Por Mateus Petri

Quando foi lançado em 2014, Guardiões da Galáxia era tido como a aposta mais arriscada do Marvel Studios até então. A produtora se encontrava em uma zona de conforto que se iniciou em Homem de Ferro e se consolidou em Os Vingadores, mas foi com o primeiro filme de Guardiões que o estúdio se deu conta de que podia contar histórias que fossem mais “fora da caixinha”. De uma forma inesperada, o longa caiu nas graças dos fãs com extrema facilidade ao retratar um universo colorido, vibrante, divertidíssimo e regado a ótimas músicas. E então, três anos depois, ganhamos de presente Guardiões da Galáxia Vol. 2, a prova definitiva de que o universo cósmico dos filmes da Marvel é o que ela tem de melhor para mostrar nos cinemas hoje em dia.

Neste longa, continuamos a acompanhar a jornada de Peter Quill (Chris Pratt), Gamora (Zoe Saldana), Drax (Dave Bautista), Rocket (Bradley Cooper) e Groot (Vin Diesel) pouco tempo depois do término do primeiro filme. Agora, os Guardiões trabalham resolvendo problemas por toda a galáxia enquanto procuram pela real ascendência de Peter Quill.

 

De forma simples e direta, o diretor e roteirista James Gunn condiciona a história do filme ao belo desenvolvimento de seus personagens. Neste caso, não há um personagem que se sobressai, pois todos estão em perfeita harmonia. Se um não é tão importante para o desenvolvimento da história quanto o outro, é recompensado ao protagonizar cenas e situações marcantes. Sim, Peter Quill é o mais importante dentro do enredo, pois a descoberta da identidade de seu pai, Ego (Kurt Russel), bem como a relação entre os dois é o principal motor da história, mas todo o resto tem sua boa dose de protagonismo. Rocket divide cenas muito especiais com Yondu (vivido pelo ótimo Michael Rooker); Drax e Mantis (Pom Klementieff) nutrem uma relação entre si tão cômica quanto emocionante; Gamora e Nebula (Karen Gillian) vão mais a fundo nas complicadas questões familiares que dividem; e Groot (agora baby!) continua com a sua presença engraçada e fofa.

A trilha sonora, mais uma vez, foi um tiro certeiro. Artistas como Geroge Harrison, Fleetwood Mac, Glen Campbell e Cat Stevens emprestam suas músicas para James Gunn usá-las primorosamente. Em Guardiões 2, as canções são muito melhor contextualizadas, não fazendo apenas parte da identidade do filme e dos personagens, mas resumindo em segundo plano o que acontece em tela.

Um notável avanço que Guardiões 2 também teve em relação ao filme original é na parte técnica e visual. Os efeitos visuais estão mais grandiosos e o 3D é muito melhor trabalhado, principalmente nas cenas de perseguição de naves e nos planos que retratam o espaço. Tudo é muito mais colorido, brilhante e refinado. Um filme em que a maior parte das cenas são feitas em computação gráfica, corria-se o risco te tudo parecer extremamente falso, mas o esmero com que o trabalho é feito faz com que a  passe longe desse erro.

Grande em escala, mas focado no desenvolvimento de seus personagens, Gurdians Of The Galaxy Vol. 2 (no original) se torna a joia mais preciosa que o Marvel Studios tem em mãos. O filme não se presta a fazer conexões com os outros longas da Marvel ou preparar o terreno para o vindouro Vingadores: Guerra Infinita, pois se resolve muito bem dentro de seu próprio universo. Cheio de referências e easter eggs (e com incríveis CINCO cenas pós-créditos), o filme é eficiente em fazer o que cinema sempre deve fazer: entregar entretenimento de boa qualidade.

Nota: 10/10