Confira os números finais da apuração do segundo turno

Para presidente da República:

Votação nacional

Bolsonaro 57.795.271 votos = 55,15%
Haddad 47.035.345 votos = 44,85%

Ausências: 31.367.331 eleitores = 21,3% do total de inscritos
Brancos e nulos: 11.094.017 = 9,57% dos eleitores que compareceram
Total de abstenções (ausências mais brancos e nulos) = 42.461.348 = 28,8% do total de inscritos

Votação no Estado de S.Paulo

Bolsonaro: 67,97%
Haddad: 32,03%

Votação em Guarulhos

Bolsonaro: 66,13%
Haddad: 33,87%

Para governador

Votação no Estado de São Paulo

João Dória: 10.990.350 votos = 51,75%
Márcio França: 10.248.740 = 48,25%
Diferença: 741.610 votos = 3,5% dos votos válidos

Ausências: 7.195.323 eleitores
Brancos e nulos: 4.598.372 votos = 17,79% dos eleitores que compareceram
Total de abstenções (ausências mais brancos e nulos) = 11.793.695 = 35,70% do total de inscritos

Votação em Guarulhos

Márcio França: 322.148 votos = 57,22%
João Dória: 240.825 = 42,78%
Diferença: 81.323 votos = 14,44% dos votos válidos

Ausências: 103.361 eleitores
Brancos e nulos: 148.043 votos = 20,82% dos eleitores que compareceram
Total de abstenções (ausências mais brancos e nulos) = 251.404 = 30,87% do total de inscritos

Análise:

Em Guarulhos, o percentual de ausências foi mais baixo do que no Estado e no País.
O índice de brancos e nulos para governador, no entanto, foi mais alto em Guarulhos do que no restante do Estado.

O mote usado por Dória para vincular França ao PT pegou bem no interior, a ponto de superar com folga a má votação obtida por Dória na Capital e Região Metropolitana.
O apoio do prefeito Guti pode ter sido preponderante para que Márcio França tenha sido bem mais votado em Guarulhos do que Dória. Não suficientemente, no entanto, para evitar que tantos eleitores tenham anulado ou deixado o voto em branco para governador. Em São Paulo, por exemplo, onde o prefeito Bruno Covas apoiou Dória, o índice de votação de França foi superior ao de Guarulhos (58,10% x 57,22%). Portanto, não necessariamente a votação obtida por França em Guarulhos se deve ao apoio de Guti.

Por outro lado, a vitória de João Dória para governar o Estado reforça o cacife do casal Eli Corrêa Filho e Francislene Assis de Almeida Corrêa. Não suficientemente, no entanto, pois o governador eleito foi fragorosamente derrotado na cidade que Eli e a esposa pretendem administrar.

Resta saber como Dória irá encarar o relacionamento do governo estadual com a gestão Guti. Ele tratará a cidade com o respeito que Guarulhos merece, pelo porte e importância? Ou irá se vingar do apoio dado por Guti a França e indiretamente prejudicará a população guarulhense?

Resta saber se o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Rodrigo Barros, que era o membro da gestão Guti mais próximo de Dória, poderá ser um bom interlocutor entre as duas esferas de governo ou se Dória terá ficado ressentido com o amigo, que declarou publicamente apoio a França. Se Barros tiver ficado queimado com Dória, quem desempenhará esse papel de apaziguador? Muito provavelmente o deputado reeleito Jorge Wilson.

E perante o governo federal, com quem Guti poderá contar como interlocutor, já que o deputado Jorge Tadeu não foi reeleito, Eli Corrêa Filho joga em outro time e Alencar Santana é oposição? O senador eleito Major Olímpio talvez… Ou a importância de Guarulhos no cenário nacional dispensa padrinhos?

Valdir Carleto