Primeiro filme do mercenário tagarela faz da mistura entre ação e humor escrachado o seu maior trunfo

Quando Ryan Reynolds interpretou o personagem Wade Wilson/Deadpool em X-Men Origens: Wolverine, de 2009, o ator foi duramente criticado por ter dado vida a uma versão do personagem que era completamente diferente do que se conhece sobre Deadpool dos quadrinhos. A história se repetiu dois anos depois, quando Reynolds estrelou Lanterna Verde, esse último muito mais rechaçado pela crítica. Depois desse retrospecto desfavorável, o ator volta ao mundo dos super-heróis com o pé na porta, encarnando novamente o mercenário tagarela, agora em seu próprio filme.
Deadpool, baseado nas HQs homônimas (que também fazem parte do universo dos X-Men), conta a história de Wade Wilson, um mercenário ex-militar que, após descobrir que tem câncer terminal, decide ser voluntário em um experimento mutante que irá curar sua doença, o que acaba dando muito errado. Wade, depois do experimento, adquire habilidades especiais, mas acaba com uma aparência assustadora.
Foi incrível poder assistir o que a produção do filme conseguiu alcançar com um “modesto” orçamento de 58 milhões de dólares. Apesar deste valor relativamente baixo, o longa foi capaz de entregar boas cenas de ação e efeitos especiais, além conseguir desenvolver um roteiro bem escrito em cima de uma história simples, cheio de referências ao universo dos super-heróis de modo geral.
Mas quem carrega os méritos do filme é o próprio Ryan Reynolds. O ator, que é fã declarado das HQs de Deadpool, foi tão dedicado ao papel quanto se era possível. Ele incorpora perfeitamente a personalidade do personagem principal, fazendo deste filme o seu mais divertido.
O filme não nos poupa de palavrões, violência e cenas de sexo, mas nada ali soa exagerado ou fora de contexto, pois tudo isso é muito intrínseco ao Deadpool, e ao que ele possui de mais marcante: uma personalidade forte e sem escrúpulos, mas extremamente divertida. E a boa química entre Wade e seu par romântico Vanessa (Morena Baccarin), que são o centro dessas cenas, aumentam o potencial de diversão que o filme carrega consigo.
Deadpool representa um marco nessa era de filmes de super-heróis. Talvez, depois dele, mais filmes desse gênero ousem abordar histórias um pouco mais adultas, mas que consigam ser igualmente interessantes e divertidas.

Nota: 9/10