Entidades de caminhoneiros afirmam que nova greve é boato

Grupos de WhatsApp vêm apregoando a deflagração de uma nova greve de caminhoneiros, a partir deste domingo ou de segunda-feria, 3.9

Porém, em entrevista ao portal R7, da TV Record, lideranças do setor negam essa possibilidade e atribuem a notícia a boatos espalhados por pessoas mal-intencionadas. Os áudios seriam de três meses atrás e teriam sido “ressuscitados”.

“Quem diz que vai haver uma outra greve definitivamente não quer o bem do setor”, pondera Claudinei Pelegrini, presidente da Fecam (Federação dos Caminhoneiros Autônomos do Estado de São Paulo). Ele foi uma das lideranças que negociou as reivindicações da classe com governo federal durante a greve que parou o país em maio.

“São áudios de intervencionistas. Nós não discutimos mais com o governo Temer, que está terminando. Se houver qualquer debate, será com o próximo presidente”, diz. “O que nós não podemos aceitar é que, num momento importante como este, em que observamos verdadeiras mudanças no setor do transporte de cargas, pessoas alheias à nossa área usem os caminhoneiros como massa de manobra para pressionar os políticos”, reforça o presidente da Fecam.

Quem também afirma que a possibilidade de nova greve agora é remota é o residente da Fenacat (Federação Nacional das Associações de Caminhoneiros e Transportadores), Luiz Carlos Neves: “Eu também recebi esses arquivos, mas não existe nada de concreto. Há discordâncias dentro da categoria e eu não acho que esse seja o momento de parar. O Temer sancionou as leis em relação àquilo que foi reivindicado”.

Reivindicações de maio

No dia 27 de agosto, o presidente Michel Temer converteu em lei as medidas provisórias do pacote de ações negociadas com caminhoneiros em maio. A primeira delas estabelece a isenção de de pedágio para os “eixos suspensos” — como são chamadas as rodas das carretas que não tocam no chão quando o caminhão está vazio. Antes, o benefício valia apenas nas rodovias federais. Agora, passa a vigorar também nas vias estaduais, distritais e municipais, inclusive as concedidas.

“Um caminhão que vai do interior de São Paulo até Santos hoje economiza cerca de R$ 3 mil só pelos eixos erguidos. Isso é o valor da parcela de um caminhão novo”, diz Pelegrini.