Empresa dos EUA apresenta transporte do futuro hoje em Guarulhos

Nesta terça-feira, às 15h, no hotel Mônaco, no Centro de Guarulhos, será apresentado à Imprensa local um projeto inédito de transporte de passageiros em cápsulas, por uma empresa norte-americana de tecnologia.

A iniciativa é da Secretaria de Desenvolvimento Científico, Econômico, Tecnológico e de Inovação (SDCETI), da Prefeitura de Guarulhos. A apresentação será feita pela Hyperloop Transportation Technologies (HTT), que possui escritórios em Dubai, França e Espanha, entre outras importantes localidades.

O projeto da HTT utiliza tecnologia patenteada de levitação magnética passiva dentro de tubos despressurizados, permitindo alcançar velocidades de até 1,2 mil quilômetros por hora e com capacidade de cerca de 160 mil passageiros diários. O projeto garante maior mobilidade e segurança para transportar pessoas e cargas, utilizando energia 100% renovável e com valores de passagens mais acessíveis do que os cobrados em pontes aéreas. Com negócios assinados em outros sete países, como Índia e Coréia do Sul, a HTT planeja colocar o Brasil na corrida para ser a primeira potência a iniciar a construção do Hyperloop.

De acordo com a SDCETI, “a apresentação da Hyperloop Transportation Technologies na cidade é mais uma confirmação da mudança no município, ancorada em inovação e conhecimento, uma vez que a HTT procura se aproximar de governos e construir parcerias com agentes que compartilham sua visão de progresso e futuro.”

Para entender como poe vir a funcionar o projeto, que ainda não foi instalado em nenhum lugar do mundo, mas tem diversos possíveis investidores interessados, acesse o vídeo de demonstração do transporte: https://drive.google.com/file/d/1NOd8Bwdy5-5DSgnO6tXRzlSRzglvURFn/view

CONTRAPONTO

Soa como obra de ficção um transporte de massas como esse em uma cidade que:

1) ainda sonha com a possibilidade de um dia vir a ter uma linha de metrô pelo menos chegando a Guarulhos;

2) está para receber uma linha de trem com duas estações, mas que sequer chegará efetivamente ao Aeroporto e, do outro lado, ligará apenas à estação Engenheiro Goulart, na Zona Leste, e, quando muito, às estações Brás e Luz da CPTM;

3) tem grande parte da população sofrendo diariamente em ônibus superlotados;

4) vez ou outra, como aconteceu nesta segunda-feira, convive com paralisações no transporte público, por atrasos nos pagamentos de funcionários, decorrentes de não pagamento em dia dos subsídios às empresas operadoras pela Prefeitura;

5) tem parte considerável de sua malha viária tomada por buracos e por remendos tão malfeitos ao longo de muitos anos, que demandariam completa repavimentação para serem transitáveis com algum conforto.

6) tem uma malha viária parada no tempo, incompatível com o volume de construções que recebeu nas últimas décadas;

Enfim, que seja bem-vindo o transporte do futuro, mas que tenhamos em um futuro bem mais próximo e mais palpável um mínimo de qualidade no que diz respeito à mobilidade.

Valdir Carleto