Foi erro tirar a base da PM para pôr Ouvidoria da GCM

No final dos anos 1990, o Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Bom Clima, liderado pelo cabeleireiro Alberto Valadares, conhecido por Argentino, conseguiu doações para construir uma base comunitária de segurança da Polícia Militar, na praça Antonio Ranieri Testae, na confluência das avenidas Bom Clima e Brigadeiro Faria Lima.

Depois de algum tempo, o local foi adaptado para ser sede da 4a. Companhia da PM, chegando a abrigar cem policiais. Como o espaço não comportava tanta gente, buscou-se um outro, resultando na mudança para a avenida Barber Greene, no Jardim Santa Clara/Santa Cecília.

Na época, cogitou-se que Guarda Civil Municipal ocupasse a Base, mas houve protestos e a PM voltou a manter ali viaturas e policiais, para atendimento da comunidade. Segundo Argentino, a presença da PM inibe assaltos na região, pois houve redução no número de ocorrências.

Agora, o governo estadual anunciou o fechamento de bases comunitárias, sob argumento de que as viaturas circulando geram melhores resultados. Houve novamente protestos, o deputado Eli Corrêa Filho fez gestões junto ao governo estadual e ficou garantida a continuidade do funcionamento de outras bases policiais da cidade, como a da praça John Kennedy, no Centro, e a da praça 8 de Dezembro, no Taboão. Porém, a do Bom Clima foi rapidamente ocupada para ser sede da Ouvidoria da GCM.

Ora, a administração municipal poderia manter a Ouvidoria em um prédio onde já haja atividade da Secretaria de Segurança Pública, por ser uma repartição burocrática, que não necessitaria estar um espaço aberto como esse do Bom Clima. Fatalmente, boa parte das queixas da população chegam à Ouvidoria por telefone ou internet. Se fosse pessoalmente, pior ainda, pois esse local é inadequado para a imensa maioria dos moradores de Guarulhos, se para ali tiverem de se deslocar para registrar uma reclamação. Até do ponto de vista da segurança, não é adequado que a Ouvidoria funcione ali, pois não ofereceria condições para uma conversa mais reservada, por exemplo.

Para que a população tenha sensação de segurança, a presença de viaturas policiais em uma praça de grande fluxo é muito mais importante do que a de um órgão que poderia funcionar em poucas salas internas de um prédio.

Valdir Carleto


Resposta da Prefeitura

Recebemos da Assessoria de Imprensa da Secretaria Municipal de Segurança Pública a nota que aqui reproduzimos:

“Com relação ao assunto acima, a Prefeitura salienta que a mudança da Ouvidoria da GCM para o local aconteceu depois da saída da Base da PM, que foi determinada pelo alto comando da Polícia Militar. Com isso, a Administração Municipal resolveu instalar a ouvidoria no local para que o prédio não ficasse ocioso. Com a desativação da Base, a população ganhou reforço no patrulhamento com mais 12 policiais e seis viaturas, possibilitando a expansão da segurança para mais 30 bairros. E, uma parceria entre GCM e PM transformou a Praça Ranieri num Ponto de Estacionamento, uma espécie de área de interesse de Segurança Pública, que conta todos os dias em períodos distintos com o serviço da Base Móvel Comunitária e duas viaturas de patrulhamento da Polícia Militar e uma da GCM.

Acompanhamento

O Click Guarulhos irá acompanhar quanto à presença de viaturas da PM e GCM no local, pois as queixas de moradores da região são de que tem faltado policiamento ali e assaltos teriam voltado a ocorrer, o que não acontecia quando a Base da PM funcionava no imóvel.