Confira a lista dos culpados pelas enchentes na cidade

Foram torrenciais as chuvas de ontem em Guarulhos. Não é preciso ser especialista, nem dispor de instrumentos precisos de medição, para avaliar que foram muito mais fortes do que as usuais.

Em decorrência, o rio Baquirivu e muitos córregos transbordaram, inundando cerca de 25 bairros e complicando a vida dos guarulhenses.

Nss redes sociais, inúmeros internautas apressaram-se em apontar culpados, alguns com interesses políticos visíveis, outros pelas mais diversas razões.

Mas, afinal, em uma situação como essa, na qual muita gente ficou desabrigada, perdeu seus poucos pertences, dá para fazer uma lista dos culpados? São tantos, que por mais que se buscasse não cometer injustiça, fatalmente seria uma lista incompleta.

Vamos, porém, tentar enumerar alguns:

  • os colonizadores que aportaram no Brasil na metade do segundo milênio, invadindo (esse é o termo) as terras dos indígenas;
  • todos os administradores, de todas as esferas de poder, por atitudes tomadas ou por omissão;
  • todos que promoveram desmatamento, por mais que ele fosse imprescindível para abrir espaço para acomodar uma população que nunca parou de crescer; se tivesse sido feito de uma forma ordenada, planejada, provavelmente teria sido possível não causar tanto desequilíbrio ambiental:
  • todos que, por quaisquer que sejam as razões, construíram ao longo dos rios e córregos, sem respeitar as leis da natureza e as dos homens;
  • todos que, tendo poder de evitar essas construções, as permitiram, seja em troca de alguma vantagem ou por mera desídia;
  • todos que, tendo poder para determinar que essas construções irregulares fossem demolidas, não o fizeram;
  • todos que autorizaram loteamentos que não respeitaram os limites legai;
  • todos que permitiram, por ação ou omissão, ocupações irregulares e em áreas de risco, que impedem a limpeza e conservação dos córregos e rios;
  • todos que, tendo a possibilidade de manter áreas permeáveis em suas residências, comércios, indústrias, etc., pavimentaram todo o solo, fazendo com que as águas da chuva tenham de correr para os córregos e rios, cuja capacidade natural não comporta tanta água de uma só vez;
  • todos que despejam entulho, detritos e lixo de todo tipo nas vias públicas, sem se preocupar com as consequências desses atos;
  • todos que, em vez de dar destino adequado a esses dejetos, preferem pagar para que alguém com um carrinho de mão ou qualquer outro veículos, os remova, pois boa parte dos que ganham a vida assim acaba despejando esses materiais em qualquer lugar;
  • todos os administradores que não fiscalizam corretamente os estabelecimentos que distribuem panfletos pela cidade, diariamente, sujando as ruas; se fossem punidos exemplarmente, não manteriam essa prática irregular:
  • todos os estudantes que têm o péssimo hábito de jogar nas ruas as folhas de cadernos quando termina o ano letivo; bem como suas famílias, que não os demovem desse costume nocivo ao meio ambiente e ao futuro deles mesmos;
  • todos os que administram a cidade atualmente, que insistem em culpar os que os antecederam, e mantêm os mesmos métodos dos seus antecessores, métodos esses que já se mostram ineficazes para combater o despejo irregular de materiais;
  • todos nós, que permanecemos inertes, aceitando que os que deveriam zelar pela cidade continuem agindo do mesmo jeito, sem nada inovar;
  • cada ser humano que joga nas ruas pequenos lixos, como copos descartáveis, garrafas pet, as supostamente inofensivas bitucas de cigarro ou mesmo um mero papel de bala:
  • todos nós, que nos omitimos quando vemos alguém cometendo qualquer ato que prejudique a natureza;
  • todos que têm a oportunidade de ensinar a uma criança a ter amor pela natureza não o fazem, aí incluídos famílias e professores;
  • … a lista é interminável. Mas, há muitas atitudes possíveis para, pelo menos, reduzir drasticamente o mal que temos feito à natureza e buscar impedir tantas consequências funestas. Leia após a galeria de fotos.
  • todos os que administram a cidade atualmente, que insistem em culpar os que os antecederam, e mantêm os mesmos métodos dos seus antecessores, métodos esses que já se mostram ineficazes para combater o despejo irregular de materiais;
  • todos nós, que permanecemos inertes, aceitando que os que deveriam zelar pela cidade continuem agindo do mesmo jeito, sem nada inovar;
  • cada ser humano que joga nas ruas pequenos lixos, como copos descartáveis, garrafas pet, as supostamente inofensivas bitucas de cigarro ou mesmo um mero papel de bala:
  • todos nós, que nos omitimos quando vemos alguém cometendo qualquer ato que prejudique a natureza;
  • todos que têm a oportunidade de ensinar a uma criança a ter amor pela natureza não o fazem, aí incluídos famílias e professores;
  • … a lista é interminável. Mas, há muitas atitudes possíveis para, pelo menos, reduzir drasticamente o mal que temos feito à natureza e buscar impedir tantas consequências funestas. Leia após a galeria de fotos.

    Em uma cidade do tamanho de Guarulhos, é impossível que o poder público fiscalize cada local, de forma a coibir o despejo irregular de detritos. É preciso implantar novos métodos e a tecnologia está aí para auxiliar.

    Nos pontos viciados de descarte, além de rondas periódicas, em horários diversos, da fiscalização, é preciso instalar câmeras, para identificar quem descarrega materiais.

    Lixeiras precisam ser instaladas em todas as vias públicas, em todos os pontos de ônibus, e o lixo delas tem de ser recolhido diariamente ou até várias vezes ao dia nos locais de maior movimento.

    Todos os estabelecimentos comerciais devem ser obrigados a varrer da guia para dentro, recolhendo o lixo deixado por seus frequentadores, ou mesmo pelos transeuntes que por ali passam. Afinal, se um ponto comercial é mais valioso quando mais gente circula em frente, é evidente que quem o detém deve arcar também com o ônus desse maior movimento de pessoas.

    Todas as verbas de publicidade oficial devem ser utilizadas em campanhas de conscientização da população, ao invés de servir para inflar o ego dos governantes, desde o município até o governo federal.

    E então? Vamos continuar apontando culpados ou iremos, cada um de nós, repensar nossas atitudes?

    Valdir Carleto