Confronto de pontos de vista acerca das ocupações

Em uma postagem do vereador Geraldo Celestino (PSDB) no Facebook, criticando a propaganda oficial de Guarulhos na TV, o internauta Fábio Hidalgo Valente Bordalo publicou comentário criticando a postura da imprensa guarulhense sobre as ocupações das escolas. Como ele afirmou que nenhum jornalista esteve nas ocupações, Pedro Notaro ressalvou que eu estive presente e fui hostilizado. Publiquei, então, resposta a Fábio Hidalgo, que me autorizou a postar o comentário dele, minha réplica e a resposta que ele postou.

Venho através desta postagem fazer alguns apontamento na coluna de Sérgio Lessa, jornalista do “Espalha Fatos”… Para quem não me conhece sou Fábio Hidalgo Valente Bordalo, vulgo Fabú, educador ambiental e artista de nossa cidade e apoiei presencialmente, vindo a desenvolver atividades e facilitar processos de organização, duas ocupações: EE. Conselheiro Crispiniano e EE Alice Chuery.

Em primeiro lugar muito me surpreende o uso do plural “algumas escolas de Guarulhos” sendo que na verdade temos apenas uma escola que permaneceu ocupada, a EE. Ver Elísio, sito no CECAP, as demais EE. Alice Chuery e EE. Conselheiro Crispiniano foram desocupadas na manhã de ontem (quarta-feira, 09/12), e a EE José Storopolli na manhã de segunda-feira (07/12), e EE Alhayde Maria foi desocupada no domingo, todas por decisão e entendimento dos próprios estudantes que em assembléia envolvendo membros de diferentes escolas foi tomada uma decisão de finalização das ocupações até o prazo de quarta-feira (09/12).

Das escolas citadas a EE Ver. Elísio foi a última a ser ocupada, visto isso optaram por permanecer para além d discutirem as pautas e reivindicações para o ano seguinte, realizarem implementos na escola, a exemplo da limpeza na área externa e construção de horta com apoio de membros da comunidade.

Quanto a pergunta tendenciosa “recebendo o que?”, faço aqui uma contra pergunta, como foi feita esta entrevista? Se é que de fato foi uma entrevista… Sei perfeitamente que nenhum estudante pode ter seu nome informado por ser menor de idade, mas até o que sei nenhum membro de imprensa de Guarulhos teve acesso às ocupações, ou melhor, nenhum membro da imprensa de Guarulhos foi realmente até as ocupações, buscou o diálogo para mostrar o que vinha acontecendo de verdade, ou com imparcialidade tal qual pressuposta da função jornalística.

Qualquer pessoa minimamente inteligente pode entender que as escolas não dispõem de estrutura para ocupantes (camas, chuveiros, alimentação), logo, houve sim uma organização externa para viabilizar estes recursos onde membros de movimentos organizados (sindicatos, partidos, organizações estudantis), bem como, pais e membros da comunidade, puseram-se a viabilizar estes recursos materiais no sentido de possibilitar de fato as ocupações.

Obviamente que muitos destes apoiadores (termo com o qual se designavam aqueles não estudantes, membros da sociedade civil e ou organizados em movimentos que faziam a facilitação dos recursos externos), tinham sua feição ideológica com a dita “esquerda”, mas é preciso salientar que a todo o momento foi respeitada a decisão e ordenamento dos estudantes dentro da escola, muitas vezes inclusive foram feitas críticas pelo fato de membros de sindicatos estarem na porta das escolas, e reitero aqui, na porta das escolas, a exemplo da EE Conselheiro onde foram feitos revezamentos de plantões 24hrs, no sentido de assegurar a integridade física e segurança dos alunos ocupantes.

O que vejo na prática ao ler a matéria de Sérgio Lessa e Pedro Notaro é uma tentativa malfadada de desqualificar um movimento orgânico de caráter popular que veio, após 27 dias, ter uma vitória emblemática por sobre a governança antidemocrática e totalitarista do governo do estado, vitória esta a ser comemorada não por eles – estudantes – mas por toda a sociedade. Porém se é da vontade dos senhores jornalistas, de parcela da população ignorar este fato e denegrir, desqualificar a construção política feita por este movimento estudantil em virtude de um fanatismo político anti-esquerdista, façam como quiserem, apenas mostram sua miopia.

De minha parte não tenho rabo preso, não tenho designação ou filiação com partido A, B, C ou D, meu partido é a cidade e as causas que julgar necessária meu apoio e participação, a mim, muito me entristece constatar que estes, aí replicando a notícia com ar de escândalo, sequer chegaram perto das ocupações, trazem sua visão de fora, forrada de preconceitos e vícios… Senhoras e senhores lhes convido a vir somar, participar, des-empolerem-se de vossa mediocridade e se permitam conhecer de fato o que vem acontecendo, após isso, feita esta “acariação” podem falar ou dês-falar a vontade, mas antes disso… Não.

