Dia Mundial dos Avós: no passado repousam as nossas origens

A semente lançada à terra, para germinar, precisa morrer! Mas é através desse processo – de aparente fim – que surge a vida e são criadas as raízes. São exatamente elas – as raízes – que nascem quase que ao mesmo tempo, para não dizer antes, que darão sustentação para que a árvore, um dia, também possa vir existir e, assim, ao cumprir seu destino, vindo a florir, além de muitas outras sementes produzir!

Somos únicos, como as sementes, mas múltiplos por gerações!

Poucos, quando admiram as belas e frondosas árvores ou mesmo quando usufruem de seus frutos e, ainda, repousam sob as suas vastas folhagens, lembram com gratidão e reverência daquilo que não se vê!

Quase sempre, quando admiramos as obras de um extraordinário artista ou reverenciamos a ação de um particular herói, esquecemos exatamente quem ele é, de onde veio ou como se formou e, pior ainda, quanto sofrimento enfrentou, quantos sacrifícios realizou e, principalmente, de quem foram as lágrimas que o consagraram.
Esquecemos, algumas vezes, até mesmo – quando, também, pensamos em nós – dos sofrimentos daqueles que nos precederam e que, através de suas ações – certas ou erradas no tempo e no espaço em que aconteceram – é que nos foi garantida a própria vida e, também, no que nos transformamos e em tudo que realizamos.

Há um antigo pensamento que afirma que quem não tem memória não existe. Talvez porque vagueie no tempo sem encontrar onde se apoiar, se sentir ou, até mesmo, as razões das coisas poder explicar.

Hoje, dia 26 de julho, o mundo cristão reverencia, com muita razão, o “Dia Mundial dos Avós”. É uma singela homenagem à Sant’Ana e São Joaquim que, historicamente, foram os pais da Virgem Maria e, consequentemente, avós de Jesus. Foi no ano de 1584 que o, então, Papa Gregório VIII, no interior da Santa Sé, ousou reconhecer a santidade do velho casal, da estirpe do sacerdócio real.

Embora esta data se fundamente em uma única tradição – pelo que sabemos – ela pode e, talvez, deva ser celebrada no meio de todas as outras religiões, pois traz às nossas lembranças todos aqueles a quem devemos nossas origens e estimula, em cada um de nós, o sentimento do reconhecimento e, sobretudo, o da gratidão.

Viva todos aqueles que nos antecederam nesta marcha de evolução!

*José Paulo Ferrari é psicólogo clínico, com pós-graduações na área e sua principal fonte de pesquisa trata da Espiritualidade