Dia do Índio em Guarulhos: temos o que ou por que comemorar?

Área da Terra Sagrada em Guarulhos. Foto: Christian Braga (https://bit.ly/2qJKBYQ)
Área da Terra Sagrada em Guarulhos. Foto: Christian Braga (https://bit.ly/2qJKBYQ)

Os primeiros habitantes de uma imensa área que abrange os territórios da cidade de Guarulhos, e até de outros municípios vizinhos, teriam sido os índios Guarus, ou Guarulhos, segundo a corrente historiográfica mais aceita. Por óbvio, eles que teriam “emprestado” o nome à cidade. Atualmente, não há em Guarulhos nenhum remanescente dessa etnia e nenhuma comunidade indígena nativa vive na cidade. Mas, segundo o IBGE, estima-se que mais de 1,7 mil indígenas vivam no município (dados do censo de 2010).  São representantes de várias etnias: Pankararu, Tupi-guarani, Terena, Wassu Cocal, Xavante, Guajajara, Pataxó, Geripankó, Xucuru, dentre outras, vindos de várias localidades brasileiras e que vivem em quase todas as regiões, mas com presença mais marcante em bairros como Ponte Alta, Soberana, Inocoop, São João, Pimentas e na região do Cabuçu.

Não há muito que comemorar neste Dia do Índio, comemorado hoje, 19. Nem aqui, nem em qualquer lugar do Brasil. O povo indígena está quase dizimado, a cultura subjugada, sem espaço e sem atenção; os usos e costumes, suas crenças e valores sob risco de esquecimento. Os descendentes daqueles que primeiro habitaram as terras brasileiras, e da nossa cidade, não têm a atenção, nem o cuidado, nem o respeito que merecem por tudo o que seus ancestrais contribuíram para a história e o desenvolvimento do país e tampouco para o quanto significam em termos culturais, antropológicos, sociológicos, linguísticos, artísticos, enfim, para nossa identidade como povo e nação, a nossa brasilidade.

Guarulhos, maior município não capital do Brasil, com a segunda população do Estado de São Paulo, com R$ 49,4 bilhões tem o 4° maior PIB (Produto Interno Bruto) do Estado e o 13° do país, acima de várias capitais e maior do que 10 estados da União, também não guarda atenção, cuidado ou respeito pelos representantes de seus pioneiros moradores. Não guarda consideração com o povo indígena da cidade. Mas, por todas as razões históricas e antropológicas, deveríamos dar-lhe mais atenção e valor.

Os indígenas, por aqui, são ignorados, não por serem minoria populacional; representam ínfimos 0,14% da população total da cidade. É ignorância histórica mesmo, no sentido de não saber, ou puro descaso, por não querer saber. Desconhecimento e indiferença da cidade. Os Guarus, aqueles que teriam nominado a pujante metrópole, foram exterminados, perderam suas terras e viram sua cultura, suas tradições, seus usos e costumes desaparecerem, antes de serem eles mesmos também extintos.

Mas, alguns bravos herdeiros do sangue, da história e da cultura desses nossos ancestrais ainda resistem na cidade e querem levar adiante um projeto de instauração de uma aldeia multiétnica por aqui: o Terra Sagrada. Porém, anos e anos já se passaram desde que o projeto foi pensado pela primeira vez e os primeiros passos foram dados; por décadas, até, governos de diferentes partidos sucederam-se e, até hoje, nada de concreto oficialmente foi feito. O pouco que se conseguiu foi por iniciativa, coragem e ousadia da comunidade indígena guarulhense. O poder público nada fez de concreto, além de promessas que não prosperaram. Se fez, não é de conhecimento público.

Neste cenário, o Click Guarulhos inicia hoje uma série de reportagens sobre os índios em Guarulhos. A primeira parte, hoje, mostra os primórdios da história do município, retomando a narrativa sobre os primeiros habitantes da cidade, a origem do nome Guarulhos e o fim dos guarus na região, originalmente publicada na edição 119 da revista RG, em dezembro de 2016.

Amanhã, 20, um panorama sobre o momento atual do povo indígena em Guarulhos. Quem são, onde estão, como estão os indígenas em Guarulhos? Que etnias vivem aqui? Quais são os usos, costumes e cultura dos ancestrais ainda preservados? Quais são e o que dizem seus representantes e líderes? Como estão organizados? O que reivindicam e o que esperam da cidade?

A terceira reportagem, na segunda, 23, mostrará a quantas anda o movimento e o projeto para instauração da Terra Sagrada e quais suas perspectivas de realização completa. Onde, quando e como começou? O que já foi feito, o que foi prometido, o que foi atendido e o que não foi cumprido pela administração municipal? Qual o posicionamento e as providências, se existem, da atual administração?

A quarta e última reportagem, dia 24, terça, ampliará o foco para refletir sobre a realidade e o futuro do povo indígena no Brasil, suas diversas etnias e a situação econômica, social e cultural das aldeias e comunidades espalhadas pelo território nacional. As políticas públicas e as ações (ou inações) governamentais. Os riscos e perspectivas para nossos irmãos índios.

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