Para todos aqueles que quiserem debater fico a mais inteira disposição, seja via inbox ou no meu perfil… Sem mais, gratidão, fraterno abraço e inté.

MINHA RÉPLICA

Em primeiro lugar, se não me conhece como membro da imprensa de Guarulhos, deixe-me apresentar-me, já que estou há 35 anos nessa atividade em Guarulhos. Minha presença nas ocupações ou tentativas de ocupações foi amplamente noticiada no Click Guarulhos, Facebook e Weekend, notadamente na Antonio de Ré, onde fui reconhecido por adultos de uns 40 anos que se diziam estudantes secundaristas e por membros da Apeoesp que me hostilizaram, ofenderam e me expulsaram de lá. Só não fui obrigado a sair porque professores da casa me protegeram e me levaram para dentro da escola. No Alice, estive no momento da ocupação e conversei com pais, professores e alunos, pró e contra a ocupação. O Click publicou entrevista com a diretora. No Brotero, testemunhei a direção pedindo aos membros do movimento que não ocupassem a escola, pois havia crianças e alunos com necessidades especiais, que iriam assustar-se se vissem ou notassem algo estranho no estabelecimento. No Conselheiro, não estive, mas entrevistamos a diretora e noticiamos os dois lados da questão, incluindo fotos de alunos limpando a escola e em atividade cultural. Seu comentário, Fábio, estava indo bem, até que, além da afirmação mal informada sobre a suposta total ausência da imprensa nas ocupações, resvalou em desqualificar os que têm opinião diferente da sua. A imprensa não pode ser considerada útil apenas quando atende os interesses de determinado lado. Até hoje, sou acusado de ter ajudado o PT a conquistar o poder em Guarulhos, quando, na verdade, o que fiz durante toda minha história no então Jornal Olho Vivo, foi apenas dar voz a quem não tinha e assim, naturalmente, os que eram poder sofriam críticas, acusações, denúncias, favorecendo o acesso da então oposição ao Bom Clima e ao domínio do Legislativo local. Os que, indiretamente e sem querer, ajudei a escalar o topo hoje me hostilizam quando publico o que não gostariam de ler. E há os inocentes úteis que, assim como eu, por ideal, acabam colaborando sem querer com interesses inconfessáveis de aproveitadores. Louvo a iniciativa e disposição dos que se mobilizam contra os desmandos dos governantes de quaisquer partidos e sempre lhes darei espaço para manifestar-se, por mais absurdos que me pareçam seus argumentos, mesmo que em minha opinião sejam inocentes-úteis, que me parece ser o seu caso, pois pôs-se a defender uma causa justa, visivelmente por um ideal, ainda que possa haver gente, minoria sem dúvida, sem nenhum ideal verdadeiro, aproveitando-se da situação; alunos que não estudam, pais sem filhos, professores que não lecionam., defensores do quanto pior, melhor. Se me autorizar, postarei no Click Guarulhos sua manifestação e minha resposta.

CONCLUSÃO ENVIADA PELO INTERNAUTA

Boas tardes Valdir Carleto, saiba que tenho admiração pelo vosso trabalho, reconheço a RG e Weekend como meios de comunicação mais idôneos que abrem espaço para a divulgação de eventos culturais, tendo por inúmeras vezes sido divulgadas ações que tive participação direta e ou indireta.

Não foi minha intenção desqualificar a imprensa local, mas apenas colocar um ponto de vista crítico, um apontamento nas palavras da matéria de Sergio Lessa que ao meu ver mostrou-se tendenciosa, fugindo a premissa da imparcialidade da imprensa.

Cito vossas palavras ao se referir aos “inocentes-úteis” e gostaria de provocar-te para que perceba o quanto a matéria se tornou da mesma forma útil para aflorar um debate entre forças de esquerda e direita, e o que atesta isso de forma contundente são os contra-argumentos que me vem em resposta a minha colocação.

Citações de casos ocorridos no município quanto ao não pagamento dos servidores, citações a repressão em manifestações outras como foi o caso da Fatec, enfim, não é o ponto em foco o debate entre azul e vermelho, mas vejo inúmeras pessoas que estão se valendo das ocupações como pretexto para ganhos políticos de ambas as partes.

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Fabio Hidalgo Valente Bordalo Quanto a publicação da minha manifestação peço que o faça, espero que possa de alguma forma agregar valor ao debate mais aprofundado dos fatos presentes.