Por Valdir Carleto
Fotos: Rafael Almeida

William Cotrim Paneque assumiu a presidência da ACE (Associação Comercial e Empresarial) Guarulhos em evento no Esporte Clube Vila Galvão, encabeçando chapa que inclui o grupo que disputou a eleição anterior

 

Onde nasceu, quando e por que veio para Guarulhos?

Nasci na ProMatre, em São Paulo, mas vivo aqui desde então, pois minha família já residia em Guarulhos.

Quando seus pais vieram para cá?

No fim dos anos 1960.

Qual sua formação?

Sou formado em direito nas Faculdades Integradas de Guarulhos (atual FIG-Unimesp), com pós-graduação em direito público.

Há quantos anos é empreendedor e em quais áreas de atividade?

Iniciei como vendedor de autos seminovos na Senap. Em 1997, quando saí de lá, era gerente de vendas, montei uma loja de automóveis. Depois de algum tempo, há seis anos, passei a atuar também na área de imóveis, na qual continuo, fortemente, com Creci, tudo direitinho.

Como surgiu o Instituto Recicla Cidadão e por quê?

Sempre procurei participar de iniciativas que agregassem valor à sociedade. Atuei na vida estudantil. Entendo que, em vez de só apontar problemas da cidade, ou agir de forma assistencialista, precisamos contribuir para as melhorias e enxerguei na reciclagem de materiais uma forma de ajudar a melhorar Guarulhos no que diz respeito ao meio ambiente. Na minha pós-graduação, notei a existência de um grande gargalo social em relação aos catadores, seres humanos que estão há tanto tempo prestando um serviço imprescindível e que não são valorizados por isso. Entendi que poderia mostrar trabalho e assim agir na política de um jeito prestativo e diferente. Montamos o Instituto Recicla Cidadão em 2007, consegui adequar meu fundo de comércio a isso e começamos com 15 a 20 famílias, com o intuito de inserir o catador de uma forma mais digna no trabalho de coleta seletiva do lixo e fazer um trabalho de conscientização da população e de empresários para separar os materiais recicláveis para serem coletados, bem como demos destinação final ao material. Chegamos a envolver 5.800 famílias em 22 bairros, com classes sociais diferentes.

E agora, como está?

Nós auxiliamos o poder público local na elaboração do Plano Municipal de Resíduos Sólidos, fazendo com que Guarulhos fosse uma das pioneiras nesse sentido, mesmo a Prefeitura não nos ajudando e ainda tentando desidratar o trabalho, como se fosse um projeto social, mas não, é um projeto da cidade. Quisemos romper o paradigma, fazer com que o catador fosse respeitado, criando uma rotina na vida das pessoas, que já sabiam que naquele dia o caminhão passaria para recolher o material. Infelizmente, depois nós tivemos de reduzir a atividade, porque não suportamos mais os custos, que sempre ficaram além do que se consegue arrecadar. É como se fosse o SUS, que tem de atender a todos indistintamente. Retirávamos todo material, fosse algo vendável ou não, mas aí a conta não fecha. Retiramos 17 mil toneladas de lixo reciclável da cidade, sem nenhum apoio oficial. A Secretaria de Serviços Públicos definiu que os que produzem muito lixo orgânico terão de pagar dois reais por quilo: dá para avaliar o quanto nós colaboramos com a cidade. Atualmente, são duas mil famílias que se habituaram a separar o lixo reciclável, levam até o Instituto e nós encaminhamos para a cooperativa mantida pela Prefeitura. Estamos fazendo a nossa parte, mas o espaço está subutilizado e não há mais os cursos que mantínhamos.

Cooperativas conseguirão absorver todo material reciclável?

Não sejamos puristas. Isso só será possível se a Quitaúna, que recolhe o lixo orgânico, passar a fazer a coleta seletiva. Mas, mesmo assim, é preciso potencializar essas instituições para que elas funcionem verdadeiramente como cooperativas e não de forma a burlar direitos trabalhistas.

Desde quando engajou-se na ACE Guarulhos?

