Coluna do Carleto – 21.09.2018

TENDÊNCIA -1
Lula vem conseguindo transferir prestígio ao seu ungido, o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad (PT), que quase triplicou as intenções de voto em pouco mais de uma semana. Uma pesquisa aponta que dois terços dos eleitores já assimilaram que ele é o regra três do ex-presidente. No Nordeste, onde Lula costumava ter 60% das preferências, Haddad (ou Andrade, como dizem que o chamam por lá) aparece com cerca de 30%. Ou seja, tende a crescer na região e isso pode fazer muita diferença na reta final.

TENDÊNCIA -2
Já Bolsonaro (PSL) não teria, a rigor, motivo algum para subir mais nas pesquisas, a não ser pelo tal voto útil, que seria o de prováveis eleitores de outros candidatos que decidiriam apostar nele na tentativa de que vença no primeiro turno, para buscar impedir a possível eleição do petista.

NINGUÉM JOGA A TOALHA
Faltando duas semanas para a eleição, mesmo os que estão no rodapé das pesquisas falam como quem acredita que pode, de fato, virar o jogo e ir para o segundo turno, mesmo quando praticamente todas as simulações apontam Bolsonaro e Haddad distantes dos demais. Mas, afinal, por que achar que o cenário pode mudar? Porque há uma soma incalculável de eleitores que não deseja um, nem o outro. Como anular não mudaria nada, se esse contingente imenso resolver apostar em um nome mais de centro, tudo pode acontecer. Sendo a rejeição de Bolsonaro maior que a dos demais, o risco seria ele desidratar e ceder a vaga a alguém que parece no momento estar fora do jogo.

VAI QUE…
A agenda do presidenciável Henrique Meirelles (MDB), nesta quinta-feira, incluiu visita à Basílica de Aparecida, no Vale do Paraíba. Rezar nunca é demais. O ex-ministro aparece nas pesquisas com índice oscilando entre 2% e 3%. Mas ele disse dia desses que ainda tem chance de ir para o segundo turno. Como a esperança é a última que morre…

A BRECHA DO SOM
A Lei Eleitoral atual só permite o uso de carros de som em carreatas e passeatas. Como não há o que determine quantos carros uma carreata deve ter para ser assim considerada, o deputado Jorge Wilson (PRB) vem utilizando a estratégia de colocar um carro atrás do outro, com um deles tocando seu jingle. Na tentativa de impedir a poluição sonora, a Lei acabou incentivando a poluição do ar e o consumo de combustível. A dúvida é: por mais que o jingle seja chiclete e grude na mente do eleitor, os alto-falantes ajudam a conquistar votos ou criam antipatia?