Diretora da EE Alice Chuery desabafa em entrevista

Lucy da Silva, diretora da Escola Estadual Profa. Alice Chuery, esteve na Redação do Click Guarulhos para dar um depoimento sobre como está se sentindo desde que sua unidade foi ocupada pelo movimento contrário à reorganização escolar.

Desde a manhã de terça-feira, quando a escola se preparava para que fossem aplicadas as provas do Saresp, ela passou a viver “em estado de guerrilha”. Lucy conta que alunos que iriam prestar a prova começaram a entrar pela rua Serra do Salitre, mas entraram também alguns alunos da unidade que queriam que a escola fosse ocupada. Do outro lado, na rua Antonio Camargo, manifestantes estranhos à escola, membros da Apeoesp e de partidos políticos começaram a gritar, bater no portão da secretaria provocando um clima de tensão, medo e preocupação.

A seguir, os alunos que prestariam a prova se misturaram com os que queriam ocupar a escola, assim como os professores (minoria por ser 06h50). Alunos e professores que não queriam participar da ocupação queriam sair, porém houve resistência da gestão em abrir as portas para que os membros do sindicato não entrassem.

“Estranhei que tenham resolvido ocupar o Alice, porque nas reuniões que fizemos com as famílias, praticamente não houve resistência à reorganização, Expliquei que estamos com salas ociosas para 2016, temos muitas vagas e será garantida a quantidade de alunos por sala (35 obedecendo a Lei). Temos 22 turmas do ensino médio, 15 no período da manhã e 7 à noite; essas turmas irão para a E. E. Vereador Antonio de Ré., e as turmas do Ensino Fundamental II virão para o Alice. Só houve resistência de duas mães, justamente as que apoiaram e ajudaram o pessoal do movimento a ocupar a escola”, relatou.

Indagada se não haverá superlotação, ela disse que não, pois há dez salas ociosas. E acrescentou que neste ano não há período noturno no Antonio de Ré, mas haverá em 2016, por conta dos alunos do Alice Chuery que irão para lá.

Quanto aos alunos do 3º Ano do Ensino Médio, ela contesta afirmação de membros do movimento de que não serão prejudicados. “Tivemos três meses de greve. Sem as aulas que eles deveriam ter nesses dias de ocupação, não será possível concluír o ano letivo em 2015. As notas só poderão ser fechadas em 2016. E isso atrasará os históricos escolares. Quem tiver de se matricular em faculdade terá problemas, sem dúvida”, esclarece. .

Para buscar uma solução para o impasse, está sendo convocada uma Assembleia com pais, alunos e professores, na terça-feira, a partir das 18h, na própria escola. “Se os ocupantes não permitirem que façamos dentro da Unidade, faremos na rua, mas temos de apurar efetivamente o que pensa a maioria dos pais e alunos. E a vontade da maioria tem de ser respeitada, isso é democracia e não a minoria ocupar o espaço que é de todos”, argumenta.

Mas, então, perguntamos a ela: “Se apenas alguns estavam a favor da ocupação, por que entende que ela aconteceu?”. Ela pensa, fica na dúvida entre dizer ou não, e resolve desabafar: “Olha, eu vou dizer. Pode publicar. Nunca fui omissa. Não é agora que vou me omitir. Quero deixar claro que não sou adepta do PSDB; já fui do PT, mas me decepcionei. Não quero me envolver com política partidária. Mas entendo, ao contrário do que dizem que fomos pegos de surpresa; não é verdade, pois a reorganização já vinha acontecendo desde que o Ciclo I foi separado dos outros ciclos onde foi observado um avanço. As orientações sobre a reorganização nos foram apresentadas pela Professora Maria Aparecida N. Barretos; levamos a discussão para as Unidades e tentamos discutir, até refletir essa mudança com os pais, porém, praticamente fomos impedidos por conta da pressão sofrida pelos membros do sindicato que, para piorar as coisas, de forma irresponsável, vêm incentivando alunos a participarem de protestos, manifestos e dessas ocupações, onde não sabemos se estão autorizados pelos pais/responsáveis. Não sei quais exatamente e são poucos alunos que estão lá ocupando o Alice, mas em geral os que agem assim são os que não têm nota em quase nenhuma disciplina, os que não estão mesmo querendo estudar. E, para fazer uma análise bem fria, os professores que mais reclamam da falta de estrutura, de que ganham mal, de que não têm incentivo, são os que menos se dedicam à Educação, os que menos trabalham, tiram licenças e mais licenças, são faltosos e descomprometidos com os alunos. Se todos se dedicassem como a maioria se dedica, a qualidade do ensino estaria bem melhor. Sinto ter de dizer isso, mas é a pura verdade!”, concluiu.