“Direito é apaixonante”, diz Reinaldo Rinaldi

Por Valdir Carleto
Fotos Rafael Almeida

Matéria sobre a profissão de advogado | Portal Click GuarulhosEstabelecido com escritório de advocacia desde 1973, Reinaldo Rinaldi tem muita história para contar. Lembra que ainda criança vendia doces na rua e com 11 anos fez curso de datilografia; com o diploma na mão, foi ao escritório do então contabilista e atual advogado Dercílio Azevedo, que até achou graça de ele querer trabalhar tão novo; fez um teste e o contratou.
Aos 12 anos, como desejava frequentar o Clube dos Bancários, obteve autorização judicial para ser contratado como contínuo pelo Banco Auxiliar de São Paulo. Sonhava cursar medicina, mas sabia que era algo fora de seu alcance. “Direito unia o possível ao ideal de servir ao próximo. Resolvi abraçar a causa”, revela.

Em 1975, ingressou na Prefeitura como procurador. Na gestão de Waldomiro Pompêo, havia uma ação de indenização pelo apossamento da área da avenida Paulo Faccini. No mandato de Néfi Tales (1977-1982), Rinaldi era procurador-chefe e sugeriu que fosse confessado o apossamento do remanescente de todo o imóvel para preservação da área verde existente, que resultou no bosque Maia.

Quando Paschoal Thomeu assumiu como interventor, no final de 1988, Rinaldi passou a ser secretário de Assuntos Jurídicos, função que também exerceu no mandato de Vicentino Papotto (1993-1996).

A situação financeira da Prefeitura era caótica. Uma medida sugerida por ele gerou muita discussão judicial: licitar e vender áreas públicas valiosas, como a que abriga o Extra do Jardim Maia; as esquinas da avenida Tiradentes com Paulo Faccini, da rua Siqueira Campos com Luiz Faccini, estacionamento atrás do Fórum e outras.

Desse período, ele relata diversas conquistas que ajudou a cidade a obter. A construção do anexo do Fórum, no Centro, foi possível com a concentração dos depósitos judiciais no Banespa, que custeou a obra. A implantação da Cidade Mirim, de educação para o trânsito, na chácara Fracalanza, foi iniciativa sua, com apoio de Thomeu.

Quando o juiz aposentado Antonio Filardi Luiz era adjunto na Secretaria da Segurança Pública estadual, foi firmado convênio com a Polícia Militar para fiscalizar o trânsito. Com apoio do juiz federal João Batista Gonçalves, guarulhense, fez gestões junto ao Tribunal Regional Federal para instalar a Justiça Federal, em prédio alugado pela Prefeitura. Graças a diligências com o juiz Luiz Claudio Amerise Spolidoro no Tribunal de Justiça, foi instalado o Juizado Especial.

A instalação do Corpo de Bombeiros em vila Galvão e no Taboão também aconteceu em sua gestão como secretário, assim como a de alguns distritos policiais, o pátio de veículos da Cidade Seródio e as delegacias especiais do Meio Ambiente, da Mulher e do Idoso. Companhias da PM no Parque Cecap e na Ponte Grande foram conseguidas nesse período e, ainda, a base comunitária que funciona até hoje na praça John Kennedy, no Centro.

Para construção da avenida Presidente Tancredo Neves até o Cecap, foi preciso vencer uma ação movida pela Estrada de Ferro Sorocabana, removendo as famílias que ali viviam para o Jardim Presidente Dutra. Uma vitória foi receber indenização pelas áreas públicas ocupadas pelo Aeroporto. “Após entrar com ação contra o Governo do Estado, a solução veio no governo Fleury, com intercessão do Quércia. Guarulhos recebeu muito dinheiro, vital na ocasião”.

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Se pudesse retroceder, afirma que escolheria a mesma carreira novamente, “porque o advogado exerce uma função que faz parte da vida em sociedade. É atividade essencial, porque é inerente ao ser humano discutir direitos e obrigações”. Demonstra estar feliz por seus dois filhos, Reinaldo Júnior e Vivian, terem também abraçado a profissão: “Direito é apaixonante, porque nos permite proporcionar a muita gente uma expectativa de vida melhor”, conclui.

Deixa uma mensagem ao jovem que está definindo qual carreira seguir: “deve-se procurar fazer o que se gosta, com muita dedicação, mesmo que financeiramente não seja o melhor. Senão, a pessoa não se encontra no que faz e terá uma vida sofrida”.

 

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