Extasiado com o show de Guilherme Arantes

O compositor e cantor Guilherme Arantes fez shows no Sesc Guarulhos, neste sábado e domingo. Assim que os ingressos foram postos à venda, no dia 6, esgotaram-se em poucos minutos, o que demonstra o quanto ele ainda é querido pelo público.

O teatro, com mais de 300 lugares, estava lotado na noite de sábado. O carinho da plateia deixou o artista muito à vontade para abrir-se, revelar sentimentos e fazer comentários, muitos dos quais arrancaram risos e aplausos. Ele parabenizou Guarulhos por contar agora com um teatro como o do recém inaugurado Sesc e ressaltou a importância do Sistema S para a arte e a cultura em todo o Brasil. No decorrer do show, disse que se tivesse noção de que teria uma carreira tão extensa e um público tão fiel não teria cometido algumas bobagens, mas que acredita que o saldo tenha sido positivo.

Incansável, Guilherme Arantes cantou todos os seus principais sucessos, sem intervalo; já a banda descansou durante algumas músicas. “Planeta Água”, “Um dia, um adeus”, “Brincar de viver”, “Loucas horas”, “Cheia de charme”, “Raça de heróis”, “Lance legal” e “Deixa chover” foram algumas das composições que ele cantou. Em vários momentos, ele percebeu a plateia cantando e curtiu, calando-se durante alguns versos, para que a voz dos fãs sobressaísse.

Comentou que não tem como não cantar as mesmas músicas, pois muitas delas, além de sucessos, têm fortes significados e têm particular significado em sua carreira. “Tem gente que critica isso, mas como deixar de cantar ‘Meu mundo e nada mais’, por exemplo”, perguntou, iniciando a tocá-la, sob aplausos entusiasmados da plateia.

Explicando situações nas quais criou parte de sua extensa obra, Guilherme revelou que “Êxtase” foi composta quando soube que iria ser pai: “Espero que a música que eu canto agora possa expressar o meu súbito amor…”

Mencionou Tom Jobim e João Gilberto, com os quais teve contato quando morou no Rio de Janeiro. Disse de sua alegria por ter ouvido de Tom Jobim que o consagrado compositor gostaria de ter sido autor de “Coisas do Brasil”, cantando-a em seguida.

Quase no final do show, referiu-se a Elis Regina, contou momentos em que conviveu com a família da artista, com Maria Rita e Pedro Mariano quando eram crianças. Disse do quanto lamentou a perda prematura da insuperável intérprete, que gravou duas músicas que ele compôs. Para homenageá-la, cantou “Vivendo e aprendendo a jogar”.

Referindo-se ao Dia dos Pais, contou sobre o que representa para ele ser pai de cinco filhos e citou nome e idade de cada um deles, confessando estar emotivo pela data e ter alguns deles distantes por razões de trabalho ou outras.

Reservou para o final músicas animadas e alegres. Muitos fãs deslocaram-se para perto do palco, para fotografá-lo, cantar junto e até dançar, como na última, “Lindo balão azul”.

No que percebi no semblante das pessoas e pelos comentários que ouvi, o público ficou extasiado (perdão pelo trocadilho!) com o show de Guilherme Arantes, que se mostrou um artista consciente com o momento em que vive, preocupado com o meio ambiente, antenado com as novas tecnológicas e fiel a seus admiradores.

Aplausos!

Valdir Carleto