Guarulhense foi o quinto que se suicidou no prédio do TRT-SP

O motoboy Carlos Martins Kon Tien, 41 anos, morador da vila Galvão, que se suicidou na segunda-feira, foi a quinta pessoa a tomar tal atitude no prédio do Fórum Trabalhista de São Paulo, na Barra Funda, zona Oeste de São Paulo.
Ele atirou-se do 17o. andar, com o filho Bryan, de 4 anos, no colo. O prédio tem um vão livre de 70 metros de altura e foi interditado após o episódio. Voltará a sediar audiências apenas após a colocação de tapumes, medida emergencial, já que a colocação de vidros de proteção, considerada medida arquitetonicamente mais recomendável, demanda alto custo e planejamento mais demorado.
Antes da medida extrema, Carlos, que também tinha uma filha de 17 anos, havia ligado para uma amiga para despedir-se e para a mãe, para avisar que não levaria o filho à escola. Ele tomara um ônibus com a criança pela manhã, de Guarulhos para São Paulo. Já no fórum trabalhista, deu um doce para o filho momentos antes de sentar-se no parapeito e pular para dar fim à própria vida e à do menino. Deixou um bilhete, que escreveu em um papel que pediu em um dos cartórios do TRT-SP: “Às vezes, tem um suicida na sua frente e você não vê”. Ele estava desempregado, mas ainda não se sabe se esse fato foi determinante para sua atitude desesperada.
Como ele não era parte de nenhuma ação tramitando naquele fórum, não se sabe por que teria escolhido o prédio para o suicídio. O histórico do local talvez explique: antes dele, desde 2007, outras quatro pessoas haviam dado cabo à vida ali, entre as quais dois eram reclamantes em ações trabalhistas, uma servidora do próprio TRT e um estagiário.
Medidas paliativas têm sido tomadas, como a colocação de fitas de isolamento. Milhares de pessoas circulam diariamente pelo prédio, que ficou famoso pelas denúncias de superfaturamento na construção, envolvendo o então presidente do TRT-SP, Nicolau dos Santos Neto. As seguidas mortes por suicídio ali estão dando outro motivo triste para a fama do local.

Valdir Carleto

foto: Moacyr Lopes Júnior/Folhapress