Por Cris Marques
Fotos Banco de imagens e Divulgação

Você já parou pra pensar que seu intelecto cria uma imagem mental para tudo que você vive, vê ou sente, e que isso influencia diretamente na forma como você reage a determinadas situações de sua vida? Uma fobia ou o medo de viajar de avião, por exemplo, é a representação do que foi criado para aquela experiência. Agora, imagine se fosse possível apagar ou alterar essa imagem para uma que atuasse a seu favor? Pois é exatamente isso que a PNL faz. A sigla, que significa programação neurolinguística, representa o método criado, na década de 70, pelo matemático e programador de computadores, Richard Bandler, e pelo linguista John Grinder. Por meio dele é possível estudar a estrutura subjetiva da experiência humana e seus padrões, criados pela interação entre a mente (neuro) e a linguagem (linguística), e utilizar esses processos para ressignificar crenças e imagens limitantes; promovendo evolução pessoal, transformação de comportamentos, crescimento profissional e melhora na capacidade de influenciar e motivar pessoas.
Para entender melhor a atuação da PNL, basta usar a analogia de que o corpo humano é uma máquina. Dessa forma, o cérebro (parte física) seria o computador central, o hardware. Já os pensamentos e o comportamento seriam os softwares, instalados para que o primeiro possa interpretar os dados recebidos. Partindo desse exemplo, fica mais fácil pensar em reprogramação mental, pois assim como é possível formatar, editar e apagar arquivos de um PC, o mesmo pode ser feito com o inconsciente.
Ricardo Reis, master practitioner em PNL, formado em marketing e com formação internacional em hipnose Ericksoniana, comunicação sistêmica e clínica, da empresa Via PNL, explica que essa metodologia oferece modelos que auxiliam no entendimento do ser humano e possibilitam a identificação das limitações e suas causas. “Nosso cérebro pode ser nosso melhor amigo ou pior inimigo, depende da relação que temos com ele. Todas as imagens que criamos geram imediatamente sensações. A questão é: que tipo de sensações você prefere ter durante o seu dia? Conhecendo seu funcionamento, podemos modificar esse estado emocional”.

photoA busca pelo método
Normalmente, o público que procura por um treinamento ou atendimento de PNL é composto por empreendedores, pessoas que buscam autoconhecimento, mudanças, superação ou uma melhora na vida pessoal ou profissional. Mas, qualquer um que queira desenvolver sua percepção, exercitar mais a memória, superar seus limites ou atingir objetivos específicos pode se beneficiar. De acordo com Willian Lin, head trainer e facilitador do Instituto i9c, que alia coaching e PNL em treinamentos de liderança inspiradora, programar o cérebro é muito vantajoso. “As técnicas deste método são altamente aplicáveis para o crescimento pessoal. Inclusive em questões complexas como a depressão, vícios, fobias ou em comportamentos mais simples, como resistência para prática de exercícios ou dificuldades para estudar. As mudanças são objetivas e podem ser percebidas em um curto período de tempo, pois elas agem pontualmente nas estruturas ou registros inconscientes relativos àqueles padrões que se deseja mudar. Já na vida profissional, é possível estabelecer sintonia e afetividade com um cliente ou eliminar padrões de sentimentos e comportamentos indesejados, como a timidez, para conseguir se comunicar melhor em uma entrevista de emprego ou uma apresentação empresarial”.

Formatando a máquinaIMG_9511 copy
Na prática, da mesma forma que uma fobia é “instalada”, ela pode ser “desinstalada”. Assim como um hábito que foi aprendido pode ser “desaprendido”. O personal e professional coaching, head trainer e master em PNL, Douglas Maluf, afirma que, por meio da PNL, é possível utilizar a linguagem do cérebro para conseguir mudanças rápidas, profundas e significativas, além de resultados consistentes. “A primeira tarefa da PNL é ensinar para a pessoa o que a leva a praticar determinado hábito ou comportamento, ou seja, a intenção positiva do mesmo. E, ainda, quais imagens mentais, sons, vozes e diálogos internos estão na mente dela, momentos antes de executar a ação. Após esse entendimento, outras técnicas são utilizadas para ampliar as percepções relacionadas àquela prática. São elas: gerador de novos comportamentos, alinhamento de níveis neurológicos e neuroassociações. Exemplificando, desmontamos aquela estratégia da pessoa e colocamos novas e melhores opções no lugar do que gerava/desencadeava o comportamento indesejado”, conta ele que atua com treinamentos, palestras e coaching.

