Charge: Douglas Caetano

As causas de contaminação de locais de atendimento de saúde, como a que ocorreu recentemente no HMU (Hospital Municipal de Urgência) de Guarulhos, podem ser as mais diversas.

Uma pesquisa publicada em setembro de 2010, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), mostrou a presença maciça de bactérias em jalecos médicos. Foram analisados, por duas pesquisadoras, 48 alunos que utilizavam jaleco. Os resultados foram alarmantes: 95,8% estavam contaminados. Entre as bactérias encontradas, havia a Staphylococcus aureus, principal responsável pelas infecções hospitalares.
Projeto do deputado Vitor Sapienza (PPS) foi aprovado na Assembleia Legislativa de SP e sancionado pelo governador Geraldo Alckmin em 2011, proibindo o uso da vestimenta por profissionais da saúde fora do ambiente de trabalho. A lei fixa multa para quem a descumprir. Porém, como não houve regulamentação e não há fiscalização, muitos ainda usam indevidamente o jaleco em locais externos.

Houve polêmica entre Conselhos Regionais de Medicina, sobre a eficácia da medida. O Cremesp, por exemplo, manifestou-se contrariamente, afirmando que mais importante seria obrigar os médicos e outros profissionais da saúde a lavar as mãos ao entrar para trabalhar, pois sapatos e outras roupas também podem transportar bactérias de um local a outro. Ainda assim, recomendou que não se use o jaleco fora do ambiente de saúde.

Servidores do HMU têm sido vistos frequentando restaurantes e lojas das imediações, no Bom Clima, vestindo jalecos, o que fatalmente contribui para a proliferação de bactérias, tanto de dentro do hospital para fora, quanto de fora para dentro. Há, ainda, os que cometem o agravante de fumar usando o traje, o que fará, certamente, que o cheiro fique impregnado e incomode os pacientes que forem atendidos por esses profissionais.

Já que não há fiscalização externa para cumprimento da lei, as chefias das unidades de saúde, dos ambulatórios e hospitais deveriam coibir a prática indevida, como uma forma a mais de evitar a contaminação.

O Click enviou consulta à Assessoria de Imprensa da Prefeitura, para saber quais medidas saneadoras foram tomadas nesse sentido pela Secretaria da Saúde municipal. A Secretaria de Saúde de Guarulhos informa que já solicitou providências junto aos setores responsáveis do Hospital Municipal de Urgências (HMU), sobre a necessidade de adequação urgente à legislação.