Falta de acessibilidade em estabelecimentos pode inviabilizar ponto comercial

Será que restaurantes, supermercados, agências bancárias e lojas de roupas, por exemplo, estão realmente preparados para receber clientes portadores de necessidades especiais? Barbara Kemp, fundadora da Kemp, empresa que atua com projetos e gerenciamento de obras, explica quetornar o ambiente acessível é uma premissa que deve estar no planejamento de qualquer empreendedor que irá construir ou reformar seu negócio. “Além de ser uma questão de respeito e cidadania com os consumidores, não estar adequadamente preparado para receber um cadeirante, por exemplo, pode inviabilizar o negócio do ponto de vista regulatório”, alerta.

Isso significa que o empreendedor pode ter seu estabelecimento autuado ou até mesmo fechado, se não seguir as normas de acessibilidade. “Portanto, é primordial, antes de iniciar qualquer obra, consultar a lei em vigor para identificar as exigências de acessibilidade para o ponto comercial”, reforça Barbara. Para ter ideia da importância da acessibilidade para o brasileiro, uma pesquisa realizada pelo Data Senado com pessoas deficientes aponta que, quando o assunto é lazer, a adaptação dos ambientes é vista como um fator mais importante do que a redução de custos dos produtos, por exemplo.

De acordo com a especialista, no Brasil, a norma que regula a matéria é a ABNT NBR 9050, que estabelece critérios e parâmetros técnicos que devem ser observados nos projetos como construção, instalação, adaptação de edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos que devem ser adaptados às condições de acessibilidade. “E é preciso seguir tudo com critério e bom senso”, aconselha.

Barbara ainda acrescenta que é muito comum encontrar estabelecimentos que oferecem acessibilidade – como rampas e banheiros – mas sem um planejamento e uma execução adequados.  “Muitas vezes, um erro de centímetros na medição pode causar uma série de transtornos para o usuário e o empresário. Um banheiro mal planejado, por exemplo, pode tornar inviável a passagem de um cadeirante. Será necessário refazer o que não foi executado da maneira correta, o que, certamente, renderá prejuízos ao empreendedor”, conclui a especialista.