Legenda: Dr. Lauro de Souza Lima em frente ao Sanatório Padre Bento. Sem data. Acervo: http://cafehistoria.ning.com

por Renata Fontes

Alguns fatos me levaram a escrever este texto como o artigo do Thiago Guerra sobre o não reconhecimento do Dr. Lauro de Souza Lima, a Copa do Mundo no Brasil, a exposição “Futebolando a História” e o meu grande interesse pela história do Complexo Hospitalar Padre Bento (antigo Sanatório Padre Bento).

O estádio, escondido atrás do hospital, ao lado de uma ruazinha de paralelepípedos, em frente ao teatro, é um dos patrimônios históricos tombados pelo Condephaat em nosso município.

Com seu portal imponente na sua simplicidade e uma arquibancada de madeira no estilo inglês do início do século 1920, é o local de encontro de diversos campeonatos dos times de várzea. Quem passa por lá aos domingos se depara com uma grande movimentação – expectadores, muitos jogadores, aquele burburinho e alegria que os jogos de futebol de várzea causam na vida das periferias das cidades.

Frente do Estádio que fazia parte do Complexo do Sanatório Padre Bento. Data 13/06/2009. Acervo: AAPAH/Bruno Leite de Carvalho

Em seu início era apenas um dos locais de entretenimento dos internos do Sanatório Padre Bento (o mesmo contava com outros espaços como o Cine Teatro, igreja, escola, e a famosa “Pérgola dos Namorados”), que tinham sua internação compulsória determinada por uma lei federal, lei essa posta em prática com muita eficiência no Estado de São Paulo.

O Dr. Lauro em uma matéria da Folha da Manhã publicada em 22/01/1949 faz um pronunciamento preocupado com a exclusão de seus pacientes. “Os pacientes só são devolvidos ao convívio social, quando longamente provada a sua cura. A sociedade prestaria, pois, grande benefício se confiasse na eficiência do tratamento e, consequentemente, aceitasse com maior compreensão os egressos dos Sanatórios.”

Apesar dessa lei de internação compulsória e do tratamento doloroso e desumano dados aos pacientes, havia um médico que é reconhecido pelos ex-internos como “pai”, médico esse que praticamente morava no sanatório. Responsável por introduzir no Brasil um novo tratamento que proporcionou o início de uma nova etapa para os pacientes. Apesar das opiniões conflitantes sobre o tratamento ainda com muitos preconceitos, devemos sim uma justa homenagem, em nome dos pacientes que receberem seus cuidados, e aqueles que hoje não são privados de uma vida em sociedade.

O Dr. Lauro de Souza Lima, que era diretor do departamento de profilaxia da lepra do Estado de São Paulo e consultor científico da ONU, viveu entre 1903 e 1973. Para os internos do Sanatório Padre Bento, o médico referência no tratamento da lepra, era simplesmente como um pai. O campo de futebol batizado com o nome do doutor preserva a memória de quem trouxe alivio ao sofrimento dos internos daquele local.

*Geógrafa, membro da AAPAH – Associação Amigos do Patrimônio e Arquivo Histórico