Estelionatários aplicam golpe pelo Instagram citando endereço de loja em Guarulhos

Só de uma vítima os golpistas se apropriaram de mais de R$ 4 mil - Foto: Reprodução

A jovem R.G., 29 anos, (cujo nome será mantido em sigilo a pedido dela), que mora no estado do Paraná, entrou em contato com o Click Guarulhos para checar a existência de uma suposta loja que comercializava celulares no Centro de Guarulhos. “Olá, sou do Paraná. Sabem me dizer se está loja existe aí em Guarulhos mesmo? É que comprei um iPhone XS (64GB) e até agora não chegou! Queria informações se essa loja existe nesse endereço”, escreveu ela. Fomos ao endereço e constatamos que R.G. é mais uma vítima de um golpe que infelizmente está se tornando comum nas redes sociais: o estelionato digital.

No endereço funciona uma loja de artigos para festas, a “7 Épocas”, tradicional no Centro de Guarulhos. Lá um rapaz informou à reportagem que já foram procurados por inúmeras vítimas e que inclusive receberam uma intimação para prestar esclarecimentos na polícia, apesar de não terem nada a ver com os golpistas, que indevidamente se apropriaram do endereço e colocaram no perfil da fictícia “Digineo Imports”, no Instagram. O perfil, que contava com mais de 9,5 mil seguidores, já foi removido da rede social.

R.G. confirmou que depositou, de boa fé, mais de R$ 4 mil na conta dos golpistas. “Sim, efetuei o pagamento à vista, no dia 10 de julho. Verifiquei o CNPJ na Receita Federal e constava que existia. Porém nada do produto chegar, nada de nota fiscal. Eles (golpistas) respondiam só que ‘vai chegar’. Mandava mensagem, eles visualizavam, mas depois de um tempo nem respondiam mais. Nossa, tô arrasada”, relatou ela.

Ao telefonar para se inteirar do que deveria fazer para registrar um boletim de ocorrência sobre o caso na delegacia, R. G. foi informada que “precisaria de um advogado, além de tirar prints das conversas e das capturas de tela do smartphone. Também deveria ir a um cartório, para reconhecer as provas como verídicas, e ter o laudo de um advogado para daí sim poder fazer o b.o.”, contou, indignada.

Num primeiro momento isso a desmotivou, mas em seguida ela foi à delegacia, acompanhada de uma amiga advogada, e registrou o b.o. de “estelionato e crimes contra o patrimônio”.

“Isso (a burocracia) só gera mais custos. Aí quando me explicaram tudo o que eu tinha que fazer eu desanimei. Porque punição eles nem vão ter mesmo. A ‘justiça’ infelizmente é falha”, desabafou.

Saiba como se proteger

Devido a inúmeros casos de golpes, que se espalham pelas redes sociais e, principalmente, pelos aplicativos de mensagem, conheça alguns cuidados que o usuário deve ter ao fazer compras pela internet:

Nas redes sociais: É preciso muito cuidado com as ofertas feitas em perfis do Instagram, Facebook ou WhatsApp. Desconfie sempre de promoções compartilhadas nas redes sociais e não clique em links recebidos por e-mail ou mensagem de texto. É importante consultar sempre as páginas oficiais de empresas para se certificar de que se trata de uma oportunidade real. Além disso, use software de segurança, como antivírus.

Compras pela internet: É direito do consumidor ter acesso às informações sobre a empresa com quem está negociando. O site deve conter o nome empresarial e número de inscrição do fornecedor (CPF ou CNPJ), além do endereço físico e eletrônico, e demais informações necessárias para sua localização e contato. É recomendado ligar para confirmar todos os dados.

Pesquise a reputação: Desconfie de pessoas e lojas virtuais desconhecidas que oferecem produtos pela internet, mesmo que tenham muitos “seguidores”, especialmente se estiverem com preço muito abaixo do mercado. Procure a reputação dessas lojas em sites de reclamação, como o reclameaqui. Caso não haja nenhuma reclamação contra a loja, fique atento: pode significar que o site é novo, feito especialmente para golpes.

Crime por meio da internet ou celular: Caso o cidadão tenha sido vítima de algum crime praticado por meio da internet ou por meio do celular, ele deve fazer uma captura de tela (printsreen) da mensagem, seja SMS ou e-mail, bem como da janela completa com o endereço do link malicioso. O registro de ocorrência pode ser feito em qualquer delegacia ou na Delegacia on-line.

Onde não clicar: O Procon-SP tem uma lista com centenas de sites que devem ser evitados. Consulte-a antes de fazer a sua escolha.

*Da reportagem local, acrescida com informações do Jornal O Globo