessoas que o teriam caluniado e que o promotor é que pediu a minha inclusão como réu, porque o Jornal Olho Vivo, por mim dirigido, havia publicado a suposta ofensa. Ora! Teria ele incorrido em falta grave por ser juiz e, na condição de autor de uma ação, dialogar com o réu, enquanto tomávamos uma cerveja? Será que eu poderia ser acusado de tentar influenciar no resultado da ação, já que ele fatalmente era colega de quem iria julgar-me? Já pensou se nossa conversa tivesse sido gravada e divulgada? Aliás, fui condenado a quatro meses da cana e só não fui preso porque era primário. Em gozo de sursis por dois anos, fiquei impedido de votar em 2000 e 2002, quando foram eleitos Elói Pietá para prefeito de Guarulhos e Lula para presidir o Brasil.

As mensagens – 4

Não sou advogado, nem dono da verdade. Manifesto minha opinião como cidadão. Não vejo gravidade nas conversas entre Moro e Dallagnol, por entender que é assim que sucede no mundo real. E por acreditar que o fizeram em busca do objetivo de combater a corrupção. Sei que podem acusar-me de ingênuo. Talvez o seja e prefiro sê-lo a fazer um julgamento maldoso do comportamento de todo mundo. Se Lula tivesse sido condenado apenas por Moro e em uma única ação, talvez fosse o caso de rever o julgamento. Mas ele também foi condenado por um tribunal e seus recursos perante o STF, onde há ministros por ele indicados, não tiveram êxito. Pode ser que agora, diante desses fatos, consiga sucesso em suas pretensões.

As mensagens – 5

Considero valiosíssima a contribuição da Operação Lava-Jato para o Brasil. Nunca se poderia imaginar que seres tão poderosos fossem presos e que tanta sujeira viesse à tona. O que querem os que condenam Moro? Soltar os ex-governadores do RJ presos? Liberar da cadeia notórios corruptos e corruptores? Por mais condenáveis que possam ser as atitudes flagradas nas gravações, é inegável que a Lava-Jato precisa ser preservada e que suas sub-operações continuem. Os efeitos da delação do ex-ministro Palocci, por exemplo, ainda não se fizeram sentir. E certamente ajudarão a limpar um pouco mais o fétido esgoto em que se transformou a política no Brasil.

A greve geral

Quando o Click Guarulhos começou a postar notícias a respeito da possível paralisação do transporte coletivo em Guarulhos, houve internautas que nos questionaram, como se estivéssemos apoiando a greve, quando, na verdade, estávamos apenas cumprindo nosso dever de informar. Afinal, boa parte de nossos seguidores usa ônibus e metrô e era importante alertá-los das possíveis dificuldades que teriam nesta sexta-feira para locomover-se.

A greve geral – 2

Pelo que se ouvia pela cidade, era difícil imaginar que houvesse uma greve efetiva. O mais provável era que acontecessem manifestações isoladas em um ou outro lugar e que opositores do atual governo federal buscassem paralisar a via Dutra ou a rodovia Helio Smidt, praticamente único acesso ao Aeroporto de Guarulhos. Com a liminar obtida pela Guarupass e pelo Guaruset (sindicato que reúne as empresas de ônibus da região), fixando em R$ 100 mil a multa diária para o Sindicato laboral se não houvesse, no mínimo, 70% dos coletivos em circulação no horário de pico e 50% nos demais horários, cogitava-se que pequena seria a adesão da categoria ao movimento paredista. No entanto, na prática, o que se viu foi que não havia ônibus circulando, nem nas linhas municipais, nem nas metropolitanas.

A greve geral – 3

Em entrevista coletiva, transmitida pela TV Guarulhos às 13h desta sexta, o presidente do Sincoverg, vereador Maurício Brinquinho; Josinaldo José de Barros, o Cabeça, vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos; além de outros dirigentes sindicais, consideraram de pleno êxito a greve em Guarulhos. Apontaram a adesão de 100% do transporte coletivo e da coleta de lixo, bem como da paralisação de diversas indústrias de vários ramos de atividade. Questionados por jornalistas, apontaram detalhes da Reforma da Previdência que consideram lesar os trabalhadores e que a Reforma Trabalhista aprovada no governo Temer, em vez de obter a retomada do nível de emprego, acabou gerando mais desemprego.

A greve geral – 4

Ao formular minha pergunta, comentei que no comércio – que em geral estava funcionando normalmente – balconistas, que dependem de comissões, queixaram-se da greve, porque afugentou parte dos consumidores. E que muitos não viam sentido prático na greve, ao contrário de quando se discute um reajuste maior nos salários. Ou seja, parte considerável da população entende que uma paralisação como essa, ainda que tenha adesão total de alguns setores, não irá provocar mudança nos votos dos parlamentares que decidirão sobre a Previdência. Cabeça atribuiu os comentários que relatei à suposta desinformação dos comerciários. Ele lamentou que a categoria tenha comparecido aos postos de trabalho, em vez de ir para as ruas protestar. Segundo ele, os inconformados com a greve serão também prejudicados pela Reforma e quando acordarem para isso pode ser tarde.

A greve geral – 5

O jornalista João Franzin, diretor da Agência Sindical, que presta assessoria de imprensa a sindicatos, leu comentário de um internauta, que fez sérias acusações aos sindicalistas. Franzin desafiou o autor a identificar-se e assinar o que disse, para responder perante a Justiça.

2020 começou

A julgar pela quantidade de eventos aos quais o prefeito Guti tem comparecido, dá a impressão de que a campanha pela reeleição começou. Por outro lado, surgem no Facebook postagens com logotipo e caricatura da empresária Fran Corrêa, que se filiou ao PSDB, com a frase “Acelera Guarulhos”. Só isso não dá para configurar desrespeito às regras eleitorais. Pode até alegar que não foi iniciativa dela, mas de apoiadores…

Dória, o coronel e o celular

Em um evento, na quinta-feira, 13, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), interpelou publicamente um coronel da PM que fez uso do telefone celular, enquanto ele discursava. Reproduzo: “Vou pedir só ali: coronel, se quiser desligar o celular enquanto o governador estiver falando, agradeço. Se o senhor tiver algo urgente, pode sair da sala e usar o celular. Mas enquanto o governador estiver falando, por favor, preste atenção. O mesmo vale em relação ao seu comando”. O vídeo correu solto nas redes sociais e os comentários dividiram-se: muitos elogiaram a atitude de Dória, condenando a postura do coronel (não identificado), enquanto outros entendem que o pito em público foi tão deselegante quanto o ato criticado. Qual sua opinião?
Segue o link do vídeo: https://youtu.be/fKavYcOfZE4

Esclareceu

Em vídeo divulgado nesta sexta, Dória recebeu o coronel Castilho, que comanda a Inteligência da PM, informando que ao final da palestra o coronel esclareceu que não acessou o celular para consultar o aparelho, mas para gravar o que o governador estava falando.

(foto em destaque: Alexandre de Paulo)