Criança continua internada; Prefeitura descarta contaminação no chafariz

Fonte interativa (chafariz) do Bosque Maia recebe centenas de visitantes por dia - Foto: Alexandre de Paulo

Izabela Pelegrine, 33 anos, nutricionista, a internauta que levantou a hipótese de que a água do chafariz do Bosque Maia estivesse contaminada e transmitindo doenças, diz que sua filha, de 5 anos, e a sobrinha, de 10, continuam debilitadas. A Sobrinha está internada no Hospital da Criança, no Centro, e a filha está sendo tratada em casa. A Prefeitura informa “que não é possível relacionar o caso das crianças citadas com a passagem pela fonte interativa, uma vez que, desde a sua instalação, a fonte já recebeu milhares de pessoas.” Não há registro confirmado de contaminação e proliferação de doenças por contato com a água do chafariz.

Segundo Izabela, ela e a irmã passaram o dia de sexta-feira, 11, com as duas crianças no Bosque Maia. Por aproximadamente uma hora as duas meninas brincaram no chafariz. Elas começaram a passar mal na noite de sábado, 12. A irmã de Izabela levou a filha por quatro vezes à UPA Cumbica. “Como o tratamento não estava dando resultado, recorremos ao Hospital da Criança (onde a menina está internada desde terça-feira, 15)”, disse.

A desconfiança de que havia algo de errado com a água do chafariz foi levantada durante uma das consultas médicas. “O médico nos disse que muitas crianças se banham ali e que bactérias se proliferam nesses ambientes. Algumas fazem xixi (não sentimos cheiro nenhum, a não ser na hora que estávamos indo embora)”, disse.

Fora o contato com a pele, no meio da brincadeira com os jatos d’água as crianças acabam ingerindo um pouco de água. Segundo a secretaria de Meio Ambiente, apesar de receber tratamento diário, a água do chafariz não é potável.

Izabela acha muita coincidência as duas crianças terem passado mal, com os mesmos sintomas, logo depois de terem brincado no chafariz. “Outras pessoas relataram o mesmo problema nos comentários (do post do Facebook). Levamos as meninas ao médico e elas estavam com vômito, diarreia, dores e manchas vermelhas pelo corpo; minha filha está mal, porém minha afilhada está pior (internada no Hospital da Criança). Eu e minha irmã estamos muito abaladas. Há dias sem dormir direito, preocupadas com as crianças”, disse.

Aline Souza Alves, Ricardo Manicoba, Val Ferreira, Jessica e Daniela Pacheco, Dirce Lisboa, Lia Campos, Roseneide Maria Andrade, Joyce Aparecida, Edna Alexandre, além de outras dezenas de pessoas, relataram que seus filhos, sobrinhos e afilhados também passaram mal e apresentaram os mesmos sintomas (vômitos, diarreia e mal estar) depois de brincar no chafariz do Bosque Maia.

Outro lado

A secretaria municipal de Saúde informa que a sobrinha de Izabela Pelegrine, de dez anos, que deu entrada no Hospital Municipal da Criança no dia 15 de janeiro, com diarreia, febre, manchas pelo corpo e episódio de convulsão, permanece internada em tratamento. “A hipótese diagnóstica é de diarreia e gastroenterite de origem infecciosa presumível. Sem confirmação de que tenha relação com a água da fonte do Bosque Maia”, informou a nota. Izabela questiona que a criança teve “episódio de convulsão”.

Tratamento da água

Já a Secretaria de Meio Ambiente esclarece que “a água da fonte interativa do Bosque é tratada diariamente com cloro e corretor de PH, que é a acidez da água. Duas a três vezes por dia é realizada a medição e, caso necessário, aplicado mais cloro e corretor de PH. O tratamento é bem semelhante ao de uma piscina, além do tratamento químico a fonte possui filtros para retenção de partículas.”

Ainda segundo a secretaria de Meio Ambiente (Sema), “todas as segundas e sextas-feiras o reservatório de água é esvaziado e higienizado. A Sema salienta que mesmo com os tratamentos, a água da fonte é imprópria para o consumo.”