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Animais Fantásticos e Onde Habitam marca o belo retorno do universo de Harry Potter aos cinemas

É desde 2011 que os fãs de Harry Potter estão órfãos de uma adaptação das histórias que compõem o gigantesco mundo magico criado por J.K. Rowling. Harry Potter e as Relíquias da Morte, último filme da franquia que foi dividido em duas partes, representou uma mistura de diversos sentimentos. Felicidade por finalmente mostrar a conclusão épica de uma história que marcou toda uma geração, e tristeza por saber que a partir dali, essa parte que preenchia a vida daqueles que são fascinados por esse universo ficaria repentinamente vazia. Felizmente, Animais Fantásticos e Onde Habitam veio para matar essa saudade que tanto angustiava os fãs.

Situado 70 anos antes da história de Harry Potter, agora em Nova Iorque, Animais Fantásticos conta a história de Newt Scamander (Eddie Redmayne), um bruxo que nutre um fascínio por criaturas mágicas e viaja pelo mundo para encontra-las. É importante lembrar que Newt é autor de um livro usado por Harry nas suas aulas em Hogwarts; livro que dá nome ao filme. Na trama, ao chegar em solo americano, Newt entra em uma confusão atrás da outra ao deixar que algumas das criaturas que mantém em sua maleta mágica escapem. No meio disso tudo, Newt conhece Jacob (Dan Fogler), um no-maj que se torna tanto um amigo quanto um agravante para seus problemas.

Roteirizado pela própria J.K. Rowling, o longa replica de forma exemplar o mundo mágico presente nos filmes de HP. Tudo presente em tela, inclusive a trilha sonora, remete a coisas que já foram vistas, despertando a boa e velha nostalgia. E apesar de estar cheio de referências a elementos consagrados de HP (que vão desde citações a Dumbledore e a Hogwarts até o simbólico proferir de feitiços conhecidos), Animais Fantásticos funciona muito bem por si só. Claro, quem já assistiu a todos os filmes de Harry Potter terá uma experiência mais rica, porém aqueles que não assistiram não ficarão perdidos em nenhum momento.

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Outro ponto alto do filme é a nova abordagem que Rowling dá para o conflito entre os no-maj (o equivalente de “trouxas” usado nos EUA) e os bruxos. Antes, só víamos a posição dos bruxos em relação aos trouxas; uma amálgama de repulsa, preconceito e incompreensão. Agora, a situação quase que se inverte. O repúdio dos no-maj à iminente ameaça dos bruxos é quase tão grande quanto. Aproveitando a situação para fazer bons paralelos com acontecimentos históricos (como o famoso caso das Bruxas de Salém, e a própria Caça às Bruxas em si…), o longa se mostra talvez o filme mais maduro do universo de HP até o momento.

Os efeitos especiais e a fotografia quase que se tornam um protagonista em si. O visual das criaturas realmente enche os olhos. As cenas em que Newt “entra em sua maleta” para interagir com suas criaturas rendem momentos realmente belos e preciosos.

Animais fantásticos e onde habitam
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Redmayne também brilha na pele de Newt Scamander. O ator cria um personagem que se alterna entre o confuso e o adorável. É impossível não se identificar com ele logo de cara. Dan Fogler também faz bonito como o no-maj Jacob. Alívio cômico do filme, sua interação com Newt funciona muito bem. E as figuras emblemáticas de Graves (Colin Farrel) e Credence (Ezra Miller) se destacam ao compor o grande mistério do filme. Katherine Waterston, Alison Sudol, Jon Voight, Ron Perlman e Samantha Morton completam o time.

 

Talvez, os únicos problemas que Animais Fantásticos têm são o ritmo, que por algumas cenas se mostra bastante cadenciado e lento, e a construção da ameaça de Grindelwald (Johnny Depp). Escalado para ser o principal vilão da nova franquia, a atmosfera em torno de Grindlewald não tem o mesmo impacto que a mitologia criada em volta de Voldemort tem em A Pedra Filosofal, por exemplo. Por ser o maior Bruxo das Trevas antes de Voldemort, o que é apresentado fica aquém das expectativas. Mas fica evidente que sua ameaça, principalmente sua conhecida e conturbada relação com Dumbledore (ainda sem ator escalado) serão trabalhados com mais ênfase nos próximos longas.

Planejada para ser uma pentalogia, a franquia iniciada em Animais Fantásticos e Onde Habitam possui um futuro bastante promissor. Que bom que J.K. Rowling é a responsável por roteirizar toda essa história, pois significa que os filmes futuros tem pouquíssimas chances de dar um tropeço. Boa sorte para segurar a ansiedade pelo próximo filme, que estreia só daqui a dois anos…

Nota: 9/10

Mateus Petri