Coluna do Carleto – 31.05.2019

Maioria dos servidores presentes à assembleia votou a favor da greve, por tempo indeterminado - Foto: Alexandre de Paulo

A greve – Quem ganhou? Quem perdeu?

Os nove dias nos quais parte do funcionalismo cruzou os braços deixaram várias conclusões, quase todas negativas para todos os envolvidos.

Guti perdeu

Era inevitável que viessem à tona declarações do então vereador de oposição Guti, afirmando que os servidores municipais merecem respeito. Ao propor reajuste inferior à inflação para parte da categoria, ele maculou uma das bandeiras que o levaram a ser eleito. O fato é que é muito mais fácil ser estilingue do que vidraça. Vereador lida com palavras; o prefeito lida com números e eles não deixam lugar para conceitos e sentimentos.

Categoria perdeu um pouco

A paralisação foi fraca, sem dúvida. A rigor, a população pouco sentiu que parte do funcionalismo estava parada. Quem mais segurou a greve nas costas foram as cozinheiras das escolas, o que afetou o serviço e qualidade da merenda, mas não impediu que houvesse aulas na ampla maioria das unidades. No final das contas e com reajuste determinado pelo TJ-SP, não havia musculatura para manter a greve e a categoria acabou aceitando, ao final, menos do que havia rejeitado antes, proposto pelo TRT-SP. É verdade que o abono de R$ 80 para quem ganha até R$ 2.502 fez diferença, pois percentual significativo dos servidores está nessa faixa.

Senso de cidadania perdeu muito

Como bem frisou uma professora cujo vídeo foi divulgado pelo Click Guarulhos, professora substituta que vai dar aula no lugar da colega que está em greve é um baita oportunismo e falta de coleguismo. Enquanto uma põe o pescoço na guilhotina, outra só espera os bônus decorrentes do sacrifício alheio.

O Stap perdeu feio

O Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública (Stap) mostrou fraqueza ao não conseguir adesão mais forte da categoria; e incoerência ao encaminhar, mansinho, a proposta afinal aprovada, com índice inferior a outro antes rejeitado. Comentários nas redes sociais mostraram a estranheza de parte do funcionalismo a esse comportamento. Do começo ao fim, o Stap passou a impressão de que levou a categoria à greve para buscar mostrar serviço. Em tempos de inflação relativamente baixa, quando a discussão é em torno de 1% a mais ou a menos, sindicatos passaram a ser cada vez menos importantes, na visão dos seus representados. Precisam se reinventar para merecer continuar existindo.

E a dengue vai bem, obrigado

Os números de infectados pela dengue não param de crescer. Passam de 2.300 neste ano, contra apenas 60 em 2018. Porém, insensível a isso, o prefeito Guti não atendeu meu apelo para que tomasse uma atitude, determinando que houvesse um telefone bem divulgado para que a população pudesse denunciar supostos focos do mosquito transmissor. Exigir que o morador pegue fila numa unidade do Fácil, ou vá no site da Prefeitura seguindo esses passos: acessando na parte inferior da tela o link Portal de Serviços e, na sequência: 1. Guia de Serviços, 2. Vigilância em Saúde, 3.Denúncia e Fiscalização e, por fim, 4. Criadouros do Mosquito Aedes aegypti, para formalizar uma reclamação desse tipo é uma piada. (Eu ia escrever que é um “escárnio”, mas meu neto Lucas, que está trabalhando comigo, tem me aconselhado a não usar palavras que sejam desconhecidas da maioria da população). Ainda está em tempo, Guti: mostre que está ao lado do povo e não do Aedes aegypti.


Tucanos em cima do muro

A filiação da empresária Francislene Assis de Almeida Corrêa ao PSDB, com as bênçãos do governador João Dória, deixa alguns caciques tucanos locais em dificuldades. Potencialíssima candidata à Prefeitura, ela tem condições para aglutinar em torno de si, além do DEM, comandado pelo marido, o deputado federal Eli Corrêa Filho, vários partidos e centenas de candidatos a vereador. Como fica a situação do primeiro suplente Geraldo Celestino, aliado de primeira hora do prefeito Guti? Como fica o vereador licenciado Gilvan Passos, que era aliado de Eli, mas aceitou ser secretário de Segurança Pública da gestão Guti, abrindo a vaga para Celestino assumir? Eles continuarão no PSDB? Tentarão influir para que Fran não seja candidata, o que é quase impossível? Ou farão como muitos então aliados de Almeida fizeram em 2016, bandeando-se para o lado que tinha mais recursos de campanha? Quem está mais tranquilo é Lauri Rocha, pois nada o impede de apoiar Fran Corrêa abertamente.

Pra não morrer na praia

Embora tenha herdado do pai, o saudoso Francisco Assis de Almeida, o tino para os negócios, Francislene mudou o estilo dos investimentos da família, partindo para empreendimentos de maior vulto e em parcerias, o que ele não apreciava muito. Ela é mais arrojada. No entanto, no jeito de fazer campanha, Fran pouco se modernizou, salvo as aparições que tem feito nas redes sociais. A julgar pelo resultado que Eli teve em 2016 e a pífia votação que alcançou em Guarulhos em sua reeleição em 2018, ela precisa profissionalizar mais a estrutura. Afinal, ir para o segundo turno não é suficiente.

Por falar em Eli…

Há alguns anos, sugeri ao deputado apresentar projeto de lei, limitando a quantidade de extrações que cada loteria possa acumular. Após um determinado número de vezes, se o prêmio maior não saísse, o valor seria repartido com todos que tivessem acertado o número inferior de dezenas. Por exemplo, se não saísse a Mega-Sena, o prêmio seria dividido entre todos que tivessem feito a quina. Seria uma forma de distribuição de renda, e esses muitos ganhadores comprariam carros, móveis, eletrodomésticos, roupas e, assim, ajudariam a fomentar a economia. Nada foi feito. No início de 2019, fiz a mesma sugestão ao deputado Alencar (PT). A ideia foi para sua assessoria jurídica, que ainda não se pronunciou. Mas, o deputado Chiquinho Brazão, do Avante do Rio de Janeiro, está com uma proposta parecida. No projeto dele, quando o prêmio chegasse a 30 milhões de vezes o valor da aposta, o valor seria repartido entre os acertadores do prêmio inferior. No caso da Mega-Sena, o limite seria, portanto, de R$ 105 milhões.

É mais barato morrer

A convite do colega jornalista Roberto Samuel, interpretei um texto de autoria dele, sobre o custo dos tratamentos e remédios para quem, como eu, já viveu algumas décadas. O vídeo está sendo bem comentado. Se quiser assistir, aqui está o link:

https://youtu.be/xp0s-5MfP9s