Por Amauri Eugênio Jr.

Esporte, a razão de viver

Em uma manhã fria, a equipe da RG foi entrevistar a corredora Ana Cláudia Emperador, 43, tetracampeã da Corrida do Batom. Enquanto repórter e fotógrafo esperavam chegar o horário marcado, deu tempo de Ana dar uma volta pelo Bosque Maia, o que foi rápido.
Ah, e ao pensar que a corredora ainda se divide entre atleta, mãe e professora de educação física, isso tudo deixaria qualquer pessoa ainda mais cansada. Mas ela tira isso de letra.

“Saio daqui às 10h e vou para a academia para fazer exercícios de fortalecimento. E sou professora em um projeto para crianças carentes da comunidade São Rafael, onde dou aulas duas vezes por semana”. Essa fala de Ana sobre o seu dia dá a dimensão do quão corrido – sem trocadilho – é o seu cotidiano, a começar pelos treinos. Entre os exercícios preparatórios e os para relaxamento muscular, coordenados pelo técnico João Laerte da Silva, a rotina é de seis dias por semana. E como ninguém é de ferro, ela tem um dia de descanso. Descanso não é bem a palavra, pois aí entra a vida de mãe: dois filhos de 9 e a caçula, de 8. Isso sem contar os dias em que há competições, é claro.
A carreira no atletismo categoria máster é o que se pode chamar de bem-sucedida. Não por acaso, ela tem no currículo mais de 240 medalhas e 114 troféus, inclusive medalhas de ouro conquistadas recentemente no Campeonato Brasileiro de Atletismo Master, em João Pessoa (PB). Mas se engana quem pense que a vida de atleta tenha caído no modo automático, por mais experiência que ela tenha; “Todas as provas me despertam a mesma sensação, como se fosse a primeira vez, com aquele friozinho na barriga. A ansiedade é a mesma para cada uma [das provas]”, comenta.

Quem a ouve falar com naturalidade e simplicidade sobre suas conquistas, ou acompanha o treinamento, mesmo por alguns instantes, não imagina que o início de carreira, há 15 anos, foi ao correr por hobby. “Estava correndo só por correr, sem me preocupar com classificação”, comenta. Mas mesmo correndo por diversão, alguns “olheiros” perceberam o seu potencial e, com o passar do tempo, o hobby ficou sério. “É o ar que eu respiro e é uma paixão. Não vejo a Ana Cláudia sem estar ligada ao mundo da corrida, sem estar envolvida nesse mundo”, reforça, deixando evidente o entusiasmo ao falar sobre o esporte.

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Fotos: Márcio Monteiro

Passando o bastão

Os três filhos de Ana – Mariana e Pedro, 9; e Ana Júlia, 8 – acompanham a mãe nas competições das quais ela participa e viajam com ela quando há campeonatos em locais mais distantes. Mas eles não têm necessariamente de seguir os seus passos no atletismo. Demais modalidades, como voleibol, natação e futebol fazem parte do dia a dia deles. “Tenho tentado contagiá-los neste caminho, embora com muita cautela. Como professora de educação física, sei a importância da vivência nos outros esportes nesta fase. Mas sempre os incentivo a estar no meio do esporte”, destaca.

Paixão pela corrida

A cada frase dita durante a entrevista, o brilho no olhar de Ana Cláudia ao falar sobre o atletismo era evidente, assim como o entusiasmo ao falar sobre as próximas competições das quais participará – por exemplo, o Campeonato Sul-Americano, que acontecerá em novembro, na Colômbia.
Além do hobby, da autodisciplina que surge quando o esporte entra na vida de uma pessoa e da superação constante de limites, outra coisa a faz falar com idolatria sobre o atletismo: todos são iguais. “Corre-se tanto com um gari como com um médico, engenheiro… Dentro da corrida, nenhuma dessas posições é importante, mas sim o atleta.” Durante a entrevista, essa postura igualitária ficou evidente: ela tratava qualquer pessoa que passasse da mesma maneira, não importando se era algum funcionário da limpeza, guarda ou um homem que havia se machucado enquanto caminhava no Maia. “Aqui me sinto em casa”, completa. E assim segue Ana Cláudia Emperador: correndo em busca da felicidade constante e da superação de limites.