Debate sobre captação de água de chuva mostra a necessidade da união entre sociedade civil e governo

Uma carta com propostas que podem ser colocadas em prática para viabilizar mais rapidamente a formalização de sistemas de captação de água de chuva em grandes cidades foi elaborada por representantes e especialistas do setor hídrico do país durante o evento “Os desafios da captação da água de chuva nos grandes centros urbanos – uma nova maneira de se relacionar com a água”, realizado no último dia 11, na Câmara Municipal de São Paulo.

A carta, direcionada ao vereador Gilberto Natalini e à Câmara Municipal propõe, entre outros itens, o estimulo da implantação do IPTU verde, dando desconto para quem captar água de chuva; criar legislação para a obrigatoriedade de uso de pisos permeáveis em novos projetos (e incentivo para modificação de obras já existentes) para grandes áreas públicas, construções privadas, estacionamentos, que infiltrem água e reduza enchentes; revisão da norma de água de chuva incluindo novas necessidades que podem atender as demandas do cenário atual.

O evento contou com as presenças de Édison Carlos, presidente do Instituto Trata Brasil, Pedro Mancusodiretor administrativo do CEAP (Centro de Apoio à Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo) e presidente do CERSA (Centro de Referência em Segurança da Água), Plínio Thomaz, especialista em água de chuva e Amauri Ramos, sócio-presidente da Brasplan, consultoria especializada em água e sustentabilidade. Na ocasião, os especialistas apresentaram os benefícios da captação de água de chuva, alertando para que a prática obedeça normas, garantindo água de qualidade e em segurança para os usuários.

A importância da educação e da mudança permanente dos hábitos da população para diminuir o consumo de água e preservar o recurso hídrico, que se tornará cada vez mais escasso, foi o tema da apresentação .de uma das idealizadoras da iniciativa “Água, Cuido porque Amo”, Cássia Lago .“Precisamos mostrar aos cidadãos que todos nós podemos e devemos assumir papel mais atuante e permanente na questão, colocando em prática, no dia-a-dia, ações para diminuir a quantidade de água consumida e desperdiçada mesmo quando a chuva voltar”, afirmou.