Eliana Mesquita

Formada em Psicologia, pela Universidade de Mogi das Cruzes, com especialização em Psicologia Infantil pela PUC-SP, Eliana Mesquita não poderia imaginar o quanto a escolha dessa profissão teria uma importância adicional em sua vida.

Ela atuava em seu consultório e também na Prefeitura de Guarulhos como psicóloga. Eliana tem dois filhos, Gustavo, hoje com 37 anos, e Leandro, com 35. Sua experiência atendendo crianças fez com que percebesse no filho mais novo, logo no início, algumas características de comportamento. Ao comentar com familiares, acharam que devia ser imaginação dela, que o menino nada tinha de diferente. A sensibilidade de mãe, porém, fez com que ela buscasse informar-se mais, buscasse ajuda e o diagnóstico confirmou sua suspeita: Leandro tem o chamado Transtorno do Espectro Autista.

Ela explica que muitas pessoas não têm noção de como é esse transtorno. Na época, muitos profissionais classificavam genericamente como deficiência mental, mas o transtorno do autista é no convívio social, na adaptação a alguns ambientes e situações. Houve nos quais a sinceridade extrema do filho a fez passar constrangimentos, pois às vezes as pessoas não entendem do que se trata. Por isso, acha importante relatar sua experiência, incentivar outras mães a procurar auxílio e orientação. “A intenção comum é a de tentar adequar o jeito de ser do autista à família, ao meio em que vive. Mas, tem de ser o inverso: a família e o meio precisam adaptar-se ao autista”, ensina. Acrescenta ser mais fácil agradar os autistas com coisas e ambientes simples, pois eles não se sentem à vontade em locais sofisticados, nem vestidos solenemente, pois têm dificuldade para entender o motivo de usar uma roupa que não lhes seja ou pareça confortável.

Quando Eliana sentiu que precisava dedicar-se ainda mais, não reunia condições de atuar como antes na Psicologia. Durante alguns anos, auxiliou como pôde na loja de seus pais, Álvaro e Lygia, a Comercial Mesquita. E foi criando a estrutura adequada para que Leandro pudesse ter condições de viver tão bem quanto fosse possível. Conta que, logicamente, teve de desdobrar-se para cuidar também de Gustavo, acompanhar sua adolescência, oferecer o ombro que todo filho requer da mãe.

Recentemente, Eliana ganhou do filho Gustavo a alegria de ser avó da Lara e a honra de vê-lo tomar posse como novo presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo. “Meus filhos são dois extremos em minha vida, duas bênçãos”.

Afirma seguir princípios cristãos, com fé e a esperança de que tudo passa e as soluções aparecem. “A grande âncora que me alicerçou foi a família de onde vim, tanto do lado materno quanto paterno. Pode parecer conto de fadas, mas é real, pois nunca assisti discórdia, testemunhei o amor que meus pais tinham um pelo outro, o respeito pela vida e a vontade de viver, além dos bons exemplos. Vivi cercada de amor e esse é o ingrediente que faz superar todos os desafios, assumir tarefas para administrar a vida da família. Diante da dor, há dois caminhos: entrar em depressão ou tornar-se forte”, revela. Conclui dizendo que sempre escolhe levantar a cabeça e seguir: “Tenho de gostar de mim, me cuidar, para ter condições de ampará-los melhor.”