Victor Frankenstain (Victor Frankenstain – 20th Century Fox) / Crítica

Adaptada diversas vezes ao cinema, a história do monstro Frankenstain, concebida pela escritora Mary Shelley, é amplamente conhecida no mundo da cultura pop. Em cada adaptação, um aspecto diferente do monstro ganhava foco. Porém, desta vez, foi optado por retratar não a história do monstro, mas sim a do seu criador.

Neste longa, acompanhamos a história do insano Victor Frankenstain (James McAvoy), um brilhante estudante de medicina que deseja criar vida através de seu conhecimento científico. Para que tal feito seja alcançado, Victor precisa de um ajudante, e é aí que somos introduzidos a Igor (Daniel Radcliffe), uma palhaço de circo sem perspectivas de vida, mas que, assim como Victor, possui um amplo conhecimento científico.

É preciso destacar o bom trabalho de McAvoy e Radcliff. A ótima química entre os dois tornou o filme mais dinâmico e divertido. McAvoy entrega um ótimo (e extremamente insano) Victor. Como a história é contada pelo ponto de vista de Igor, é possível acompanhar toda a evolução do personagem de Victor em detalhes.

Contudo, o filme tem seus problemas. Conforme a trama evolui, as experiências de Victor começam a levantar suspeitas na polícia, assim como questionamentos sérios, como por exemplo, questões religiosas e os limites da ciência. Tais assuntos são inerentes ao ato de criar vida. O problema é que o filme não decide o que quer abordar. A indecisão entre abordar o que a religião fala sobre a criação de vida, e até onde a ciência é considerada respeitosa em relação ao mesmo feito, impede que seja estabelecida uma discussão relevante, atrapalhando até o bom desenrolar do enredo. Isso abre uma enorme brecha para eventuais incoerências. Por diversas vezes durante o filme, Victor defende que suas experiências de criar vida são um marco na história mundial da ciência, e ao final do longa, quando finalmente da vida ao seu Frankenstain, a primeira coisa que diz ao se deparar com a assustadora criatura é: “Isso não é vida”. Nos momentos em que ocorrem esses deslizes, é o bom trabalho de McAvoy que sustenta o filme.

Victor Frankenstain, ao final de tudo, se mostra um complemento convincente da famosa história que conhecemos. É um filme que, a seu modo, consegue satisfazer quem assiste, mas que muito em breve cairá no esquecimento.

 

Nota: 6,5/10

 

Crítica por: Mateus Petri