EXCLUSIVO! Diretor da Quitaúna afirma: “Saímos de cabeça erguida”

O empresário Antonio Abdul Nour, sócio da Quitaúna Serviços, falou com exclusividade ao Click Guarulhos, sobre o fim do contrato com a Prefeitura para a coleta do lixo domiciliar da cidade.

Toninho da Quitaúna, como é conhecido, disse que trabalhou em Guarulhos desde 1966 e que se sente com o dever cumprido.

“Comecei a atuar em Guarulhos no primeiro governo de Waldomiro Pompêo. Fiz várias construções na cidade, escolas, centros de saúde. Desde 1972, quando a Quitaúna começou a coletar o lixo, passamos por grandes desafios, muito trabalho. Fomos aprendendo a buscar soluções para cada problema que surgia. Fizemos investimento constante em caminhões e equipamentos, modernizando, aparelhando, evoluindo. Mas o mais importante para nós, eu e meus sócios, é a relação que temos com as pessoas. Sempre procuramos pagar bem ao nosso pessoal. Temos fama de sermos os melhores pagadores do ramo. Teve gente que chorou quando soube que íamos sair do serviço de coleta”, narra, lembrando detalhes.

Citando o carinho dos funcionários, brinca: “Tem gente que entrou aqui usando fralda e saiu usando fraldão!”, referindo-se a pessoas que trabalharam na empresa desde a adolescência e permaneceram por décadas.

Indagado sobre por que não recorreu para permanecer prestando serviço à Prefeitura, já que contava com aprovação da população, respondeu que não havia condições jurídicas para que a empresa tivesse mais um contrato emergencial. Citou sua idade, 74 anos, e que os dois sócios têm tanto ou mais, para explicar que já trabalharam muito na vida e já não têm energia para enfrentar as dificuldades que têm atravessado nos últimos anos. “No nosso ramo, não dá para acumular pendências. Quando a Prefeitura começou a atrasar os pagamentos, sobrevivemos porque durante muitos anos fizemos reservas para suportar momentos difíceis e também porque sempre tivemos crédito. Mas, acumulando meses sem receber, perdemos a capacidade de continuar investindo em novos equipamentos. Aí fica difícil, a manutenção aumenta. Nossa filosofia foi sempre oferecer as melhores condições de trabalho às nossas equipes. Então, o que pedi ao prefeito Guti foi que ele intercedesse perante a nova empresa que fosse contratada para que admitisse o pessoal que trabalhava na Quitaúna. Felizmente, a Trail é do grupo Tejofran, um grupo forte, experiente, que também tem raízes em Guarulhos; fiquei conhecendo os dirigentes e eles foram muito receptivos”, opina.

Diante da minha surpresa com a afirmação sobre raízes com a cidade, Toninho explica que o fundador do grupo Tejofran, Antonio Dias Felipe, viveu em Guarulhos há muitos anos, teve pequeno comércio na alameda Yayá e quer que a empresa substitua a Quitaúna à altura.

Comento que considero uma atitude inteligente a Trail contratar os ex-funcionários da Quitaúna, porque eles conhecem cada palmo da cidade, sendo muito úteis para a e. Toninho concorda e diz que ele e sua equipe estão fazendo tudo que está ao seu alcance para uma transição tranquila. Segundo ele, a Trail é muito bem estruturada, opera em cidades importantes, mas como assumiu um contrato emergencial, não teria como conseguir rapidamente um espaço adequado para desenvolver bem a atividade em Guarulhos. Então, durante esse contrato, utilizará a área da Quitaúna em Itapegica. Quanto aos caminhões, diz que foram vendidos por um preço “bem camarada”, porque a Trail precisava de equipamentos e não faria sentido a Quitaúna mantê-los, porque está encerrando as atividades.

Para exemplificar o quanto preocupou-se em não criar problemas para a cidade nessa transição, contou que no primeiro dia útil de janeiro, sabendo que o contrato iria encerrar-se no dia 30, deu ordem para que fosse dado aviso prévio a todos os empregados. Porém, no dia seguinte, voltou atrás, porque imaginou o clamor que isso iria causar em toda Guarulhos. Preferiu esperar que fosse definido qual seria a nova empresa e que houvesse a possibilidade de eles serem admitidos por quem sucedesse a Quitaúna. Com isso, agora está tendo de pagar aviso prévio indenizado. “A decisão nos custou caro, mas foi melhor assim do que fazer o pessoal cumprir o aviso prévio e criarmos um tumulto na cidade”, calculou.

Pergunto quantos empregados foram demitidos e estão recebendo as indenizações. Resposta: 500. Total das quitações: “muitos milhões”, responde, enigmático. Só a multa de 50% sobre o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço depositado quanto consumiu? “Alguns milhões…”

“O que nos deixa felizes é que estamos encerrando as atividades sem gerar prejuízo de um centavo sequer, à nossa equipe, fornecedores, bancos. Estamos saindo de cabeça erguida, conscientes de que fizemos o melhor que podíamos para Guarulhos. Somos muito agradecidos à população, que sempre nos recebeu tão bem. Agradecemos aos gestores da cidade que procuraram, dentro das possibilidades, colaborar para que pudéssemos prestar um serviço de qualidade; à Imprensa, que quando tinha alguma queixa da população, rara é verdade, nos encaminhava para podermos corrigir e aprimorar. Em resumo, vamos cumprir com galhardia essa transição, colaborando para que seja feita com a maior tranquilidade, sem gerar problemas para a cidade. Só temos a agradecer a todos”, concluiu.

Valdir Carleto

(ao fundo quadro de autoria de Haroldo Santos, artista guarulhense falecido recentemente)