Conteúdo polêmico e um administrador irreverente é a receita para uma página de sucesso que diverte muitos guarulhenses. A Guarutrolls ironiza acontecimentos da cidade e através das duras críticas com pitada de humor negro, arrebanhou 70 mil curtidas.

O Click foi buscar conhecer um pouco mais sobre a mente por de trás de tanta criatividade. Lucas Henrique, 20 anos, nasceu e cresceu em Guarulhos. Residente do bairro da Vila Flórida, curte games, rock e tecnologia. Formado nos cursos técnicos de administração e informática, ele cursa, atualmente, Ciência da Computação, na Universidade de Guarulhos (UNG). Conheça um pouco mais sobre o dono da página Guarutrolls:

1) Como surgiu a ideia de criar o Guarutrolls?

Na verdade foi um amigo que criou a página em 2012. Ele estava com dificuldade de criar o conteúdo para ela e me convidou. Desde que eu entrei na página mudei o conceito dela algumas vezes.

Claro que durante todo seu percurso teve vários erros e acertos. Já quase desisti da página, porém na vida sempre procuramos uma identidade naquilo que fazemos. A página está nesse formato de humor irônico com imagens referentes ao assunto desde outubro de 2014. Posso ter várias ideias, pois ela não tem a obrigação de ser engraçada, séria, fatos ou apenas um estereótipo barato. Isso foi um marco para a página, ganhamos muitas curtidas, somos conhecidos pela cidade toda, virou referência e com tudo isso podemos comemorar o nosso recorde de alcance a 2 milhões de pessoas!

2) De onde vem tanta criatividade?

Eu faço essa pergunta todos os dias. Minha explicação é que de verdade em Guarulhos. Todos os momentos da minha vida foram aqui: estudos, lazer, trabalho e moradia.
Sempre preferi andar pela cidade do que usar um carro ou ônibus, pois sempre fico observando ao redor os detalhes que passa despercebido na rotina do guarulhense. Sempre conheço pessoas novas, com seus estereótipos sobre a cidade, como, por exemplo, falar mal do Pimentas, costumes dos mais velhos de ir ao centro e dizer: “Eu vou para Guarulhos!’ e pelos próprios (e muitos) problemas que a nossa cidade têm.

3) Como você lida com os que não entendem as brincadeiras?

Aqueles que fazem uma crítica construtiva para a página sempre respondo de maneira educada, porém quando a pessoa sai do racional e começa a criar algo referente a minha pessoa eu sempre ignoro.  Não adianta tentar discutir pois elas são orgulhosas e não vão mudar a opinião. Então elas preferem inventar que sou playboy, racista, machista ou qualquer outra coisa para ter um mínimo de argumento contra a minha pessoa.
Realmente hoje as pessoas estão se sentido ofendidas por qualquer coisa. Elas tem que entender que estereótipos sempre vão existir; por mais absurdo que seja.

4) É só um hobby?

Nunca ganhei nada e também não tenho intenção de colocar propagandas na página. As pessoas vão se incomodar. E também quando você se prende a isso, tem que censurar seu conteúdo para não falar algo que seja polêmico e fique associado a empresa que está fazendo propaganda. Prefiro ter um conteúdo livre aonde posso falar o que eu quiser.

5) Já sofreu algum tipo de ameaça?

Isso virou uma rotina. Porém teve dois casos específicos que nunca esqueço.
No começo desse ano, fiz alguns posts ironizando a marcha das vadias que aconteceu em Guarulhos. Um rapaz que talvez fazia parte desse grupo, começou a postar algumas ameaças em seu perfil e sempre tentando me encontrar pelas redes sociais. Até que um dia ele conseguiu uma foto minha em um perfil antigo do Twitter e começou a divulgar a foto para que pessoas que concordassem com ele me agredissem na rua. Então eu denunciei o uso da minha foto e bloqueei ele na página. Realmente a esquerda é paz e amor até você ter uma opinião contrária

A outra foi em 2012 quando eu ironizei a candidatura de um homem que se vestia de palhaço e queria ser deputado na cidade. Ele ameaçou com processo, no qual até advogados entraram em contato, porém eu apaguei todo conteúdo e ele desistiu de dar seguimento.

6) A página foi censurada pelo Facebook alguma vez?

Uma vez o meu perfil do Facebook levou um bloqueio de um mês. Durante todo esse tempo eu não poderia postar nada e, ainda, a página entrou em contagem regressiva para o banimento dela.

Tive que recorrer ao Facebook enviando vários e-mails de esclarecimentos e pedidos para que revesse o caso. Acabei enviando para o suporte nos EUA.

Isso se deu a um post referente as feministas, no qual elas estavam com os seios à mostra e acabei esquecendo de censurar isso. Para ajudar, aqueles que não gostaram daquela sátira, aproveitaram para denunciar a página.

No fim de tudo consegui que o Facebook voltasse atrás na decisão e apaguei os posts que fizeram muita polêmica naquele momento.