Por Cris Marques
Fotos: Rafael Almeida,
arquivo pessoal e banco de imagens

Respirar fundo, contar até 10 ou buscar um estado de espírito mais calmo e centrado são práticas eficazes para encarar uma situação chata ou de estresse, mas exigem atenção e maturidade de seus praticantes, o que não pode ser esperado nem exigido de uma criança. Justamente por isso, existem algumas técnicas voltadas exclusivamente para os pequenos, como o pote da calma, ou calming jar, em inglês. O item, inspirado no método Montessori, lembra muito aqueles globos de neve que as pessoas trazem como lembrança de viagem, com glitter e brilhos que flutuam, o que distrai e tranquiliza o infanto, que tem ali, naquele momento de contemplação, tempo para se acalmar, explicar os motivos da tristeza, raiva ou frustração e assimilar o ocorrido.

Para Beatriz Azevedo (foto menor), neuropsicóloga especialista em ludoterapia (psicoterapia infantil) e sócia-proprietária do Espaço Ki – Qualidade de Vida e Prevenção, clínica e escola que atua com terapias complementares há 24 anos na cidade, a técnica é positiva e indicada acima dos 2 anos, pois age diretamente no sistema nervoso central. “Ela funciona como o caleidoscópio ou qualquer outro objeto que chame a atenção da criança, como um aquário com peixinhos e objetos coloridos e com movimento. E, mesmo que não tenha 100% de eficácia sempre, visto que cada um possui suas particularidades, a ideia realmente é mudar o foco para dar tempo do menor se acalmar e focar no momento presente”.

 

Para fazer o pote da calma em casa

Beatriz Azevedo explica que o pote da calma pode ser feito em casa, de preferência, junto com a criança. “O uso do objeto traz o pequeno para o momento presente e podemos, inclusive, aliar outras técnicas como respiração e cromoterapia, utilizando as cores mais frias para acalmar e as cores mais fortes para despertar a criatividade e a atenção”, exemplifica. Para isso, basta escolher um recipiente transparente e com tampa, adicionar duas colheres de cola glitter, quatro colheres de purpurina, também colorida, e preencher com água morna, deixando um espaço para o conteúdo ser agitado. Depois, inclua uma gota de corante alimentar, tampe e agite bem. Se quiser, também é possível colocar enfeites dentro, como peixes de plástico, carrinhos ou até estrelas.

Ela ainda alerta que, apesar de algumas receitas pedirem pote de vidro, o ideal mesmo é que seja usada uma garrafa pet, por ser mais segura e não ter o risco da criança se machucar. Além disso, é preciso lacrar bem para que não exista a possibilidade de abertura e que, por conter conteúdos que podem ser tóxicos se ingeridos, que os adultos acompanhem de perto o manuseio.

 

Mudando o foco

Natali Ricco, mãe da Amanda, 10 anos, e do Felipe, 8 anos, conheceu o método por meio de um blog americano sobre maternidade. “Assim que vi, imaginei que poderia usar com meu filho e mostrei pra ele algumas fotos; então, nós fomos até a papelaria e compramos os materiais necessários. Ele escolheu tudo do jeito que queria e nós fizemos a garrafinha nas férias do ano retrasado. Também conversei com a psicóloga dele para saber uma opinião profissional e ela falou que era uma boa e que eu poderia tentar, afinal, mal não faria”.

Ela conta que toda a família sentiu o resultado e até a Amanda, quando percebe que o irmão está ficando nervoso ou um pouco mais agitado, já oferece o item como opção. “Ele pega a garrafinha quando está chateado com alguma coisa, nervoso ou triste. Ficar olhando para os brilhos e glitters em movimento chama sua atenção, entretém e faz com que ele pare de pensar fixamente naquilo que o estava incomodando. Quando o Felipe devolve o objeto, parece que esqueceu, a situação já passou e aquilo não tem mais tanta importância”, ressalta ela que, inclusive, indica a técnica para outras mães.

 

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