Familiares de alunos defendem ação do diretor do Brotero e da Polícia Militar

Policial apontou arma para alunos; diretor da escola acionou PM após confusão - Foto: Reprodução de vídeo

O Click Guarulhos buscou apurar as circunstâncias que levaram o diretor da Escola Estadual Prof. Frederico Barros Brotero a chamar a Polícia na noite de quinta-feira, 4, episódio que gerou um vídeo que viralizou nas redes sociais e acabou repercutindo na grande mídia. Os comentários no Facebook se dividem: enquanto alguns criticam o diretor e a PM, muitos outros defendem que é preciso haver disciplina e que os alunos faltaram com respeito às autoridades, antes da atitude de um policial que empurrou uma estudante com a arma “não letal” (que dispara balas de borracha).

Uma mãe que acompanha filha diariamente até a escola, cujo nome será preservado por questão de segurança, revelou que o diretor, que assumiu essa unidade em 2018, vem procurando coibir abusos, como vandalismo, depredação do patrimônio público e total descontrole na questão de horários. Segundo o relato, ele se indispôs contra transportadores que demoram a buscar alunos após o fim das aulas. Chamou os pais e recomendou que exigissem dos perueiros que cumprissem os horários, pois a responsabilidade da escola termina quando os alunos saem. A partir daí, consta que passou a ser ameaçado em mensagens e chegou a lavrar um Boletim de Ocorrência.

Conta a mãe que, a cada dia, o diretor se posiciona na porta às 19h, incentivando os alunos que estão nas imediações a entrarem para a aula, mas que muitos insistem em ficar aglomerados na praça do Ipê, do outro lado da rua Jaiminho. Segundo ela, a entrada depois do horário é permitida a alunos que se sabe que trabalham e dependem do transporte público, mas vetada aos que não trabalham estão por perto e não cumprem o horário.

Na noite de quarta-feira, relata que uma viatura da PM passou pela praça, revistou jovens e flagrou porte de drogas com quatro deles. Em vez de levá-los para a delegacia, preferiram acompanhá-los até a escola, sugerindo que o diretor comunicasse às famílias o ocorrido e que os mandasse de volta para casa, o que foi feito.

Alguns jovens, porém, deram a volta e passaram a atirar fogos de artifício para dentro da escola. A viatura passava pelo local e deteve dois deles, levando-os ao DP. O irmão de um dos jovens disparou mensagens contra o diretor, acusando-o de ter chamado a Polícia, o que ele nega que tenha feito.

A partir das mensagens desse parente do aluno apreendido, foram marcados os protestos da quinta-feira, culminando com o polêmico episódio.

Outras opiniões

Outros pais e mães de alunos ouvidos pelo Click opinaram favoravelmente ao diretor. Uma mãe afirmou que a dirigente de ensino Guarulhos-Sul tem acompanhado o desenrolar dos fatos e que estava tudo em ordem ontem às 19h quando ela saiu do Brotero. Essa mãe chama a atenção para um detalhe do vídeo, no qual a aluna, antes de ser empurrada pelo policial, dirigiu-se rispidamente a ele e chega a tocar no ombro dele, o que ela classifica como falta de respeito com a autoridade: “Concorde-se ou não que tenha polícia na escola, se a PM está ali, precisa ser respeitada. Isso nada tem a ver com o direito de manifestação. Respeito e educação cabe em qualquer lugar, principalmente em uma escola”, opinou.

Um pai que morou por anos nos Estados Unidos afirma que deveria haver polícia nas escolas todos os dias, como acontece naquele país. “Se fosse lá, o policial teria derrubado a moça no chão e a algemado, pois já teria idade para isso. O brasileiro é muito cheio de direitos. Quem viver um pouco no exterior verá o que é atitude diante da Polícia. Precisa respeitar autoridade, a começar pelos professores, o que aqui não existe”.

Todos eles entendem que o diretor deve ser mantido na EE Frederico Brotero: “Se tirar esse, qualquer outro que vier será refém de alunos, não conseguirá ter autoridade. A maioria quer estudar, mas sempre tem aqueles alunos que vão à escola para influenciar negativamente os colegas”, disse uma das mães, que recomenda que as famílias procurem acompanhar as atitudes dos filhos nas imediações da escola.