Crítica de Mateus Petri

Terceira temporada do Velocista Escarlate é marcada por ótimos momentos e oportunidades perdidas

No ano passado, o episódio final da segunda temporada de The Flash surpreendeu ao deixar um grande gancho para o terceiro ano. No tal episódio, as ações de Barry Allen/Flash (Grant Gustin) deram início ao Flashpoint (ou Ponto de Ignição), um dos arcos mais importantes das HQs do super-herói. Nesse evento, tanto na série quanto nos quadrinhos, ao voltar no tempo para evitar que sua mãe seja morta, Barry altera a realidade de seu mundo. Na nova realidade, a mãe de Barry ainda está viva, mas logo ele vai percebendo que nem tudo é como era antes…

Considerando o potencial que o Flashpoint tem de mudar os rumos da história, o seriado desperdiçou essa oportunidade ao limitar esse acontecimento apenas ao episódio inicial da terceira temporada. Barry passa três meses na nova realidade que criou, mas se da conta de que isso começou a alterar algumas coisas em relação ao mundo em que viva. Essas alterações começam a causar problemas para o Flash, fazendo-o tomar consciência de que precisa restaurar sua realidade original antes que as mudanças se tornem permanentes.

Após conseguir corrigir o rumo das coisas, Barry volta para seu mundo, mas por passar muito tempo na realidade do Flashpoint, vê que algumas mudanças ocasionadas pelo evento se tornaram reais em sua rotina. Como são mudanças interessantes de ver, não vale a pena citá-las aqui, pois pode estragar a experiência de quem ainda não assistiu a temporada.

A faísca que dará início a trama principal dos 23 episódios da temporada são justamente essas mudanças decorrentes do Ponto de Ignição. Inclusive, será o fator que nos fará a serem introduzidos ao vilão principal da temporada, Savitar. Segundo a mitologia criada na série, Savitar é o deus da velocidade da cultura hindu. Obcecado pelo poder da velocidade, o objetivo do vilão é ser o único e mais poderoso velocista do mundo.

Pois, mais uma vez a série optou por ter um velocista como vilão principal. Primeiro foi o ótimo Flash-Reverso de Tom Cavanagh, depois o ameaçador Zoom de Teddy Sears, e agora Savitar (que por enquanto não vale a pena dizer quem é…). Apesar de ser um vilão bom, Savitar é a prova de que a série precisa inovar quanto seu antagonismo principal. É esperado um vilão não-velocista para a próxima temporada, e tomara que a ideia seja mantida.

Contudo, os 23 episódios contaram com momentos extremamente bons. A ida da equipe até Gorilla City para enfrentar Grodd, a aproximação ainda maior de Cisco (Carlos Valdés) e Caitlin (Danielle Panabaker) de seus alter-egos Vibro e Nevasca, o crossover com Arrow, Legends Of Tomorrow e Supergirl, a evolução de Wally West (Keiynan Lonsdale) são elementos que merecem ser destacados.

Alguém que se sobressaiu nesta temporada é H.R., terceiro personagem de Tom Cavanagh no programa. É impressionante a capacidade do ator de mudar sua interpretação de uma pessoa pra outra. Cavanagh trouxe um frescor aos episódios dessa temporada ao entregar um personagem muito engraçado, com timing de comédia preciso e que faz piadas nas horas certas.

 

Em um episódio final catártico e bastante emotivo, The Flash deu possibilidades ainda maiores para a quarta temporada. Como a série só volta em outubro, resta aguardar para que os episódios novos continuem com o mesmo nível de qualidade do que foi apresentado até aqui, e que tenham a coragem de manter por mais tempo as decisões que tomam.

Nota: 8/10