Coluna do Carleto – 26.04.2019

Por que tem de ser assim?

Poucos políticos têm coragem de dizer, durante a campanha, que irão lotear o governo para ter maioria parlamentar. Na prática, mesmo os que garantem que não farão leilão de cargos acabam cedendo aqui, ali e acolá e, quando se dão conta, são reféns dos acordos que fizeram.

Assim foi aqui

O prefeito Guti foi eleito com larga margem prometendo nova forma de fazer política. Ainda no segundo turno, fez alguns acordos que culminaram por ocupar parte do governo. Antes da posse, teve de fazer outros, para formar base de apoio na Câmara e até para contemplar gente da oposição para que não fizessem tanta oposição assim. De quando em quando, outros conchavos, nem sempre positivos para a cidade.

E assim está sendo lá

Na esfera federal, não é diferente. Bolsonaro foi eleito por se contrapor a tudo que parecia absurdo aos olhos de parte significativa dos brasileiros. Na prática, a teoria é outra. Interferências de todo tipo influem nas nomeações de cargos de confiança. E, para obter apoio à Reforma da Previdência, o ministro Onix Lorenzoni negocia com parlamentares a liberação de emendas. Não se trata de propina como a oposição insinua, mas, mesmo sendo recursos legais para serem bem aplicados nas cidades e estados, não deixa de ser um toma lá dá cá tal e qual sempre se fez.

Por falar em acordo…

Já pensando na campanha de reeleição, o prefeito Guti começa a costurar alianças, até incentivando candidaturas a prefeito. Segundo a Folha do Ponto, jornal do ex-vereador Alemão, a reaproximação com o presidente do PTB, Wagner Freitas, teria a função de viabilizar que ele seja candidato a prefeito novamente, mesmo sem chance, mas com a tarefa de bater na provável candidata do DEM ou PSDB Fran Corrêa.

Não duvido

Sendo a Paupedra uma forte fornecedora de materiais e serviços para a Prefeitura e Proguaru, surgem comentários de que Fausto Miguel Martello pode vir a ser candidato outra vez ao Bom Clima. Não será surpresa se a principal razão for também para torpedear as pretensões da esposa do deputado Eli Corrêa Filho.

Por falar nele…

Parece estar dando certo a força-tarefa para tapar buracos. A Paupedra é uma das contratadas para o trabalho. Diminuiu a enxurrada de reclamações e a qualidade do serviço melhorou. Mas ainda falta muito, muito, muito!

Por falar nela…

Não é unânime na equipe da empresária a aprovação à forma como ela se comporta na política. Enquanto uns a bajulam e afagam, fazendo-a crer que está tudo bem, há quem defenda que ela tem de ir mais pra rua, botar mais a cara na periferia, pois está mais do que provado que só abrir o cofre e juntar uma multidão de candidatos à vereança não elege prefeito. Se funcionasse, Eli teria vencido.

Publicidade do BB – 1

Opiniões bem divididas a respeito da decisão do presidente Bolsonaro de interferir na publicidade do Banco do Brasil. Ele vetou anúncio no qual apareciam jovens tatuados, um negro e uma transexual, o que culminou com a demissão do diretor de Marketing da instituição. Enquanto muitos criticam a interferência, pois o BB precisa disputar mercado com os bancos privados e o público do anúncio é um alvo interessante, outros entendem que, por ser um banco estatal, sua comunicação tem de se submeter à filosofia (ops!) do governo.

Publicidade do BB – 2

Já que o presidente quer mesmo interferir na comunicação do BB, que tal abrir a caixa-preta de como são distribuídas as verbas? Por que a decisão fica nas mãos das agências de publicidade, cujo interesse é anunciar onde é mais caro, para garantir comissões mais altas com menos trabalho? Por que o BB e a Caixa não anunciam na mídia regional, que é muito mais barata e se é nas cidades que mora a população que ambos almejam? Em dez anos de circulação, a Weekend nunca teve um centavo de publicidade dos bancos estatais; os jornais e portais locais também não. O povo de Guarulhos não interessa ao BB e Caixa?