DSCN8290Eficácia no resultado
Ricardo Reis defende que mais do que a duração da prática, o importante mesmo é a vontade e o comprometimento de quem procura pela PNL. “Fobias de baratas, elevador, lugares fechados, ansiedade e medo de falar em público são muito comuns. Normalmente, em duas sessões o problema é resolvido com tranquilidade. Já um caso de abuso sexual pode ser superado em curto ou médio prazo”. Inclusive, o método pode ser aplicado também no auxílio da cura de doenças, ou melhor, na forma como um enfermo lida com essa condição. “Nossos pensamentos geram sensações que são distribuídas pelo nosso corpo e resultam em reações fisiológicas. É comum investigarmos a vida de uma pessoa que está com um câncer, por exemplo, e percebermos que houve uma grande mágoa, traição ou humilhação que permaneceu mal resolvida. Creio que todas as doenças têm em sua raiz uma somatização de pensamentos ou sentimentos.”

O perfil de cada um
De acordo com Willian, o mundo externo chega até o cérebro por meio dos órgãos que comandam os cinco sentidos, visão, audição, olfato, paladar e tato; e, a partir daí, é processado e interpretado como informação. A PNL agrupa isso em três sistemas representacionais: visual, auditivo e cinestésico e entender com qual perfil uma pessoa se identifica mais, pode modificar a forma como ela interage e se comunica e até em que habilidades ela pode apostar mais para se diferenciar nos estudos, na vida e na profissão.

» Você é visual, auditivo ou cinestésico? Descubra no exercício de linguagem abaixo:
Escolha apenas uma alternativa para cada questão e anote; ao final, conte a maioria das respostas e confira seu canal predominante.

O que é mais importante na hora de se vestir para um grande evento?
A – Um visual bonito e arrojado, que chame atenção.
B – Construir uma imagem condizente com a sua personalidade.
C – Estar elegante, mas com total conforto.

A sua casa ideal é:
A – Bonita, bem iluminada e decorada com estilo.
B – Tranquila e silenciosa; um lugar para relaxar e ficar em paz.
C – Bastante espaçosa, confortável e segura.

Qual dos conjuntos de palavras a seguir mais lhe agrada?
A – Brilhante, horizonte, revelar.
B – Harmonia, sussurro, ecoar.
C – Perfume, suave, sentir.

No trabalho, você prefere que seu chefe lhe passe orientações sobre uma tarefa:
A – Por escrito. Via e-mail é uma boa ideia.
B – Verbalmente, mesmo que seja por telefone.
C – Pessoalmente, com demonstrações práticas do trabalho a realizar.

Para você, quais gestos demonstram mais carinho?
A – Presentes e flores.
B – Palavras doces e frases de apreço.
C – Um abraço forte e um beijo.

Respostas:

  • Maioria A, visual
    Uma pessoa rápida, ansiosa, agitada e impulsiva; por vezes, mandona, franca e sincera. Possui a capacidade de desempenhar várias tarefas ao mesmo tempo e gosta de prazos e metas.
  • Maioria B, auditivo
    Calmo, tranquilo e ponderado. Ouve mais do que fala e tende a ser detalhista, organizado, tímido e perfeccionista. Gosta de cálculos, tabelas, gráficos. Prefere o previsível e a rotina.
  • Maioria C, cinestésico
    Gosta de contato. É uma pessoa social; adora pessoas, aparecer em eventos e se comunicar. Não é muito organizado, porém é extremamente criativo, extrovertido e se dá bem trabalhando em grupo.


Histórias de superação

Douglas atendeu uma funcionária de uma multinacional que sentia um medo exagerado de viagens de avião, o que atrapalhava seu desempenho profissional e também as viagens em família. “Era um medo que a incomodava por muitos anos. Em apenas duas sessões, realizadas em uma única semana, com as técnicas da PNL, ela conseguiu superar isso”. Já Ricardo exemplifica o uso do método com o atendimento que fez a um homem de 43 anos que não conseguia entrar em nenhum mercado, passando mal ainda no estacionamento do local, com tremores e vontade de chorar. “Na sessão, descobrimos que, na infância, ele era deixado no carro sozinho toda vez que sua tia ia fazer compras. E ele ficava lá com a empregada, sentindo-se triste e abandonado. Ele não se lembrava disso até o atendimento, apenas tinha essa sensação de desespero. Apliquei uma técnica conhecida como ‘cura rápida de fobia’ e adivinhe? Ele saiu do atendimento, foi direto ao mercado e, extremamente feliz, comprou vários chocolates. Enfim, libertou-se.”, finaliza ele.