Entrevista: William Cotrim Paneque | Click GuarulhosFoi na gestão do Wilson Lourenço, porque eu havia feito uma apresentação no antigo Open Hall, ainda no tempo do Décio Pompêo. A conta do Instituto não fechava e eu precisava atingir o break even point (ponto de equilíbrio). Procurei obter apoio dos empresários que precisassem de certificação de cumprimento de metas ambientais. Wilson Lourenço me chamou e assumi como diretor de Meio Ambiente. Fizemos várias campanhas, como a do lixo eletrônico. Fizemos ações culturais nas escolas, com 20 mil crianças e isso resultou na criação do mascote Zé Coleta. Fomos protagonistas. No Colégio Mater Amabilis, foi editada uma cartilha de educação ambiental, distribuída em escolas públicas. Implantamos na sede da ACE a utilização da água de reúso e outras atitudes de sustentabilidade.

Por que resolveu concorrer à presidência da ACE?

Foi por um processo de coalizão, visando evitar o desgaste da eleição anterior. Todos imbuídos do sentido coletivo e não de ambições pessoais, conseguimos montar essa chapa de coalizão, que me conduziu à presidência da entidade.

Conciliou setores divergentes?

Membros de todas as vertentes, felizmente. Obtivemos a oxigenação da entidade, uma coalizão que se vê na formação da diretoria, democratizando a ACE, aproximando-a do associado, que é a nossa razão de existir. Tivemos na posse 230 associados, que se mostraram felizes por serem reconhecidos. Na ACE há livre adesão, não são associados compulsórios e isso demonstra representatividade. O Impostômetro, exposto em nossa fachada, mostra que estamos vigilantes quanto à aplicação do que é captado em impostos. Não somos contra impostos, mas queremos que sejam aplicados corretamente, que haja boa gestão desses recursos. Se um associado se sentir pressionado, coagido, ele pode contar com a ACE, ele estará socorrido. E temos as nossas soluções empresariais ao associado, como o Clube de Desconto, nossa Certificação Digital, soluções em telefonia, nossos cursos de gestão… Em um momento delicado da economia como agora, temos de capacitar. A Associação Comercial é o guarda-chuva do empresário.

Como estão as finanças da ACE?

A situação não é confortável, mas equacionada. Em um momento de crise como esse, não dispensamos nenhum colaborador e ainda, em respeito a eles, implantamos uma sala de conveniência estilo Google. Estamos buscando novos negócios para implementar; quero deixar essa marca.

Quais as principais bandeiras que a ACE defenderá em sua gestão?

Se temos a expertise de gerar renda, gerar empregos, por que não podemos ser chamados a discutir onde empregar os recursos que as empresas geram? O comerciante pode ter voz, ser ouvido. E queremos incrementar os serviços. Por exemplo, nossos associados podem oferecer aos seus colaboradores descontos em diversas faculdades, graças aos convênios da ACE. É uma forma de reter mão de obra de qualidade, propiciando esse benefício aos funcionários. Em resumo, a ACE entrega valor ao associado. A qualidade das gestões dos que me antecederam me permite dar um passo a mais. Desenhamos um centro de convenções, que tempos atrás pretendeu-se fazer. Pelo menos, se não conseguirmos materializar isso, pavimentaremos o caminho para que uma próxima gestão o concretize, porque uma cidade pujante como esta precisa de um centro de convenções compatível com sua grandeza. A ACE pode encabeçar um pool de investidores que viabilize isso e a cidade só tem a ganhar.

Considera o empresariado guarulhense engajado?

Acho que ele está mudando a cultura. Nas duas ações que fizemos, e fomos protagonistas no processo, não nos omitimos; houve um chamamento aos empresários no dia 13/4, por ocasião do impeachment da presidente e tivemos boa adesão. Como poderíamos nos omitir, havendo cada vez mais placas de “aluga-se” em pontos comerciais que nunca ficavam vagos? Orientamos o empresário a fechar por uma hora, para não ter de fechar as portas de vez. Cumprimos nosso papel.

Entrevista: William Cotrim Paneque | Click GuarulhosGuarulhos vem reduzindo a influência da indústria e crescendo a do comércio e serviços. Como vê esse processo?

Acredito que a cidade irá voltar a atrair indústrias, por causa da vocação logística, a localização privilegiada de Guarulhos e a conclusão do Rodoanel, que será muito útil à região.

Como está o relacionamento da ACE com as demais entidades?

Estamos buscando um estreitamento muito grande com todas; na Agende, por exemplo, a ACE é cofundadora.

Vê possibilidade de termos o sonhado Parque Tecnológico?

Acho que irá acontecer, ainda que não em um futuro tão próximo.