Crítica O Quarto de Jack (Room – A24 Films)

Indicado ao Oscar, O Quarto de Jack serve como vitrine para revelar o grande talento do novato Jacob Trembley

É tempo de crise no Oscar! Em meio a tantas polêmicas, a credibilidade do prêmio tem caído nos últimos anos. Pelo segundo ano consecutivo, não temos atores negros indicados nas categorias principais, fazendo com que as redes sociais ficassem tomadas com a hashtag #OscarSoWhite. Além disso, o método arcaico de avaliação dos votantes do prêmio impede que uma diversidade maior de filmes ganhe espaço na premiação. Tal fato abre brecha para muitos longas desinteressantes , indicados ao Oscar, virem à tona. Não é o caso de O Quarto de Jack. Nesta situação, o filme se destaca não pelo seu roteiro ou por qualquer aspecto técnico, mas sim pela presença de seus atores principais.

Baseado no livro homônimo escrito por Emma Donoghue, O Quarto de Jack conta a história de uma mulher (Brie Larson, indicada ao Oscar de Melhor Atriz pelo papel) que foi sequestrada ainda enquanto era jovem. Durante seu tempo em cativeiro, ela acaba tendo um filho com seu sequestrador, o menino Jack (Jacob Trembley). A criança cresce, e como eles são mantidos longe de qualquer tipo de convívio social, o quarto onde vivem é tudo o que Jack conhece no mundo. E mãe de Jack, ao mesmo tempo que tenta salvá-lo dessa situação, faz de tudo para mostrar ao menino o valor desse “pequeno mundo” que ele conheço.

Apesar de não parecer, esses casos de sequestros são comuns, e vários filmes ao longo dos anos retrataram esse tipo de situação. E, em um primeiro momento, O Quarto de Jack pode ser visto como apenas um mero representante nesta cartela de filmes que mostram essa triste realidade, e realmente seria, se não fosse pelas presenças de Brie Larson e Jacob Trembley.

Larson faz muito bem o papel da mãe sensível e delicada, mas que possui uma personalidade forte. A atriz, que é conhecida por seus papeis em filmes de comédia, como Anjos da Lei, surpreende nesse papel que possui um peso dramático muito grande. Não à toa que ela é a favorita a ganhar o Oscar esse ano.

Mas quem rouba a cena, sendo a grande surpresa do filme, é de fato o novato Jacob Trembley. Talvez, por ser uma criança, ele tem a atuação mais autêntica do que podia se esperar. É incrível a maturidade que ele tem em cena. Ele realmente consegue proporcionar emoções genuínas a quem assiste. Se Trembley tivesse sido agraciado com uma indicação ao Oscar de Melhor Ator, Leonardo DiCaprio teria um páreo duro para enfrentar…

É claro que o filme possui seus defeitos, o maior deles sendo o pai da personagem de Larson, interpretado por William H. Macy. Quando aparece, ele traz uma problemática consigo que poderia ser muito interessante para o desenvolvimento da trama, mas que é subitamente deixada de lado, assim como o próprio personagem.

Room, no original, não é um filme que consegue se diferenciar por completo dos outros que retratam esse tema do sequestro, mas que, através de seus atores, consegue, como nenhum outro, sensibilizar a quem assiste. E esse foi um começo de carreira muito promissor para Jacob Trembley. Quem sabe, em seu próximo filme, ele tenha todo o reconhecimento que merece?

Nota: 8/10