Escolas de São Paulo terão postos de vacinação para combater sarampo

Jovens entre 15 e 29 anos devem tomar vacina no retorno das férias - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Para tentar conter o aumento no número de casos de sarampo em São Paulo, a prefeitura paulistana e a Secretaria Estadual de Educação vão iniciar uma campanha de vacinação nas escolas públicas. A campanha terá início no dia 31 de julho, quando as escolas vão receber material de conscientização e servirão como postos de vacinação.

“A [Secretaria de] Educação está à disposição da Secretaria Municipal de Saúde. Iremos seguir o cronograma proposto e trabalharemos a conscientização de nossos estudantes e professores assim que as aulas retornarem. Também teremos postos de vacinação dentro das unidades”, disse Rossieli Soares, secretário estadual de educação.

O objetivo é vacinar jovens a partir de 15 anos, estudantes do Ensino Médio. Mas também haverá vacinação em universidades do estado a partir do dia 24 de julho, informou a secretaria.

Segundo a prefeitura de São Paulo, os primeiros casos de sarampo na cidade de São Paulo surgiram a partir de fevereiro, importados da Noruega, Malta e Israel. Desde então, a cidade já contabilizou 363 casos da doença, sendo que 226 deles foram registrados somente neste mês de julho. Em todo o estado paulista já foram registrados 484 casos de sarampo até este momento.

Devem tomar a vacina todos os jovens entre 15 e 29 anos, independente de vacinas tomadas durante a infância. A meta é vacinar 3 milhões de pessoas até o dia 16 de agosto. Embora representem aproximadamente 20% da população paulista, esses jovens respondem por cerca de metade dos casos registrados no estado.

O sarampo é uma doença contagiosa, transmitida por tosse, espirro, e tem como principais sintomas febre alta, coriza e olhos irritados.

Prefeitura pode fechar empresas que recusem ações de vacinação em SP

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, anunciou nesta segunda (22) que pode fechar empresas que recusem as ações de vacinação contra o sarampo. Como forma de controlar a doença, a administração municipal tem feito os chamados bloqueios, quando são realizadas imunizações nos locais de trabalho, estudo e residência de pessoas que foram identificadas com o vírus. Até o momento, foram registrados na capital paulista 363 casos da doença, além de 800 considerados suspeitos.

“A prefeitura pode, em última análise, fechar esses espaços que não aceitarem receber as equipes da prefeitura para vacinar as pessoas nesses locais onde já foram identificados os casos de sarampo”, enfatizou Covas ao anunciar as medidas que estão sendo tomadas para conter o avanço da doença na cidade. A presença da equipe de imunização não gera, no entanto, a obrigatoriedade das pessoas que frequentam aquele espaço de tomarem a vacina. “O local é obrigado a abrir as portas, as pessoas não são obrigadas a aceitar a vacinação”, acrescentou o prefeito.

Segundo o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, já foram feitas quase 1,2 mil ações do tipo em empresas, faculdades e condomínios, com a distribuição de 48,6 mil doses da vacina. De acordo com Aparecido, os locais que recusarem a presença das equipes podem ficar interditados por 21 dias, equivalente ao ciclo do vírus.

A meta da prefeitura é vacinar toda a população da cidade com idades entre 15 e 29 anos, mesmo os que já tomaram a vacina na vida, em um total de 3 milhões de pessoas. As doses estão disponíveis em todas as unidades de saúde, além de postos temporários montados em estações de metrô e trens.

Fake news

Covas atribuiu a circulação da doença à resistência de parte da população em se vacinar, muitas vezes pela disseminação de informações falsas. “O recrudescimento da doença em decorrência especialmente pelas pessoas terem decidido não tomar a vacina. Isso se deve também, em grande parte às fake news que têm se espalhado pela internet”, afirmou.

Para interromper o fluxo das mentiras, o prefeito disse que está tentando conseguir ajuda das empresas que administram as redes sociais. “Buscamos o Facebook, para ver se, prontamente, essas empresas conseguem ajudar o Poder Público a rapidamente estancar [a disseminação de notícias falsas]”, disse.

Surtos

A coordenadora de Vigilância em Saúde do município, Solange Saboia, disse que até o momento foram registrados diversos surtos de sarampo na cidade, causados por pessoas que vieram de outros países onde há circulação do vírus. “Temos verificado vários surtos, vindos de pessoas que trouxeram o vírus, pessoas não vacinadas de outros países em que o vírus circulava. Estamos fazendo todos os nossos esforços para evitar uma epidemia no sentido que a doença se alastre pela cidade e fuja do controle”, ressaltou.

Assista na TV Brasil:  Em São Paulo campanha de vacinação contra o sarampo segue até 16 de agosto

*Com informações da Agência Brasil