Decisão judicial sobre bens da família Assis de Almeida pode ser inócua

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A bem fundamenta decisão do juiz Felipe Estevão de Melo Gonçalves, ao tornar indisponíveis os bens da empresa Quadra de Ás, de Francislene Assis de Almeida Corrêa e de Ivone Almeida, pode não ter resultado prático, a julgar pelo procedimento usual da família.

Quem convive há décadas em Guarulhos sabe perfeitamente que a família Assis de Almeida tem por hábito apenas comprar imóveis e não vendê-los. Fez fortuna acrescentando cada vez mais imóveis alugados e reinvestindo o capital na compra de novos imóveis, bem como construindo salões para locação.

Após o falecimento do patriarca Francisco Assis de Almeida, a gestão dos bens passou para os filhos Francislene e Francisco Júnior, que, junto com os sobrinhos, órfãos da irmã Francis, falecida precocemente, constituíram a empresa Quadra de Ás, para administrar os bens.

Diferentemente do pai, que preferia construções simples e em geral de apenas um andar, Francislene adotou a prática de unir-se em incorporações com empresas de empreendimentos imobiliários. Por exemplo, a construção de grande prédio na avenida Salgado Filho, em frente à avenida Suplicy.

A indisponibilidade dos bens imóveis decretada pelo juiz, portanto, pode não ter efeito prático, eis que não se sabe de um imóvel sequer do grupo que esteja à venda. O valor de mais de R$ 31 milhões que, até decisão contrária, deve ser devolvido nos autos da desapropriação só será obtido se o juiz Melo Gonçalves determinar o bloqueio do recebimento de aluguéis. Considerando a quantidade de imóveis locados, não demoraria a atingir o valor.

Outro lado

Desde ontem, tento obter alguma manifestação da família sobre a decisão judicial. Francislene respondeu, recomendando que eu ouvisse um de seus advogados, mas não obtive retorno das mensagens e recados até o momento. Fatalmente, a família buscará reformar a sentença em instância superior, principalmente porque as notícias a respeito podem ter reflexo na candidatura do marido dela, o deputado federal Eli Corrêa Filho, a prefeito de Guarulhos.

Valdir Carleto