Depois do ouro no Pan, bi no mundial e medalha olímpica são as metas de Dani Piedade, da seleçãode handebol

por Luiz Humberto Monteiro Pereira

jogoscariocas@gmail.com

Era um sábado, dia 29 de setembro de 2012. A paulistana Dani Piedade estava em Ljubljana, na Eslovênia, começando o aquecimento para um amistoso de seu time de handebol, o RK Krim. De uma hora para outra, teve uma tontura, seguida de um forte dormência no braço e na perna direita. Estava sofrendo um acidente vascular cerebral isquêmico – um AVCI. Foi levada para um hospital local, onde durante dez dias esteve sob risco de morrer ou ficar com o lado direito do corpo paralisado. Foram quatro meses de fisioterapia intensiva para voltar às quadras e seis para ser novamente convocada para a seleção brasileira – que já frequenta há 15 anos. Do enorme susto que teve, restou apenas uma ligeira perda de sensibilidade na mão direita – que não compromete nem a força nem a precisão de seus movimentos. “Com certeza, ganhei uma nova vida, com novos objetivos”, comemora a pivô de 36 anos, que atualmente joga no Siófok KC, da Hungria, e foi a capitão da seleção brasileira que acaba de conquistar a medalha de ouro dos Jogos Pan-Americanos em Toronto, no Canadá.

O primeiro desses objetivos era o pentacampeonato em Toronto – ela também participou das conquistas das medalhas de ouro em Santo Domingo (2003), Rio de Janeiro (2007) e Guadalajara (2011). Na final no Canadá, o Brasil bateu a Argentina por 25 a 20. “Era uma questão de honra manter esta hegemonia, ainda mais em uma final contra a Argentina”, pondera Dani. Em dezembro, será a vez de tentar o bicampeonato no Mundial da Dinamarca – com ela no time, o Brasil tornou-se pela primeira vez campeão mundial de handebol feminino em 2013, na Sérvia. Mas o objetivo principal ficará para o ano que vem. “Depois do AVC, vejo todas as competições até a Rio-2016 como um passinho a mais até chegar ao topo e finalizar bem minha carreira”, admite.

Jogos Cariocas – Como se aproximou do handebol?

Dani Piedade – Comecei a jogar handebol na Escola Pinheiro, em São Paulo, em 1993. Na escola, eu praticava várias outras modalidades – vôlei, basquete, futebol de campo, futsal, ginástica olímpica, atletismo e natação. A primeira modalidade onde fui federada foi no atletismo. Ganhei muitas medalhas no 100 metros rasos, salto em distância e no revezamento 4 por 100 metros. Mas no atletismo eu me sentia “sozinha”, diferentemente do handebol, onde eu tinha o grupo. Foi então que ganhei uma bolsa de estudos no Colégio Albert Einstein para praticar o handebol, vôlei, basquete e futsal. Em 1997, um amigo me sugeriu em fazer um teste no Clube Hebraica, onde joguei um ano. Depois, fui jogar no Jundiaí Handebol Clube, onde fiquei durante 4 anos. Em seguida, fui para a  Europa, onde estou até hoje.

Jogos Cariocas – Como o handebol influiu no seu jeito de ser?

Dani Piedade – Eu sempre fui uma criança muito agitada. Mas o handebol me trouxe muita disciplina e respeito diante as pessoas. Mas, ao mesmo tempo, me deu me trouxe um controle mental muito forte. O bom do handebol é estar e conhecer muitas pessoas diferentes. Poder estar em várias competições e lugares diferentes. O lado ruim do handebol são as lesões, a distância das pessoas queridas e, muitas vezes, a rotina. Mas faz parte…

Jogos Cariocas – Quais foram seus momentos mais emocionantes, dentro do esporte?

Dani Piedade – Para mim, o mais emocionante sempre foi participar dos Jogos Olímpicos. Mas superar um AVC e depois ser campeã mundial na Sérvia, em 2013, foi algo realmente grandioso para mim.

Jogos Cariocas – Como estão suas chances de estar nas Olimpíadas de 2016?

Dani Piedade – Eu faço parte do grupo olímpico atual – como já estou na seleção há 15 anos, sou  a mais experiente da equipe. É claro que depende de vários fatores. Até chegar a hora da convocação final, muita coisa que pode acontecer. Mas uma coisa é certa: vou fazer de tudo para estar na equipe que irá defender o Brasil em 2016.

Jogos Cariocas – O que espera das próximas Olimpíadas? Já sonhou com os Jogos Rio 2016?

Dani Piedade – Não só eu como a nossa seleção toda sonha com uma medalha em 2016. Temos uma boa equipe para conseguir tal feito. Mas temos que treinar muito ainda para chegar lá.

Jogos Cariocas – O fato de competir em casa pode representar uma vantagem para os atletas brasileiros?

Dani Piedade – Eu acredito que sim. Nós, brasileiros, somos motivados pelo incentivo caloroso do povo brasileiro. Ao mesmo tempo, vamos dar de frente com a pressão de jogar em casa. Mas eu acredito nos vamos superar tudo isso.

Curta a página da coluna “Jogos Cariocas” no Facebook em www.facebook.com/jogoscariocas